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Prêmio Sor Juana Inés de la Cruz 2026 vai para Josefina Licitra pelo livro Crac

A autora argentina transformou o silêncio do pai exilado em um romance de não ficção que rompeu seu próprio bloqueio criativo.

Mãos digitando em uma máquina de escrever antiga sobre mesa de madeira iluminada por um abajur.
Imagem ilustrativa · Foto: Min An/Pexels

A escritora e cronista argentina Josefina Licitra venceu por unanimidade o Prêmio de Literatura Sor Juana Inés de la Cruz 2026 com o livro Crac, segundo repercutiu o Infobae na segunda-feira (2), em uma obra de não ficção que narra o reencontro de cinco dias entre a autora e seu pai. O exilado político deixou a Argentina em 1978, e os dois mantiveram uma relação por cartas durante décadas.

O prêmio, criado em 1993 e integrado à Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL), no México, é um dos principais reconhecimentos para a narrativa escrita por mulheres em língua espanhola. A distinção entrega 15 mil dólares à vencedora. A cerimônia de premiação desta edição está marcada para o dia 2 de dezembro, no Auditório Juan Rulfo do recinto de feiras da FIL.

Crac, publicado pela Seix Barral em 2025, é o livro mais pessoal da carreira de Licitra e nasceu de uma paralisia criativa. A autora havia publicado uma crônica sobre a relação com o pai, que vivia na Espanha. Em resposta, ele cortou relações e exigiu que ela nunca mais escrevesse sobre ele. O silêncio paterno provocou um bloqueio na escritora, que deixou de produzir textos autorais por anos e passou a se dedicar apenas a roteiros.

O bloqueio só foi rompido quando Licitra soube que o pai viajaria a Buenos Aires. Ela começou a escrever um diário enquanto esperava a visita, e esse material serviu de base para o livro. Para evitar que o texto ficasse restrito a um diário íntimo, a autora apostou em uma arquitetura narrativa forte, usando ferramentas da literatura como tensão, drama e diferentes registros para processar a realidade.

Na ata de resolução, o júri descreveu Crac como uma novela confessional que transforma a ruptura do vínculo familiar em uma reflexão literária sobre a autoria, o luto e a memória. Os jurados destacaram que Licitra se expõe com senso de humor e domínio narrativo, sem cair na sensibleria, conseguindo transferir para o leitor as mesmas incertezas existenciais que atravessam a autora.

Dica pro Autor

Busque uma estrutura narrativa forte para sustentar a sua obra caso ela parta de uma experiência pessoal dolorosa. A técnica literária ajuda a transformar um desabafo íntimo em uma história que dialoga com o leitor.

Na Enciclopédia: Não ficção →

Fonte e apuração

Fonte original
Infobae, 02 NOV ↗
Data do fato
02 NOV
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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