A antologia póstuma do escritor palestino Refaat Alareer, morto na Faixa de Gaza no fim de 2023, acaba de chegar ao mercado brasileiro. O livro Se Eu Tiver Que Morrer foi lançado no país pela editora Cosac, com tradução de André Capilé, segundo informou a Folha de S.Paulo neste domingo (25). A obra de 264 páginas mistura poesia, publicações de redes sociais e textos jornalísticos do autor, formando um registro da vida sob o cerco.
O título do livro vem de um poema que Alareer escreveu em 2011 para a filha, Shymaa, pedindo que ela vivesse para contar a história dele caso ele morresse. Nos versos, ele pede que a menina venda suas coisas e faça uma pipa para que uma criança em Gaza, ao olhar para o céu, pense estar vendo um anjo. O texto rodou o mundo e virou um símbolo da situação no território palestino depois que um bombardeio israelense matou o escritor, seus irmãos e sobrinhos em 6 de dezembro de 2023. Meses depois, a própria filha para quem o poema foi escrito também morreu em um ataque, deixando a tarefa de lembrar a história para os leitores.
Nascido em 1979, Alareer era professor de literatura e escrita criativa na Universidade Islâmica de Gaza. Com mestrado no Reino Unido e doutorado na Malásia, ele tomou a decisão estratégica de escrever em inglês para que suas ideias e a realidade local ultrapassassem a barreira do idioma. Com esse mesmo objetivo, ajudou a criar o projeto Não Somos Números, que incentivava e ensinava jovens palestinos a narrarem as próprias vivências para o público estrangeiro.
A escrita de Alareer apostava no impacto emocional e tratava o texto como um instrumento de persuasão, misturando linguagem poética com a crueza da guerra. Em seus versos, ele dialogava constantemente com a literatura britânica, fazendo referências a obras como Macbeth, de Shakespeare, enquanto mirava a audiência global. Sua última mensagem no antigo Twitter, que encerra o livro junto com áudios finais, acusava o Partido Democrata e o então presidente, Joe Biden, de serem responsáveis pelo que descrevia como um genocídio em Gaza, mostrando como ele usava cada plataforma para tentar romper o isolamento de seu povo.
Dica pro Autor
Considere o idioma e as referências culturais como ferramentas estratégicas se a sua obra trata de realidades locais muito específicas ou isoladas. Dialogar com obras universais, como Alareer fez com a literatura britânica, pode ajudar a traduzir a sua vivência para leitores de fora.
Fonte e apuração
- Fonte original
- Folha de S.Paulo, 25 OUT ↗
- Data do fato
- 25 OUT
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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