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Thallys Braga lança 'Filho', livro de memórias sobre ascensão social e trauma no Rio

O jornalista relata a violência e a pobreza da infância no subúrbio, assumindo o direito de expor a própria história e a da família.

Livro antigo aberto com páginas amareladas sobre superfície de madeira.
Imagem ilustrativa · Foto: 🇻🇳🇻🇳 Việt Anh Nguyễn 🇻🇳🇻🇳/Pexels

O jornalista Thallys Braga acaba de lançar seu primeiro livro, Filho (Companhia das Letras), uma obra autobiográfica que expõe o abismo de classe entre sua infância no subúrbio do Rio de Janeiro e seu presente, segundo perfil publicado pela Folha de S.Paulo no domingo (11).

A narrativa acompanha a trajetória do autor, um jovem gay nascido em Inhoaíba, criado por uma mãe, Luciana, que trabalhava como empregada doméstica e babá na Barra da Tijuca e no Recreio. A obra aborda a violência doméstica, a homofobia na família e o luto pela morte precoce da mãe, aos 41 anos, além do assassinato do pai quando Thallys tinha dez anos. O texto contrasta esse passado de privações com a atual convivência do jornalista nos círculos da elite progressista, revelando o sentimento constante de deslocamento e o medo de perder o conforto material conquistado.

Para lidar com a exposição de pessoas reais que não pediram para estar em um livro, o autor tomou decisões práticas. A primeira foi firmar um acordo com os próprios avós maternos para que eles não leiam a obra, poupando-os de reviver o luto pela filha e os traumas financeiros da família. A segunda foi usar apenas as iniciais para nomear todas as outras pessoas — com exceção dos pais —, garantindo que essas pessoas existam apenas no universo literário e não sejam facilmente identificadas ou buscadas nas redes sociais.

A editora classifica a obra como literatura de "trânsfuga de classe", termo usado para quem ascende socialmente e passa a não pertencer totalmente a nenhum dos dois mundos. Braga defende o direito inalienável de narrar a própria vivência, inspirado na francesa Annie Ernaux, que também relatou intimidades de si e dos seus. O autor não rejeita o rótulo de "fofoca autobiográfica", considerando-a uma maneira de honrar a tradição oral e suburbana de contar histórias que aprendeu no portão de casa e na igreja.

Dica pro Autor

Avalie usar iniciais ao escrever memórias que envolvem familiares para proteger a identidade de quem não escolheu ser figura pública. Firmar um pacto de não leitura com parentes próximos também é uma ferramenta prática para preservar relações enquanto você conta a sua verdade.

Fonte e apuração

Fonte original
Folha de S.Paulo, 11 OUT ↗
Data do fato
11 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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