O escritor amazonense Milton Hatoum afirmou que o Prêmio Nobel de Literatura não lhe interessa, segundo entrevista publicada pela VEJA em 18 de outubro. Cotado nas bolsas de apostas internacionais para a honraria deste ano, o autor deu uma gargalhada ao saber da indicação e declarou que seu foco é conquistar o público jovem no Brasil.
Para Hatoum, a Academia Sueca, responsável por entregar o prêmio, desconhece a literatura produzida no país. Ele argumenta que o reconhecimento a um autor brasileiro já deveria ter ocorrido no passado, citando Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector como nomes que mereciam a láurea. Na edição de 2026, o Nobel foi entregue à poeta canadense Anne Carson.
Aos 73 anos e ocupando uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL) desde abril, Hatoum mantém um ritmo de produção que ele mesmo define como o de um "último dinossauro". Escrevendo à mão, o manauara publicou apenas seis romances em quatro décadas, alcançando a marca de meio milhão de cópias vendidas. Entre seus sucessos estão Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos, obras que fogem do exotismo para focar nos conflitos domésticos e nas transformações urbanas, e que já ganharam adaptações para o cinema e para a televisão.
Apesar da lentidão confessa, a obra do autor rompeu fronteiras, com traduções para dezessete idiomas e publicação em vinte países. É esse alcance global que o colocou no radar das apostas para o Nobel. No entanto, o distanciamento geográfico que marcou sua juventude — quando viveu um autoexílio na Europa após ser detido duas vezes durante a ditadura militar — serviu para alimentar sua memória sobre Manaus e a imigração libanesa, raízes que agora pautam seu trabalho.
Atualmente, o escritor é acompanhado por uma equipe de cinema para a gravação do documentário Um Escritor entre Dois Mundos, dirigido por Marcelo Gomes, com estreia prevista para 2027. Além das telas, a ficção de Hatoum ganhou contornos dolorosos em seu romance mais recente, Dança de Enganos (2025), que encerra a trilogia O Lugar Mais Sombrio e aborda o regime militar brasileiro, período que ele faz questão de não deixar cair no esquecimento.
Dica pro Autor
Evite a armadilha do exotismo ao explorar cenários regionais em sua obra. Concentre-se nos conflitos humanos e domésticos, que são universais e criam uma conexão mais forte com os leitores.
Fonte e apuração
- Fonte original
- VEJA, 18 OUT ↗
- Data do fato
- 18 OUT
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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