Direito e poder censuraFaber

Livros de Sally Rooney esgotam no Reino Unido após editora suspender vendas

Com a proibição de repassar direitos autorais por causa de lei antiterrorismo, leitores britânicos correm para comprar os últimos exemplares da autora.

1ºem português SEM COBERTURA NO BRASIL ÀS 01:06
Estantes repletas de livros organizados sob forte contraste de luz e sombra em preto e branco.
Imagem ilustrativa · Foto: Francesco Ungaro/Pexels

Os livros da romancista irlandesa Sally Rooney estão sumindo das prateleiras no Reino Unido, com um salto de 291% nas vendas em uma semana, segundo o the Guardian noticiou em 21 de outubro. A corrida às livrarias acontece dias depois de a Faber, editora da autora no país, anunciar que deixará de fornecer novos exemplares de suas obras para o mercado britânico.

A decisão da editora é uma resposta direta à legislação local. No ano passado, Rooney declarou que usaria os lucros de seus livros e das adaptações de suas histórias para a BBC para apoiar o grupo de ação direta Palestine Action. Em julho de 2025, o governo britânico classificou o grupo como organização terrorista, tornando o apoio a ele um crime que pode render até 14 anos de prisão.

Como a lei impede que a Faber repasse os ganhos do Reino Unido para a autora, a empresa decidiu, com a concordância de Rooney, suspender o fornecimento. Os exemplares que já estão nas lojas podem ser vendidos normalmente, mas o estoque não será reposto. No site da Gardners, principal distribuidora de livros do país, todos os títulos da escritora já aparecem como indisponíveis para encomenda. A própria autora afirmou que não pode mais viajar ao Reino Unido sem risco de prisão, tendo enviado seu editor para receber um prêmio em Londres em seu lugar.

O bloqueio gerou uma onda de apoio à romancista, que é um dos maiores nomes da ficção literária contemporânea e vendeu mais de um milhão de cópias apenas de Normal People no mercado britânico. Centenas de escritores, incluindo a recém-premiada com o Nobel Anne Carson, Zadie Smith e Annie Ernaux, além de atores que estrelaram a adaptação de sua obra, assinaram cartas abertas contra a medida.

Enquanto a situação não se resolve, uma espécie de contrabando legalizado tomou forma no mercado livreiro. A Kennys Bookshop, livraria na República da Irlanda, onde as obras continuam circulando livremente, relata que as vendas de Rooney cresceram dez vezes desde o anúncio, com quase todos os pedidos sendo despachados para a Grã-Bretanha. A Irlanda do Norte, que mantém acesso a ambos os mercados após o Brexit, também virou um canal para lojistas que buscam repor os livros pela porta dos fundos.

Dica pro Autor

Acompanhe como as leis de cada país tratam o repasse de direitos autorais caso a sua obra ganhe projeção internacional. O que é liberdade de expressão e ativismo em um território pode travar a circulação do seu livro e o seu pagamento em outro.

Fonte e apuração

Fonte original
the Guardian, 21 OUT ↗
Data do fato
21 OUT
Cobertura no Brasil
nenhuma matéria em português até 22 out, 01:06
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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