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Editoras do Big Five usam IA para avaliar originais e marketing, e autores protestam

Executivos das maiores editoras dos EUA pressionam equipes a adotar inteligência artificial, quebrando a confiança de escritores que ameaçam se autopublicar.

1ºem português SEM COBERTURA NO BRASIL ÀS 01:06
Mãos seguram e analisam originais impressos sobre uma mesa de madeira cercada por rascunhos e anotações.
Imagem ilustrativa · Foto: Ron Lach/Pexels

Executivos das cinco maiores editoras dos Estados Unidos, o grupo conhecido como Big Five, estão pressionando suas equipes internas a adotar ferramentas de inteligência artificial no trabalho diário, segundo reportagem da WIRED publicada nesta quarta-feira (28). A pressão por produtividade automatizada ocorre ao mesmo tempo em que gigantes do setor, como a Macmillan e a divisão alemã da Penguin Random House, movem processos judiciais contra desenvolvedoras de IA por violação de direitos autorais no treinamento de seus modelos.

Na Macmillan, a tentativa de automação começou com balões e uma festa no refeitório. Em janeiro de 2024, a editora lançou um assistente próprio chamado NOA (No Ordinary Assistant), que os funcionários foram incentivados a usar para redigir e-mails, criar textos de marketing, gerar ideias e até analisar trechos de manuscritos dos autores. A ferramenta se mostrou inútil na prática e foi descontinuada em outubro de 2025. Desde então, a liderança passou a testar o Google Gemini. Editores chegaram a usar o robô do Google para avaliar cartas de apresentação enviadas por agentes literários, embora a direção da Macmillan negue ter emitido qualquer ordem oficial para o uso da IA no processo editorial.

A adoção silenciosa da tecnologia, muitas vezes impulsionada por demissões que sobrecarregaram as equipes, quebrou a confiança de quem escreve. Autores do Big Five ouvidos pela revista, que somam mais de 30 milhões de cópias vendidas, relataram atritos. Um deles contou ter recebido material de divulgação gerado por IA com citações alucinadas que nunca existiram em seu livro. Quando confrontada, a editora negou o uso da máquina. Em negociações recentes de contrato, escritores não conseguiram arrancar das empresas a promessa formal de que a inteligência artificial ficaria de fora da produção e da promoção de suas obras.

Na Penguin Random House, a maior do Big Five, funcionários relatam que a direção encoraja o uso do ChatGPT Enterprise para inovação em narrativas e desenvolvimento de conteúdo, apesar da resistência dos próprios trabalhadores, que afirmam que a ferramenta atrapalha o ofício. Sem a garantia de que o trabalho será feito por humanos, e exigindo no mínimo transparência, nomes de peso do mercado tradicional ameaçam migrar de vez para a autopublicação, questionando o valor de ceder direitos a empresas que automatizam o cuidado com as histórias.

Dica pro Autor

Tente incluir uma cláusula que proíba o uso de inteligência artificial na preparação, na capa e na divulgação do seu livro antes de assinar um contrato de edição. Se a editora recusar, avalie se a estrutura oferecida compensa a cessão dos seus direitos.

Na Enciclopédia: Query letter →

Fonte e apuração

Fonte original
WIRED, 28 OUT ↗
Data do fato
28 OUT
Cobertura no Brasil
nenhuma matéria em português até 29 out, 01:06
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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