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Ensaio político de Jessé Souza concorre ao Jabuti em Saúde e Bem-Estar

A editora inscreveu a obra argumentando que o texto trata do bem-estar social, e o júri da premiação aceitou o enquadramento.

Jessé Souza discursa segurando um microfone
Wikimedia Commons/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil (CC BY 3.0 br)

O prêmio Jabuti anunciou os finalistas da sua edição de 2026 na quarta-feira (14), e a lista colocou, segundo a Folha de S.Paulo, o ensaio político Por que a Esquerda Morreu?, do sociólogo Jessé Souza, na disputa da categoria Saúde e Bem-Estar. A indicação chamou a atenção do mercado por enquadrar uma análise sobre a crise de um campo ideológico em uma chave tradicionalmente associada a cuidados físicos e mentais.

A obra chegou às livrarias pela Civilização Brasileira, selo do Grupo Record. A editora inscreveu o título em duas frentes: no recém-criado Jabuti Acadêmico, onde a obra não chegou à fase semifinal na área de antropologia, sociologia, demografia, ciência política e relações internacionais, e no prêmio principal. Para justificar a escolha inusitada por Saúde e Bem-Estar no Jabuti tradicional, a casa editorial se baseou no próprio regulamento da premiação, que prevê de forma expressa a inclusão de textos sobre o bem-estar social.

No argumento da Civilização Brasileira, o livro investiga como as transformações do sistema capitalista afetam os direitos, a liberdade individual e as condições de vida da população brasileira. Isso, segundo o selo, ajuda o leitor a compreender os fatores sociais que condicionam o bem-estar coletivo. A organização do Jabuti validou a manobra e afirmou em nota que a avaliação e a classificação final cabem estritamente ao júri da categoria. Neste ano, o trio de juradas foi formado pelas médicas Eliana Amaral e Magda Almeida e pela jornalista especializada em saúde Michelle Loreto.

O próprio autor se surpreendeu com o enquadramento final. Souza declarou à reportagem que apenas assinou o pedido de inscrição e não sabia em qual chave o livro concorreria. Ainda assim, o sociólogo defendeu a pertinência da escolha, afirmando que a política também funciona como uma fonte de bem-estar para a sociedade, e não apenas para o indivíduo.

O sociólogo já havia disputado o Jabuti em 2017, quando ficou em segundo lugar com A Radiografia do Golpe. Naquela época, o livro concorreu na categoria Ciências Humanas. A categoria deixou de integrar o prêmio em 2024, justamente no ano em que foi criado o Jabuti Acadêmico, dedicado a obras de caráter mais científico.

Dica pro Autor

Leia o regulamento das premiações literárias em busca de brechas na definição das categorias antes de inscrever sua obra. Se o seu livro cruza temas, uma justificativa bem fundamentada pode colocá-lo em uma disputa com concorrentes diferentes do esperado.

Na Enciclopédia: Gênero literário →

Fonte e apuração

Fonte original
Folha de S.Paulo, 14 OUT ↗
Data do fato
14 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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