Leitura Verse do Global 50 · 2026

O Brasil inteiro cabe na 31ª posição

O Global 50 ranqueia as 48 maiores editoras do mundo. Cruzamos o ranking com a Retratos da Leitura, os números da CBL e do SNEL e o que a Verse já apurou. Saíram 25 achados que o relatório sozinho não mostra.

6 de outubro de 202620 min de leituraFonte principal: Global 50 Publishing Ranking 2026

Como ler

O Global 50 é o ranking anual das maiores editoras do mundo por receita, publicado desde 2007 pela consultoria de Rüdiger Wischenbart, em Viena. A edição de 2026 usa os resultados de 2025 e traz, pela primeira vez, capítulos sobre a Índia, a América Latina e as plataformas que não nasceram editoras mas já fazem o trabalho delas.

Aqui não estão os gráficos do relatório. Usamos o ranking como régua e medimos com ela o que já sabíamos do Brasil. Onde convertemos real em euro, usamos 6,44 reais por euro, a mesma taxa que o relatório aplica às empresas brasileiras, para tudo ficar na escala do ranking.

Cada achado leva um selo:

  • Dado publicado o número está numa fonte, e conferimos
  • Conta nossa cálculo nosso sobre números publicados
  • Hipótese leitura nossa, com o teste que a decidiria
Parte A

A régua: o Brasil na escala do mundo

O ranking mede editoras. Usado como régua, ele mede também um país inteiro, um gênero inteiro e um formato inteiro.

Todas as editoras brasileiras juntas cabem na 31ª posição

Receita de 2025 dos 48 grupos do ranking e o Brasil encaixado, em milhões de euros
  1. 1º Bertelsmann 5.930 mi €
  2. 2º RELX 5.635 mi €
  3. 3º Thomson Reuters 5.629 mi €
  4. 4º Wolters Kluwer 4.261 mi €
  5. 5º Pearson 4.097 mi €
  6. 6º Hachette Livre 3.001 mi €
  7. 7º Springer Nature 1.926 mi €
  8. 8º Hitotsubashi (Shueisha, Shogakukan) 1.843 mi €
  9. 9º HarperCollins 1.827 mi €
  10. 10º McGraw-Hill 1.787 mi €
  11. 11º Informa 1.502 mi €
  12. 12º Holtzbrinck 1.460 mi €
  13. 13º Wiley 1.426 mi €
  14. 14º Phoenix 1.398 mi €
  15. 15º Scholastic 1.381 mi €
  16. 16º Cengage 1.289 mi €
  17. 17º Klett 1.209 mi €
  18. 18º Cambridge University Press 1.189 mi €
  19. 19º ZheJiang 1.084 mi €
  20. 20º China South (ZhongNan) 1.053 mi €
  21. 21º Planeta 1.019 mi €
  22. 22º Oxford University Press 944 mi €
  23. 23º Kodansha 922 mi €
  24. 24º Editis 850 mi €
  25. 25º Southern Publishing 847 mi €
  26. 26º Kadokawa 846 mi €
  27. 27º Bonnier 757 mi €
  28. 28º Sanoma 746 mi €
  29. 29º GeMS (Mauri Spagnol) 733 mi €
  30. 30º Madrigall (Gallimard) 684 mi €
  31. Brasil inteiro (vendas das editoras, 2024) 653 mi €
  32. 31º Mondadori 624 mi €
  33. 32º Média Participations 617 mi €
  34. 33º Lefebvre-Sarrut 563 mi €
  35. 34º EKSMO 561 mi €
  36. 35º China Publishing Group 548 mi €
  37. 36º Kyowon 482 mi €
  38. 37º Woongjin ThinkBig 470 mi €
  39. 38º C. H. Beck 460 mi €
  40. 39º Cogna Educação 397 mi €
  41. 40º Bloomsbury 373 mi €
  42. 41º China Science 366 mi €
  43. 42º Westermann 300 mi €
  44. 43º Cornelsen 253 mi €
  45. 44º FTD 250 mi €
  46. 45º Albin Michel 237 mi €
  47. 46º Thieme 186 mi €
  48. 47º Gakken 151 mi €
  49. 48º Bungeishunju 103 mi €
01.5003.0004.5006.000

Global 50 Publishing Ranking 2026, p. 18 e 19 · CBL/SNEL/Nielsen BookData, Produção e Vendas do Setor Editorial 2024

As editoras brasileiras venderam R$ 4,2 bilhões ao mercado em 2024. Em euro, são cerca de 653 milhões. Encaixado no ranking, o mercado do país inteiro fica entre a Madrigall, dona da Gallimard e da Flammarion (684 milhões), e a Mondadori (624).

É o tamanho de um grupo editorial francês médio. Ou o da Tonies, empresa alemã que vende caixinhas de áudio para crianças e faturou 630 milhões de euros no mesmo período.

Conta nossa

O número brasileiro é de 2024 e o ranking é de 2025. Conta só as vendas das editoras ao mercado: o release oficial não informa em reais as compras do governo.

Toda a ficção adulta vendida no Brasil não entraria no ranking

As últimas posições do ranking, com a ficção brasileira e a Pocket FM encaixadas, em milhões de euros
  1. 42º Westermann 300 mi €
  2. 43º Cornelsen 253 mi €
  3. 44º FTD 250 mi €
  4. 45º Albin Michel 237 mi €
  5. 46º Thieme 186 mi €
  6. Pocket FM (Índia, áudio seriado) 167 mi €
  7. 47º Gakken 151 mi €
  8. Ficção no varejo brasileiro, 2025 (preço ao consumidor) 142 mi €
  9. 48º Bungeishunju 103 mi €
  10. Toda a ficção adulta vendida no Brasil, 2024 102 mi €
0000500

Global 50 2026, p. 19 e 63 · CBL/SNEL, Produção e Vendas 2024 · SNEL/Nielsen BookScan, Painel do Varejo 2025

Ficção adulta foi 15,7% das vendas das editoras brasileiras em 2024: R$ 659 milhões, cerca de 102 milhões de euros. A última colocada do ranking, a japonesa Bungeishunju, faturou 103 milhões. A ficção do país inteiro ficaria logo abaixo dela.

Uma única plataforma indiana de áudio em episódios, a Pocket FM, faturou 167 milhões de euros, 1,6 vez a ficção brasileira. A China Literature fatura 492 milhões só com leitura online, quase cinco vezes.

Conta nossa

Pela régua do varejo, que mede o preço pago pelo consumidor, ficção é 29,57% de R$ 3,09 bilhões em 2025: 142 milhões de euros. Mesmo assim, menor que a Pocket FM.

Uma distribuidora japonesa de e-book movimenta 1,5 vez o mercado brasileiro

E-book que passa pela Media Do contra as vendas de todas as editoras brasileiras, em milhões de euros
  • Media Do: e-book que passa pela distribuidora (Japão) 989 mi €
  • Todas as editoras brasileiras: vendas ao mercado 653 mi €

Global 50 2026, p. 52 · CBL/SNEL, Produção e Vendas 2024

A Media Do processou 182 bilhões de ienes em vendas de e-book no ano fiscal encerrado em fevereiro de 2025, cerca de 989 milhões de euros, ligando 2.200 editoras a 150 lojas. É uma vez e meia tudo o que as editoras brasileiras venderam ao mercado, com o papel incluído.

Conta nossa

O digital de todas as editoras brasileiras é um terço da Pocket FM

Receita, em milhões de euros. A barra aberta é estimativa sobre base incerta
  • Pocket FM 167 mi €
  • Digital de todas as editoras brasileiras cerca de 59 mi €

    44% biblioteca virtual

Global 50 2026, p. 63 · CBL/SNEL, Produção e Vendas 2024 e Pesquisa Conteúdo Digital

O conteúdo digital foi 9% do faturamento das editoras brasileiras em 2024. Sobre R$ 4,2 bilhões, são cerca de R$ 380 milhões, ou 59 milhões de euros. A Pocket FM sozinha fatura 2,8 vezes isso, e 85% da receita dela vem de microtransação.

Quase metade desse digital brasileiro (44%) é biblioteca virtual vendida a instituições, não leitor final.

Conta nossa

O release diz "9% do faturamento das editoras (impresso + digital)" sem dar o valor em reais. Se a base não for R$ 4,2 bilhões, a razão muda, mas não se inverte. Por isso a barra brasileira está aberta.

No Sul Global, o que escala localmente é a escola

Vendas das editoras brasileiras ao mercado por categoria, 2024 · editoras privadas indianas perfiladas

Vendas das editoras ao mercado, 2024

Índia: editoras privadas perfiladas pelo relatório 9 de 13 são escolares

CBL/SNEL, Produção e Vendas 2024 · Global 50 2026, p. 6, 19, 21 e 25

Os dois únicos brasileiros do ranking são educacionais: a Cogna, em 39º, e a FTD, em 44º, com 647 milhões de euros somados. Didático é 27,2% das vendas das editoras ao mercado, R$ 1,14 bilhão, quase o dobro da ficção adulta.

Na Índia, 9 das 13 editoras privadas perfiladas pelo relatório são escolares. Na China, a queda de receita das editoras vem da regra para material didático e da curva de nascimentos. Em boa parte desses mercados, o livro de massa que circula é de grupos sediados no Norte, como o próprio relatório registra.

Dado publicado

Cada número é publicado. A leitura de padrão entre os três países é nossa.

O livro mais vendido do Brasil em 2025 é de uma editora que encolheu no mundo

Dois números do mesmo grupo editorial, 2025
  • +1 milhão

    exemplares de Bobbie Goods vendidos em quatro meses no Brasil, pela HarperCollins Brasil

  • −9,3%

    na receita global da HarperCollins em 2025, medida em euro

Exame, 30/06/2025 · Global 50 2026, p. 13 e 18

Bobbie Goods, um livro de colorir, passou de 1 milhão de exemplares em quatro meses no Brasil pela HarperCollins Brasil. A HarperCollins, 9ª do ranking e controlada pela News Corp, caiu de 2.015 para 1.827 milhões de euros em 2025. O maior sucesso do varejo brasileiro no ano gira dentro de um grupo que, na conta global, perdeu receita.

Dado publicado

A queda da HarperCollins medida em euro tem efeito de câmbio, porque ela reporta em dólar. Vale como contraste, não como causa.

Parte B

Para onde foi o crescimento

As editoras do topo andaram de lado em 2025. O dinheiro novo apareceu em quem controla a rota até o leitor, e em formatos que nem são contados como livro.

As editoras cresceram 0,7%. As plataformas, 21%

Crescimento da receita de 2024 para 2025, por empresa. O traço marca a mediana de cada grupo

Editoras que reportam em euromediana +0,7%

Penguin Random House: +1,3% Hachette Livre: +4,5% Holtzbrinck: −5,3% Klett: +0,7% Planeta: −3,8% Editis: +10,0% Sanoma: −2,4%

Plataformas, cada uma na própria moedamediana +20,8%

Pratilipi FM: mais que dobrou Pocket FM: +68,0% Bookshop.org: +55,0% Chinese Online: +42,9% Tonies: +31,2% iReader: +25,5% Empik: +16,0% Spotify: +9,7% Webtoon (3º tri): +8,7% Media Do: +8,4% Storytel: +5,9% Legimi: −10,0%

Global 50 2026, p. 13 a 15, 22, 40 a 55 e 63 · cálculo Verse

Entre as editoras do ranking que publicam o balanço em euro, sem distorção de câmbio, a mediana de crescimento de 2024 para 2025 foi de 0,7%. As 12 plataformas com crescimento publicado no relatório, cada uma medida na própria moeda, tiveram mediana de 20,8%.

Conta nossa

O relatório escolheu destacar plataformas que já chamavam atenção. A frase honesta é que as plataformas destacadas pelo relatório crescem quase 30 vezes mais rápido que as editoras.

Se as plataformas entrassem no ranking, 11 delas estariam entre as 48

Os 48 do ranking e as 11 plataformas encaixadas, receita em milhões de euros
  1. Spotify · empresa toda, com música 17.186 · 2,9x a Bertelsmann
  2. 1º Bertelsmann 5.930 mi €
  3. 2º RELX 5.635 mi €
  4. 3º Thomson Reuters 5.629 mi €
  5. 4º Wolters Kluwer 4.261 mi €
  6. 5º Pearson 4.097 mi €
  7. 6º Hachette Livre 3.001 mi €
  8. Amazon como editora · estimativa de 2023 2.125 mi €
  9. 7º Springer Nature 1.926 mi €
  10. 8º Hitotsubashi (Shueisha, Shogakukan) 1.843 mi €
  11. 9º HarperCollins 1.827 mi €
  12. 10º McGraw-Hill 1.787 mi €
  13. 11º Informa 1.502 mi €
  14. 12º Holtzbrinck 1.460 mi €
  15. 13º Wiley 1.426 mi €
  16. 14º Phoenix 1.398 mi €
  17. 15º Scholastic 1.381 mi €
  18. 16º Cengage 1.289 mi €
  19. 17º Klett 1.209 mi €
  20. 18º Cambridge University Press 1.189 mi €
  21. Empik · valor de mercadoria vendida 1.160 mi €
  22. Webtoon Entertainment · receita de 2024 1.146 mi €
  23. 19º ZheJiang 1.084 mi €
  24. 20º China South (ZhongNan) 1.053 mi €
  25. 21º Planeta 1.019 mi €
  26. 22º Oxford University Press 944 mi €
  27. 23º Kodansha 922 mi €
  28. China Literature 896 mi €
  29. 24º Editis 850 mi €
  30. 25º Southern Publishing 847 mi €
  31. 26º Kadokawa 846 mi €
  32. 27º Bonnier 757 mi €
  33. 28º Sanoma 746 mi €
  34. 29º GeMS (Mauri Spagnol) 733 mi €
  35. 30º Madrigall (Gallimard) 684 mi €
  36. Tonies 630 mi €
  37. 31º Mondadori 624 mi €
  38. 32º Média Participations 617 mi €
  39. 33º Lefebvre-Sarrut 563 mi €
  40. 34º EKSMO 561 mi €
  41. Media Do 554 mi €
  42. 35º China Publishing Group 548 mi €
  43. 36º Kyowon 482 mi €
  44. 37º Woongjin ThinkBig 470 mi €
  45. 38º C. H. Beck 460 mi €
  46. 39º Cogna Educação 397 mi €
  47. 40º Bloomsbury 373 mi €
  48. 41º China Science 366 mi €
  49. Storytel 365 mi €
  50. 42º Westermann 300 mi €
  51. ElevenLabs · receita recorrente anualizada 281 mi €
  52. Rakuten Kobo · estimativa de 2024 263 mi €
  53. 43º Cornelsen 253 mi €
  54. 44º FTD 250 mi €
  55. 45º Albin Michel 237 mi €
  56. 46º Thieme 186 mi €
  57. Pocket FM 167 mi €
  58. 47º Gakken 151 mi €
  59. 48º Bungeishunju 103 mi €
01.5003.0005.0006.500

Global 50 2026, p. 18, 19 e 39 a 63 · Amazon: estimativa de Thad McIlroy citada no relatório, p. 47

Na mesma régua de receita, o Spotify seria o primeiro com folga: 17,2 bilhões de euros, 2,9 vezes a Bertelsmann e 27% da soma das 48 editoras. A Amazon, só com o braço editorial estimado, seria a 7ª, acima da Springer Nature.

Webtoon e Empik ficariam por volta da 19ª posição, a China Literature em 24º, a Tonies em 31º, à frente da Mondadori, a Media Do em 35º, a Storytel em 42º, a ElevenLabs e a Kobo perto do 43º. A Pocket FM fecharia a lista em 47º, à frente da Gakken.

Conta nossa

É régua de escala, não comparação de negócio: a receita do Spotify inclui música, a da Empik é valor de mercadoria vendida e a da ElevenLabs é receita recorrente anualizada. Cada barra diz qual é.

Na China, o microdrama já vale 91% do varejo de livro

Microdrama como fração do varejo de livros da China, 2025

Global 50 2026, p. 20 e 22 (OpenBook, Zhongjin Yiyun e National Radio and Television Administration)

O mercado chinês de microdrama, séries curtíssimas nascidas de histórias serializadas, passou de 100 bilhões de yuans em 2025. O varejo de livros inteiro do país foi de 110,4 bilhões. O microdrama dobrou em um ano, e é nele que iReader e Chinese Online cresceram 26% e 43%, as duas ainda no prejuízo.

Conta nossa

As duas cifras estão no capítulo sobre a China. O relatório compara o microdrama com a bilheteria de cinema; a comparação com o livro é nossa.

O áudio em episódios já é maior que o mercado de audiolivro que deveria contê-lo

Pocket FM contra o mercado de audiolivro estimado para a Índia, em milhões de dólares

Global 50 2026, p. 61 a 63 · Retratos da Leitura no Brasil 2024 (Instituto Pró-Livro)

A Pocket FM sozinha, com 196 milhões de dólares, fatura 1,3 vez a estimativa para o mercado inteiro de audiolivro da Índia (152 milhões). O formato que cresce não entra na régua que deveria contá-lo.

No Brasil acontece algo parecido. A Retratos da Leitura mede "livro". Fanfic e histórias coletivas aparecem só como 8% dos internautas, cerca de 14 milhões de pessoas, sem separar obra de trecho.

Conta nossa

A estimativa do mercado indiano é de consultoria, citada pelo relatório.

Parte C

Áudio: a demanda chegou, o catálogo não

O audiolivro é o único formato que cresce mais que a população brasileira. O que falta é título em português.

O Spotify vende audiolivro em 21 mercados, e nenhum é sul-americano

Onde o Spotify vende audiolivro, por região

Global 50 2026, p. 44, 45 e 78 · Retratos da Leitura no Brasil 2024

O serviço de audiolivro do Spotify roda em 21 mercados na Europa, América do Norte, Oceania, África e Oriente Médio. Enquanto isso, 23% dos brasileiros, 46,2 milhões de pessoas, já ouviram um audiolivro, contra 20% em 2019.

É o único formato que cresceu mais que a população, puxado por quem já compra livro: entre compradores, quem já ouviu foi de 35% para 43%. Bookwire e Storytel já apostam no Brasil.

Dado publicado

Menos de 1% do catálogo da Audible está em português

Catálogo da Audible no Brasil. Cada quadrado = mil títulos
Catálogo da Audible no Brasil, primeiro ano 0,86% em português

PublishNews, 08/05/2024 · Global 50 2026, p. 44, 45, 52 e 79

No primeiro ano da Audible no Brasil, eram cerca de 6 mil títulos em português num catálogo de 700 mil: 0,86%. Só o Spotify tem mais de 500 mil audiolivros em inglês, e a Storytel lança mais de 2 mil títulos de áudio por ano.

O relatório registra duas respostas em andamento: narração por inteligência artificial com autorização da editora, na parceria entre Bookwire e ElevenLabs, e produção assistida, como a da tcheca Elredo, que multiplicou o volume por 12,5 em 2025.

Dado publicado
Parte D

O leitor: por onde entra, quanto paga

A porta de entrada da leitura mudou, e o jeito de pagar por ela também. O Brasil aparece nos dois movimentos.

O cinema passou a escola como porta de entrada da literatura. Na China, a adaptação já é 45% da receita

Brasil: como começou o interesse por literatura, entre quem lê · China Literature: de onde vem a receita

Receita da China Literature, 2025

Retratos da Leitura no Brasil 2019 e 2024 · Global 50 2026, p. 40

Em 2024, a origem mais citada do interesse por literatura entre os brasileiros que leem é "filmes baseados em livros" (47%), à frente de escola ou professor (46%). Em 2019 era o contrário: 52% contra 48%. A escola caiu seis pontos; o filme ficou onde estava.

Do outro lado do mundo, a China Literature já tira 45% da receita de adaptação e licenciamento das suas histórias, que estão por trás de 5 dos 10 dramas e de 9 das 10 animações mais vistos da China. A adaptação forma leitor e paga a conta.

Dado publicado

O influenciador perdeu força como porta de entrada. Na China, o vídeo curto virou o maior canal de venda

Dois painéis com escalas próprias: origem do interesse no Brasil e canal de venda na China

Brasil: como o leitor de literatura começou

China: onde o livro é vendido, 2025

Retratos da Leitura no Brasil 2019 e 2024 · Global 50 2026, p. 21

Influenciador digital como origem do interesse por literatura caiu de 25% para 22% entre 2019 e 2024, e clube de leitura de 20% para 15%. Na China, o comércio dentro de vídeo curto e live (Douyin, Kuaishou, Xiaohongshu) virou o maior canal de venda de livro, com 40,5% do varejo e alta de 30% no ano.

O que decidiriaPerguntar, na mesma amostra, como a pessoa começou a ler e o que a fez comprar o último livro. A hipótese é que o influenciador vende mais do que forma leitor.

Hipótese

A Retratos mede a origem do interesse; o número chinês mede venda. Não são a mesma pergunta.

Pagar é exceção em quase toda plataforma de leitura

Quem paga, em porcentagem, cada um sobre a sua base
  • Spotify 38,6%

    pagam, entre os usuários mensais

  • Brasil, e-book 26%

    pagou o download, entre quem já leu e-book

  • China Literature 6,5%

    pagam, entre os usuários mensais

  • Skeelo 1,75%

    usa todo mês, entre o alcance das parcerias

  • Scribd 1,50%

    pagam, entre os usuários mensais

Global 50 2026, p. 40, 45, 46 e 71 · Retratos da Leitura no Brasil 2019 e 2024

Entre os usuários mensais, pagam 6,5% na China Literature, 1,5% no Scribd e 38,6% no Spotify. A Skeelo, que distribui leitura em pacotes de operadoras, transforma 1,75% do seu alcance potencial em usuário mensal.

No Brasil, 26% de quem já leu um e-book pagou pelo download, contra 18% em 2019. Os outros baixaram de graça.

Conta nossa

As bases são diferentes (usuário mensal, alcance potencial, "já leu alguma vez"). O gráfico mostra ordem de grandeza, não ranking. Por isso cada barra diz a sua base.

A assinatura é a ponte entre o grátis e o pago, e o grátis digital é o que cresce no Brasil

Brasil: formas de acesso aos livros que os leitores costumam ler, em porcentagem dos leitores
  • 50%

    dos novos assinantes do Kobo Plus nunca tinham comprado um e-book

Retratos da Leitura no Brasil 2019 e 2024 · Global 50 2026, p. 84 (entrevista com Michael Tamblyn)

Metade de quem assina o Kobo Plus nunca tinha comprado um e-book, segundo o presidente da Kobo. Vinha de biblioteca, pirataria, domínio público e fanfic.

No Brasil, "baixados da internet" é a única forma de acesso ao livro que cresceu entre leitores, além da compra: de 13% para 16%. Empréstimo de família e amigos caiu de 17% para 10%, biblioteca pública de 7% para 5% e distribuição do governo de 8% para 4%. O gratuito físico encolhe, o gratuito digital cresce, e quem converte esse leitor é o pacote ou a assinatura.

Dado publicado

O leitor que a Kobo diz que a indústria está perdendo é a classe C brasileira

Leitores por classe, em porcentagem da população de cada classe
  • Classe A 2019: 67%; 2024: 62%
  • Classe B 2019: 63%; 2024: 60%
  • Classe C 2019: 53%; 2024: 46%
  • Classe D e E 2019: 38%; 2024: 35%

Retratos da Leitura no Brasil 2019 e 2024 · Global 50 2026, p. 87 · Panorama do Consumo de Livros 2025 (NielsenIQ BookData/CBL)

O presidente da Kobo, Michael Tamblyn, alerta para a perda de quem lê um ou dois livros por ano e trocou o livro do avião pelo scroll. No Brasil, a maior queda de leitores entre 2019 e 2024 foi na classe C, de 53% para 46%, e na faixa de 30 a 39 anos, de 53% para 45%. A média de livros por habitante caiu 20%, de 4,95 para 3,96 por ano.

O contraste: no Panorama do Consumo de Livros, a classe C é a maior fatia dos compradores de livro do país, 43%. É ao mesmo tempo onde mais se perde leitor e onde está o maior grupo de quem compra.

Dado publicado

A Índia cobra o leitor sensível a preço por pedaço, não por livro

Três números lado a lado, sem relação medida entre eles
  • 85%

    da receita da Pocket FM vem de microtransação

  • 5 mi+

    transações por mês na Pocket FM

  • 35%

    dos brasileiros que não compram livro dizem que livro é caro

Global 50 2026, p. 60 e 63 · Panorama do Consumo de Livros 2025 · SNEL/Nielsen BookScan, Painel do Varejo 2025

A Pocket FM cresceu 68% com mais de 85% da receita vinda de microtransação: o ouvinte compra moedas virtuais para destravar o próximo episódio, em mais de 5 milhões de transações por mês. A Pratilipi FM mais que dobrou com o mesmo desenho.

O relatório descreve o leitor indiano como muito sensível a preço. O brasileiro também: 35% de quem não compra livro diz que livro é caro, e o preço médio no varejo foi de R$ 51,37 em 2025.

O que decidiriaUm piloto de episódio pago com Pix numa história que já tenha leitores. A hipótese é que o brasileiro pagaria por pedaço o que não paga por livro.

Hipótese

Quem apoia um livro paga o preço de cinco

Quanto paga quem apoia um livro e quanto custa um livro no varejo. Cada livro = R$ 51,37
Quem apoia um livro no Catarse R$ 264 por apoiador
Quem compra no varejo R$ 51,37, o preço médio

Global 50 2026, p. 66, 69 e 70 · SNEL/Nielsen BookScan, Painel do Varejo 2025

No Catarse, os projetos de publicação impressa arrecadaram R$ 21,6 milhões em 2025, com 81.961 apoiadores: R$ 264 por apoiador, ou 5,1 livros ao preço médio do varejo. Foram 1.109 campanhas pontuais e 582 clubes de assinatura, e o quadrinho é a categoria que puxa.

É a medida mais limpa de quanto o leitor que já é fã paga, perto do comprador comum.

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Os números do Catarse são fornecidos pela própria plataforma, sem auditoria.

A Retratos diz que o quadrinho caiu pela metade. O dinheiro diz outra coisa

Brasil: leram HQ, gibi ou RPG no último ano, em porcentagem dos leitores · quadrinho no Catarse
  • 400+

    campanhas de quadrinho por ano no Catarse, desde 2022

  • 85%+

    delas batem a meta

Retratos da Leitura no Brasil 2011 a 2024 · Global 50 2026, p. 18, 19, 48, 53 e 66

A leitura de HQ, gibi e RPG entre leitores brasileiros caiu de 19% em 2011 para 10% em 2024. Mas o quadrinho é o motor do financiamento coletivo de livro no país. E os três grupos japoneses de mangá do ranking somam 3,6 bilhões de euros, com plataformas como MangaPlaza e GlobalComix criadas para disputar esse leitor com a tradução pirata.

O que decidiriaUm recorte da Retratos por canal digital de quadrinho, que só existe nos microdados do Instituto Pró-Livro. A hipótese é que a queda é de medição: leitura em app e em scan não vira "livro" na cabeça de quem responde.

Hipótese
Parte E

Infância e escola: onde o Brasil ainda lê

A leitura caiu em quase todas as idades. Na infância, não. E é por ela que os negócios de leitura que escalam no Brasil passam.

A maior editora nova da Europa é uma caixinha de áudio infantil

Leitores por faixa etária, em porcentagem de cada faixa · assinantes dos dois maiores clubes do livro (cada quadrado = 10 mil)
  • 5 a 10 anos 2019: 71%; 2024: 62%
  • 11 a 13 anos 2019: 81%; 2024: 81%
  • 14 a 17 anos 2019: 67%; 2024: 62%
  • 18 a 24 anos 2019: 59%; 2024: 53%
  • 25 a 29 anos 2019: 55%; 2024: 51%
  • 30 a 39 anos 2019: 53%; 2024: 45%
  • 40 a 49 anos 2019: 45%; 2024: 41%
  • 50 a 69 anos 2019: 38%; 2024: 34%
  • 70 ou mais anos 2019: 26%; 2024: 32%
Leiturinha (infantil) 280 mil assinantes
Tag Livros (adulto) mais de 40 mil assinantes

Retratos da Leitura no Brasil 2019 e 2024 · Global 50 2026, p. 19, 40, 45, 68 e 71

A alemã Tonies faturou 630 milhões de euros em 2025, alta de 31%, mais que a Mondadori, e já encomenda histórias próprias. A britânica Yoto cresceu 86% no ano anterior.

No Brasil, o maior negócio de leitura por assinatura também é infantil: a Leiturinha tem 280 mil assinantes, cerca de R$ 41 por mês cada, e produz 85% dos livros que envia. É sete vezes a base da Tag, o clube adulto. E a infância é a única faixa em que a leitura não caiu: 81% dos brasileiros de 11 a 13 anos são leitores, o mesmo de 2019.

Dado publicado

A Tonies fatura 30 vezes a Leiturinha. A comparação é de modelo, não de tamanho.

A escola é o maior canal de distribuição de leitura do Brasil

Três públicos que não se somam
  • 4 mi

    alunos alcançados por Árvore e SuperAutor

  • 4 mi

    alunos alcançados pela Arco Educação

  • 20 mi

    de brasileiros compraram livro de literatura por vontade própria no trimestre

Global 50 2026, p. 56, 67, 68, 70 e 78 · Retratos da Leitura no Brasil 2024

Árvore e SuperAutor, depois da fusão, chegam a 4 milhões de alunos em 11 mil escolas. A Arco, a 4 milhões em 12 mil escolas. Do outro lado, 20 milhões de brasileiros compraram um livro de literatura por vontade própria no trimestre.

Na África do Sul, a Snapplify resolveu o acesso fazendo as operadoras não cobrarem o dado móvel da plataforma. No Brasil, o MEC Livros saiu da tecnologia da Skeelo com catálogo reunido pela Bookwire.

Dado publicado

As bases das escolas são declaradas pelas empresas, e aluno alcançado não é leitor. Os três números não se somam.

Parte F

Autor e catálogo

O Brasil não tem falta de livro. Tem falta de encanamento entre o livro e o leitor, aqui e lá fora.

O Brasil tem catálogo de sobra e não tem o encanamento

Títulos no catálogo de cada plataforma
  • UICLAP + Clube de Autores (Brasil) 240 mil títulos

    cada bloco = 44 mil títulos, um ano de produção das editoras

  • Draft2Digital cerca de 1 milhão
  • StreetLib mais de 600 mil
  • PublishDrive mais de 170 mil

Global 50 2026, p. 41, 47 a 49, 68 a 70 e 81 · CBL/SNEL, Produção e Vendas 2024

UICLAP e Clube de Autores somam 240 mil títulos autopublicados: cinco anos e meio de toda a produção das editoras brasileiras, que lançaram 44 mil títulos em 2024.

Lá fora, o que dá valor a um estoque assim é a camada de distribuição: Draft2Digital, com cerca de 1 milhão de títulos e 250 mil autores; StreetLib, com 600 mil títulos em 90 idiomas; PublishDrive, com vendas 20% maiores em 2025. Das distribuidoras do relatório, a única com escritório no Brasil é a Bookwire, que trabalha para editoras, não para o autor independente.

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Acumulado contra produção anual, e um mesmo título pode estar nas duas plataformas brasileiras.

A autora brasileira que formou leitores em inglês vendeu o mundo inteiro para a maior editora do planeta

A rota de uma obra brasileira até a maior editora do mundo
  1. São Paulo

    A autora escreve em inglês, do Brasil

  2. Wattpad em inglês

    34 milhões de leituras

  3. Ebury, hoje Penguin Random House

    Compra todos os direitos, no mundo inteiro (2012)

  4. LeYa, no Brasil

    Volume 1 sai com tiragem de 50 mil; os volumes 2 e 3 são cancelados

A conta brasileira da autora, criada depois do contrato, tem 381 seguidores e não levou a obra a lugar nenhum.

Estudo de caso Verse sobre Lilian Carmine (2026) · Global 50 2026, p. 40 e 43 · Estudo Verse "O país que vende soja e importa imaginário"

Lilian Carmine, de São Paulo, juntou 34 milhões de leituras em inglês no Wattpad. A conta brasileira dela tem 381 seguidores. Em 2012 ela vendeu todos os direitos, no mundo inteiro, para a Ebury, do grupo que hoje é a Penguin Random House, da Bertelsmann, primeira do ranking. A LeYa desistiu de publicar os volumes 2 e 3 em português.

O relatório mostra o outro lado dessa rota: a WebNovel chinesa já tem 17 mil títulos traduzidos com ajuda de inteligência artificial, com receita 39% maior. O português é 1,32% do Common Crawl, a maior base de texto da internet usada para treinar IA; o inglês é 46,3%.

O que decidiriaA hipótese é que o gargalo do autor brasileiro para chegar ao mundo é tradução, não talento. Decide: medir quanto da ficção autopublicada no Brasil tem edição em outro idioma.

Dado publicado

A Amazon perde terreno dos dois lados do balcão

Dois lados da mesma plataforma, em porcentagem, no mesmo eixo de 0 a 100

Lado do autor: a Amazon como principal fonte de renda dos independentes

Lado do leitor brasileiro: fatia da Amazon nas compras online de livro

Quanto o autor recebe do e-book
PlataformaRoyalty de 70%Condição
Koboaté 70%sem exigir exclusividade
KDP, vendas no Brasil70%só com o e-book no KDP Select (exclusividade) e preço entre R$ 5,99 e R$ 24,99; fora disso, 35%

Written Word Media, 2025 Indie Author Survey · Panorama do Consumo de Livros (NielsenIQ BookData/CBL) · Global 50 2026, p. 42 e 83 · ajuda oficial do KDP

Do lado do autor, a Amazon era a principal fonte de renda de 91% dos autores independentes em 2023 e de 83% em 2025, segundo a pesquisa da Written Word Media com 1.346 autores. Do lado do leitor brasileiro, a fatia da Amazon nas compras online de livro caiu de 66,4% para 59,1% em dois anos.

A Kobo voltou a crescer nos Estados Unidos "justamente quando o consumidor americano procura alternativas às grandes plataformas", nas palavras do seu presidente.

Dado publicado

O que ficou fora

  • O mercado brasileiro somando as compras do governo: o release oficial de 2024 não traz esse valor em reais.
  • A produção anual de audiolivros no Brasil: o número que circula não tem fonte primária.
  • Comparações por habitante com China ou Japão: dependeriam de dados de população fora das bases desta leitura.
  • O crescimento das editoras que publicam o balanço em dólar, iene ou yuan: em euro, a variação mistura câmbio. Por isso o achado 07 usa só quem reporta em euro.

Método e fontes

Transcrevemos o Global 50 Publishing Ranking 2026 inteiro e montamos um banco com cada número do relatório, com página. Cruzamos com o banco da Retratos da Leitura no Brasil, que a Verse montou a partir dos PDFs do Instituto Pró-Livro, e com números da CBL, do SNEL e de outras fontes, conferidos na fonte em 6 de outubro de 2026.

O relatório é patrocinado pela Bookwire e pela Rakuten Kobo, que aparecem nos perfis e têm entrevista própria. As divergências internas do relatório, como o crescimento da China South e a conversão da EKSMO, ficaram anotadas na nossa transcrição e não entram em nenhum achado sem aviso.

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