Audrey Niffenegger concluiu a aguardada continuação do best-seller A Mulher do Viajante no Tempo (2003), intitulada Life Out of Order, após catorze anos de trabalho. A autora começou o projeto logo após a reeleição de Barack Obama nos Estados Unidos, em 2012, e agora se prepara para uma turnê de lançamento, segundo perfil publicado pelo the Guardian em 10 de outubro.
A nova história acompanha Alba, filha de Clare e Henry. A personagem herdou a mesma condição genética do pai, que o fazia saltar involuntariamente pelo tempo, mas possui um controle maior sobre suas viagens. Diferente do romance original, que vendeu mais de nove milhões de cópias no mundo e focava na inevitability do destino do casal, a sequência assume um tom mais sombrio e político, com a protagonista disposta a usar suas habilidades para fins pessoais e ideológicos.
O longo tempo de desenvolvimento da obra esbarrou nas drásticas mudanças do cenário político norte-americano. Como o enredo exigia que Niffenegger imaginasse o mundo vinte, quarenta e sessenta anos no futuro, a autora relatou que parte do motivo para a demora foi esperar para descobrir o desfecho de certos eventos reais. A pandemia de coronavírus, os protestos após o assassinato de George Floyd e a ascensão de movimentos de extrema-direita acabaram moldando a distopia da narrativa.
A dificuldade de visualizar o futuro diante de crises concretas tornou-se um tema central na trama. No livro, Alba e Henry descobrem que é mais fácil viajar para o passado do que para o futuro, que se consolida apenas à medida que eles o visitam. Para tornar ameaças como o aquecimento global menos abstratas para o leitor, a autora descreve cidades inteiras submersas, escassez de alimentos e colapsos de infraestrutura.
Desde o sucesso de sua estreia, que rendeu um adiantamento de cinco milhões de dólares para seu segundo livro, Her Fearful Symmetry (2009), Niffenegger se manteve afastada dos holofotes. A autora, que também se recupera de uma doença grave e prolongada, afirmou ao jornal britânico que o dinheiro ganho comprou tempo para que ela focasse em sua escrita e arte. Durante esse período, o fato de as pessoas terem esquecido que ela existia foi algo bem-vindo.
Dica pro Autor
Use as tensões do presente como matéria-prima para construir o cenário de histórias que avançam décadas no futuro. Extrapolar crises políticas e ambientais reais ajuda a ancorar a distopia e torna a ameaça mais palpável para o leitor.
Na Enciclopédia: Worldbuilding →Fonte e apuração
- Fonte original
- the Guardian, 10 OUT ↗
- Data do fato
- 10 OUT
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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