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Pedro Bandeira estreia na ficção adulta com livro sobre Sherlock Holmes e Capitu

Aos 84 anos, o autor usa o detetive inglês para reabrir o maior mistério de Machado de Assis e analisar as testemunhas de Dom Casmurro.

Pedro Bandeira segura um microfone e fala durante uma apresentação
Wikimedia Commons/lucasmf23 (CC BY 3.0)

O escritor Pedro Bandeira lança seu primeiro romance voltado ao público adulto, Sherlock Holmes e Capitu, publicado pela editora Rocco, segundo entrevista ao PublishNews publicada em 23 de outubro. Aos 84 anos e conhecido pela longa carreira na literatura infantojuvenil, o autor une o detetive de Arthur Conan Doyle ao universo de Machado de Assis para investigar a suposta traição narrada em Dom Casmurro.

A obra se apoia na técnica da narrativa moldura para justificar o encontro improvável. Bandeira afirma, em tom de brincadeira, que não escreveu a história, mas apenas encontrou os relatos originais do médico John Watson. Segundo a premissa do livro, Watson teve um caso com a bisavó do autor brasileiro, Maria das Perobas, durante uma viagem a Portugal. O companheiro de Holmes teria levado a mulher para Londres e guardado as anotações das investigações em um baú que acabou herdado pelo próprio Pedro Bandeira.

O foco da trama é o método de dedução aplicado ao clássico nacional. Em vez de aceitar a versão de Bentinho, que narra Dom Casmurro com a certeza absoluta de ter sido traído, Sherlock Holmes interroga cada personagem do livro. O detetive inglês confronta as diferentes narrativas e interpretações dos fatos, anotando as divergências para tentar resolver o mistério sobre o envolvimento de Capitu e Escobar a partir de múltiplos olhares.

Para Bandeira, a força de Machado de Assis está justamente em restringir o enredo ao ponto de vista de um narrador não confiável, sem espelhar com precisão o que de fato se sucedeu. Na entrevista, o autor compara essa técnica com a de outras obras do próprio Machado, como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, em que o leitor descobre as falhas de quem conta a história. Ele contrasta esse estilo com o de escritores como Tolstói e Dostoiévski, que narravam tudo e deixavam menos espaço para a interpretação do leitor.

O novo romance brinca com essa lacuna, transformando a leitura do clássico brasileiro em uma aventura investigativa sem solenidade. Ao colocar Sherlock Holmes para examinar tanto a acusada quanto o acusador, Bandeira reforça a ideia de que os personagens sobrevivem aos seus criadores. Sobre o ofício de escrever aos 84 anos, ele define a prática como uma alegria e, às vezes, uma tortura, dependendo de como a escrita flui no momento do registro.

Dica pro Autor

Aproveite personagens em domínio público para criar histórias derivadas que atraiam leitores pela familiaridade. Crie uma narrativa moldura, como o baú de manuscritos, ao misturar universos diferentes para justificar o encontro e dar verossimilhança à trama.

Na Enciclopédia: Narrativa moldura →

Fonte e apuração

Fonte original
PublishNews, 23 OUT ↗
Data do fato
23 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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