Mercado diversidadeInclusive Books for Children

Presença de protagonistas negros em livros infantis cai 8% no Reino Unido

Relatório aponta recuo na diversidade e alerta para a falta de histórias em que a identidade do personagem não seja o centro da trama.

Capa do relatório Excluded Voices 2026, da Inclusive Books for Children, com ilustração de uma mulher lendo um livro para três crianças
Divulgação/Inclusive Books for Children (ilustração: Nila Aye)

A proporção de livros infantis protagonizados por personagens negros caiu quase 8% no Reino Unido no último ano, segundo um estudo divulgado no domingo (4) pelo The Guardian. O recuo contrasta com a demografia da Inglaterra e do País de Gales, onde crianças negras representam cerca de 8,5% da faixa etária pesquisada. Os dados são do relatório Excluded Voices 2026, da organização Inclusive Books for Children (IBC), que analisou obras para bebês, livros ilustrados e ficção para crianças de até nove anos publicadas em 2025. Das 2.189 obras mapeadas, apenas 47 (2,1%) traziam um protagonista negro.

A queda também atingiu outros grupos. A presença de personagens principais sul-asiáticos recuou 14,3%, enquanto a de pessoas com deficiência em livros ilustrados despencou 60%, restando apenas dois títulos — nenhum deles feito por um criador com deficiência. Ao todo, só 150 livros (6,9%) focavam em minorias étnicas, pessoas com deficiência ou neurodivergentes. Houve avanço na representação neurodivergente em livros ilustrados, que saltou de três para 13 obras, e na categoria para bebês e crianças pequenas, em que o número de livros com protagonistas marginalizados subiu 29,4%.

O levantamento destacou ainda a falta da chamada "representação incidental". Segundo os pesquisadores, o mercado continua dependente de histórias em que a identidade do personagem dita o enredo. Os únicos três livros com protagonistas do Oriente Médio e do Norte da África publicados no período, por exemplo, eram narrativas sobre refugiados, o que reforça uma visão focada em guerra e deslocamento em vez de cultura. Para a autora Serena Patel, ouvida pela reportagem, a idade de formação exige acesso a livros engraçados e de aventura que reflitam a vida real.

A consultora Stella Louis reforçou o coro: "Por que uma criança não pode simplesmente ser sul-asiática, com deficiência, neurodivergente ou bilíngue e também ser o herói de uma história comum sobre amizade, aventura, perda ou alegria?".

Dica pro Autor

Se a sua obra traz personagens de grupos minorizados, experimente dar a eles uma história comum de aventura, amizade ou alegria, sem que a identidade seja o único conflito. O leitor busca heróis diversos cujas origens não precisem ditar todo o enredo.

Fonte e apuração

Fonte original
The Guardian, 04 OUT ↗
Também em
Inclusive books for children ↗
Data do fato
04 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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