Mercado ArgentinaConversación con la oscuridad

Mariana Enriquez lança ensaio sobre o terror latino-americano e o gótico na região

Em 'Conversación con la oscuridad', a autora argentina defende que o horror na região nasce do fracasso político e social, sem o otimismo da geração do boom.

Mariana Enríquez sorri e olha para cima em close-up
Wikimedia Commons/Ministerio de Cultura de la Nación (CC BY-SA 2.0)

A escritora argentina Mariana Enriquez vai publicar em novembro um ensaio em que disseca a própria poética e mapeia o horror contemporâneo na América Latina, segundo o portal Infobae. O livro Conversación con la oscuridad (Conversa com a escuridão, em tradução livre) sai na Argentina pela editora Páginas de Espuma e consolida a visão da autora sobre o gênero.

Com o subtítulo "Teorias, intuições e escrita do medo", o volume de 272 páginas desmonta os cenários clássicos do terror anglo-saxão, como castelos medievais e brumas, para substituí-los por elementos locais. O palco do medo passa a ser a periferia de Buenos Aires, a biopolítica dos desaparecimentos forçados e os traumas políticos e sociais do Cone Sul. Para a autora, o terror latino-americano não é uma importação sobrenatural, mas uma distorção do realismo que se torna inquietante.

No ensaio, Enriquez traça uma linha divisória entre a sua geração e a dos autores do boom latino-americano. Ela argumenta que a literatura daquela época, mesmo quando sombria, carregava a esperança de uma transformação histórica e a crença em um futuro possível. "O realismo mágico possui uma natureza otimista que o gótico não tem", sentencia a escritora no livro, marcando o distanciamento de sua obra em relação à tradição anterior.

O gótico latino-americano que Enriquez defende e pratica nasce justamente da quebra dessa promessa e do futuro interrompido a partir dos anos 1970. O fracasso dessa fé coletiva, segundo ela, resulta em uma literatura carregada de paranoia e escuridão, onde o presente convive diariamente com os espectros de um passado que se recusa a morrer.

A reflexão teórica chega no momento em que a ficção da autora rompe as fronteiras das páginas impressas. Vencedora de prêmios como o Herralde e o José Donoso, Enriquez vê sua obra se expandir para o audiovisual: além de adaptações na Netflix, o conto "Mis muertos tristes" vai virar minissérie dirigida pelo chileno Pablo Larraín, e o filme La virgen de la tosquera foi o escolhido para representar a Argentina no prêmio Goya.

A autora, que atualmente está radicada na Austrália, terá seu novo livro apresentado no dia 27 de novembro no espaço ArtLab, com a presença da escritora e editora Ana Wajszczuk. A obra se soma a uma trajetória internacional, com livros traduzidos para mais de 30 idiomas e conquistas recentes como o World Fantasy Award de 2025 pela coletânea Un lugar soleado para gente sombría.

Dica pro Autor

Procure os medos que nascem da realidade à sua volta em vez de importar cenários estrangeiros para a sua obra de terror. O horror ganha força quando distorce traumas e tensões que o leitor já reconhece no próprio cotidiano.

Na Enciclopédia: Terror →

Fonte e apuração

Fonte original
Infobae, 26 OUT ↗
Data do fato
26 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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