Mercado Elif ShafakIn One Brief Moment All Eternity

Elif Shafak relata crise criativa e questiona o valor de escrever hoje

A autora turca lança um romance sobre Flaubert e reflete sobre a utilidade da ficção em um mundo dominado por guerras e incertezas tecnológicas.

A escritora Elif Shafak segurando um exemplar de seu livro
Wikimedia Commons/Publicity shot by Ebru Bilun, released by Michael Radulescu of Rusoff Agency, the literary agency for the subject (CC BY-SA 3.0)

A escritora Elif Shafak, nascida na França e filha de pais turcos, enfrentou uma crise criativa recente em que questionou o sentido de produzir literatura em tempos de caos. A reflexão sobre o ofício aparece em uma entrevista que a autora deu ao the Guardian, publicada em 17 de outubro, sobre seu novo romance, In One Brief Moment All Eternity.

Shafak é a atual presidente da Royal Society of Literature e uma das autoras mais lidas da Turquia, embora viva em Londres após ter obras investigadas pelo governo turco. Seu novo livro é uma biografia ficcional de Gustave Flaubert, o autor de Madame Bovary. Na obra, ela subverte a premissa do clássico francês e conta a vida do escritor pelos olhos das mulheres que cruzaram seu caminho, misturando o cânone europeu com a tradição oral do Oriente Médio. A vida de Flaubert é narrada por figuras como sua amante Louise Colet, sua confidente George Sand, uma dançarina egípcia e até pela própria Emma Bovary.

A ideia para o romance nasceu de um período de depressão e ansiedade. Shafak conta que, diante de um cenário global de guerras, crise climática e incertezas tecnológicas — o que ela chama de "era dos três As: angústia, raiva e IA" —, se pegou perguntando qual era o valor de se trancar em um quarto para se preocupar com o sinônimo perfeito para uma palavra. A resposta veio na forma de investigar a própria criatividade em tempos de crise, olhando para o século XIX de Flaubert, outra época de mudanças e confusão.

A autora também desmistificou a ideia de que o ofício fica mais fácil com a experiência. Com catorze romances publicados, ela afirma que a dúvida, a ansiedade e até ataques de pânico continuam fazendo parte do processo criativo de cada novo projeto. Para lidar com a pressão e encontrar calma na ficção, Shafak revelou que costuma escrever à noite ouvindo heavy metal em looping nos fones de ouvido. Ela chega a tocar a mesma música oitenta ou noventa vezes, destacando a banda armênio-americana System of a Down como uma de suas favoritas para dar energia ao trabalho.

Dica pro Autor

Desloque as tensões do presente para outro tempo ou lugar se o noticiário travar a sua escrita. Usar uma época passada de grandes mudanças ajuda a processar a ansiedade atual sem o peso do debate diário.

Fonte e apuração

Fonte original
the Guardian, 17 OUT ↗
Data do fato
17 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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