A editora canadense Les Éditions du Boréal cortou a relação profissional com o escritor haitiano-canadense Thélyson Orélien após confirmar o uso de inteligência artificial no romance C’était ça ou mourir, segundo o jornal português Observador. A decisão, anunciada na quarta-feira (21), encerra a relação profissional com o autor, cancela a publicação de futuras obras e suspende novas impressões do livro, que vinha fazendo sucesso comercial na França e no Canadá.
O rompimento definitivo acontece após uma análise externa dos rascunhos da obra. Pressionada pelas acusações, a editora recolheu todas as versões de trabalho do romance e pediu uma perícia aprofundada. Os resultados, entregues nesta semana, detectaram "vestígios de marcadores de IA nos metadados de alguns documentos". A Boréal declarou que o fator determinante para o corte não foi a quantidade de texto gerado, que talvez nunca possa ser medida com exatidão, mas a quebra de confiança, já que Orélien havia garantido em várias ocasiões que não usara a tecnologia.
A suspeita sobre o livro começou em setembro, quando uma conta anônima no X (antigo Twitter) apontou que trechos poderiam ter sido gerados por máquina. A polêmica ganhou força e fez a Academia Goncourt retirar C’était ça ou mourir da lista de dezesseis indicados ao prêmio literário no dia 25 de setembro, por considerar "muito provável" que a obra fosse produto de IA em grande medida.
Em 13 de outubro, o autor publicou uma longa defesa chamando as acusações de "calúnia e heresia", negando que qualquer frase, estrutura ou sentido tivesse vindo de uma máquina. Ele admitiu apenas casos de plágio no passado, que atribuiu a "erros de juventude". No entanto, a situação se agravou quando uma investigação do jornal canadense Le Devoir revelou que um artigo publicado por Orélien em 2023 copiava a estrutura, as fontes e os detalhes de uma reportagem do próprio jornal, e que a fotografia de perfil do suposto coautor do texto sugere ter sido gerada ou retocada por inteligência artificial.
Dica pro Autor
Avise a sua editora antes de assinar o contrato caso use ferramentas de inteligência artificial para organizar ideias ou revisar textos. A omissão do uso da tecnologia nos rascunhos pode ser interpretada como quebra de confiança e levar à rescisão, mesmo que o texto final seja seu.
Fonte e apuração
- Fonte original
- Observador, 21 OUT ↗
- Data do fato
- 21 OUT
- Cobertura no Brasil
- nenhuma matéria em português até 22 out, 01:05
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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