IA e tecnologia Anthropicdireitos autorais

Processo revela que Anthropic destrói livros físicos após escaneá-los para IA

Documentos judiciais mostram que a empresa corta as encadernações e descarta os originais depois de extrair o texto para alimentar seus modelos.

Dario Amodei gesticulando sentado em uma poltrona durante o evento TechCrunch Disrupt
Wikimedia Commons/TechCrunch (CC BY 2.0)

A Anthropic comprou e destruiu milhões de livros físicos para alimentar seus modelos de inteligência artificial, segundo a revista literária espanhola Zenda. O método, batizado internamente pela empresa de "Project Panama", veio a público a partir de documentos do processo judicial Bartz v. Anthropic, cujos detalhes foram revelados originalmente em uma reportagem de Francesca Mancino na revista norte-americana The New Yorker em 8 de setembro de 2026.

O procedimento industrial adotado pela companhia de tecnologia consistia em adquirir os volumes em massa, arrancar as encadernações, cortar as páginas e escaneá-las uma a uma. Após gerar um arquivo digital contendo as imagens das páginas e o texto convertido para um formato legível por máquina, os originais impressos eram sumariamente descartados. A Anthropic argumenta que seus programas não compram nem destroem obras raras ou de antiquário, focando apenas na extração dos dados textuais necessários para o aprendizado de máquina.

A revelação desse processo levanta um debate sobre a materialidade da leitura e o que se perde quando um livro é reduzido apenas à sua informação. A autora do artigo na Zenda, Rosa Amor del Olmo, argumenta que destruir um exemplar após copiá-lo não equivale a proibir uma obra, pois quem digitaliza pode estar facilitando a leitura. No entanto, ao transformar o exemplar físico em um mero veículo descartável para o texto, a operação apaga o histórico daquele objeto. A autora reconhece que nem toda anotação merece arquivo, já que há sublinhados que só provam que o dono tinha um lápis. O que se perde, segundo ela, é a relação que reuniu aqueles livros: dedicatórias, a letra de um dono que já morreu, a data em que dois volumes foram comprados juntos.

Além disso, os documentos judiciais apontam que a digitalização feita pela Anthropic gerou uma biblioteca digital interna, sem indícios de que essas cópias tenham sido disponibilizadas para pessoas de fora da empresa. O esforço logístico e destrutivo não teve como objetivo criar um acervo público para preservar a cultura ou facilitar a leitura humana, mas sim construir um banco de dados fechado. A fonte destaca que consultar um dado, estudar uma variante ou seguir uma novela até o final exigem atenções diferentes, e que a utilidade de um livro deteriorado não precisa competir com uma base de dados.

Dica pro Autor

Se o seu livro está à venda nos Estados Unidos, acompanhe os processos de autores contra empresas de IA, como o Bartz contra a Anthropic, e confira se a sua obra entra em algum acordo com os autores.

Na Enciclopédia: Encadernação →

Fonte e apuração

Fonte original
Zenda, 13 OUT ↗
Data do fato
08 SET
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
Achou um erro?
Fale com a redação · Política de correções

Leia também

Notas escritas com apoio de IA, conferidas e editadas por pessoas. Toda nota cita e linka a fonte original.