IA e tecnologia Amazonautopublicação

Um em cada três best-sellers autopublicados na Espanha tem texto gerado por IA

Investigação usou detector de inteligência artificial nas listas da Amazon e acendeu o alerta sobre o volume de obras sintéticas no mercado.

1ºem português SEM COBERTURA NO BRASIL ÀS 08:21
Pilha de livros e cadernos sobre uma mesa de madeira ao lado de uma pessoa usando um computador portátil.
Imagem ilustrativa · Foto: George Milton/Pexels

Um em cada três best-sellers autopublicados na Espanha apresenta traços de texto gerado por inteligência artificial, segundo uma investigação do jornal espanhol El País repercutida pelo Infobae em 14 de outubro. O levantamento analisou 119 livros disponíveis nas listas de mais vendidos da Amazon e da Casa del Libro, além de vencedores de 13 prêmios literários, entre janeiro de 2025 e setembro de 2026.

O método usou o detector de IA Pangram para avaliar três trechos de mil palavras de cada obra, cerca de 3 mil palavras por título. O resultado mostrou que 35 títulos (29%) tinham alguma presença de inteligência artificial. Treze deles superaram a marca de 50% de texto sintético, e todos os treze pertenciam à autopublicação, com forte concentração no gênero de romance.

O caso mais extremo foi o do livro Mr. Sterling: Romance con el CEO, assinado pelo pseudônimo Violeta Dark, que o software apontou como 100% gerado por máquina. O mesmo perfil publicou 109 livros na Amazon em pouco mais de um ano. A plataforma Kindle Direct Publishing (KDP) exige que os autores declarem o uso de IA, mas não proíbe a publicação, e a falta de verificação permite que os títulos circulem sem aviso ao leitor.

A suspeita sobre a autoria também atingiu premiações tradicionais nas últimas semanas. O escritor canadense-haitiano Thélyson Orélien foi retirado da lista do Prêmio Goncourt após denúncias anônimas de que sua obra seria integralmente escrita por IA. Em Londres, a fundação do Prêmio Caine de escrita africana abriu uma revisão do conto vencedor de Simbarashe Steyn Kundizeza após a revista The Atlantic apontar o uso de ferramentas generativas no texto.

Os autores negaram as acusações ou justificaram o uso da tecnologia apenas para pesquisa. A própria fundação do Prêmio Caine alertou que os resultados de detectores como o Pangram são probabilidades estatísticas, e não provas definitivas, o que levanta debates sobre possíveis vieses das ferramentas contra determinados estilos de escrita.

Dica pro Autor

Guarde os rascunhos e o histórico de versões do seu documento caso use IA para revisar ou pesquisar. Como os detectores trabalham com probabilidades e podem errar, ter o registro do seu processo criativo é a melhor defesa contra falsas acusações.

Na Enciclopédia: Autopublicação →

Fonte e apuração

Fonte original
Infobae, 14 OUT ↗
Data do fato
14 OUT
Cobertura no Brasil
nenhuma matéria em português até 15 out, 08:21
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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