A autora canadense Anne Carson, que venceu o Prêmio Nobel de Literatura nesta quinta-feira, chegou à premiação com oito livros já publicados no Brasil, dispersos em quatro editoras. O ineditismo de uma autora viva e recém-premiada com a obra tão pulverizada foi destacado pelo colunista Walter Porto, segundo a Folha de S.Paulo.
Carson se torna a primeira autora a enfeitar com um Nobel o catálogo de três casas independentes relevantes: Bazar do Tempo, Relicário e Edições Jabuticaba. A quarta editora, a 34, já publica o Nobel russo Ivan Búnin e é a única que tem um inédito da canadense confirmado nos planos para o ano que vem, Wrong Norma, o livro mais recente de Carson. As editoras dizem estar negociando a publicação de ainda mais livros.
O cenário mostra uma mudança no comportamento do mercado editorial brasileiro, impulsionada pelo surgimento de editoras novas com bom faro para autores internacionais. Antes, o anúncio da Academia Sueca provocava uma corrida atrás dos direitos de autores quase desconhecidos na cena brasileira. Foi o caso do tanzaniano Abdulrazak Gurnah, em 2021, e da americana Louise Glück, em 2020, ambos inéditos no Brasil até ali. Os dois tiveram seus direitos arrematados pelo poderoso cofre da Companhia das Letras menos de um mês depois de serem reconhecidos. Nos dois casos, a editora comprou quatro volumes do catálogo dos autores — e lançou apenas metade. Títulos de Gurnah como By the Sea e obras poéticas de Glück como The Wild Iris seguem na gaveta.
Os últimos cinco ganhadores do Nobel já eram bem editados no Brasil no momento de sua premiação. O húngaro László Krasznahorkai, vencedor de 2025, tinha uma edição elogiada de Satántángó na Companhia das Letras, que prometeu mais três livros dele depois do Nobel e publicou apenas um até aqui, O Retorno do Barão de Wenckheim. A editora promete um novo livro, A Melancolia da Resistência, para 2027, mas ainda não tem data para Herscht 07769. A coreana Han Kang, vencedora de 2024, já tinha três livros publicados na Todavia quando foi premiada, e ganhou mais dois desde então.
Jon Fosse, laureado do ano anterior, já era distribuído na Companhia, na Tordesilhas e na Fósforo. Esta última foi inaugurada em 2021 com a publicação de um livro de Annie Ernaux, consagrada com o Nobel do ano seguinte. Hoje, já são 13 os livros da francesa na casa. Falando em apostas para o Nobel, a Fósforo já tem engatilhado outro livro da chinesa Can Xue, lembrada todo ano para o prêmio. Será uma coletânea de contos, I Live in the Slums, que deve sair no segundo semestre do ano que vem.
Dica pro Autor
Pesquise o catálogo de editoras independentes recentes para entender que tipo de estética elas buscam, caso você escreva ficção literária ou ensaios. Segundo a Folha, o surgimento de editoras novas com bom faro para autores internacionais mudou o mercado: Carson já tinha oito livros em quatro casas antes do Nobel.
Na Enciclopédia: Editoras que aceitam originais: como encontrar e enviar o seu →Fonte e apuração
- Fonte original
- Folha de S.Paulo, 09 OUT ↗
- Data do fato
- 08 OUT
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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