IA e tecnologia FilipinasGolpe de vaidade

Autor responde a e-mail de fã gerado por IA e rastreia golpe até rede criminosa

O romancista Joe Dunthorne fingiu aceitar uma oferta de divulgação paga e descobriu que as mensagens nascem em campos de trabalho forçado nas Filipinas.

Pessoa digitando em um notebook com tela branca acesa em ambiente com pouca luz.
Imagem ilustrativa · Foto: VAZHNIK/Pexels

O romancista Joe Dunthorne decidiu responder a um dos e-mails falsos de fãs gerados por inteligência artificial que lotam sua caixa de entrada e acabou rastreando a fraude até uma rede de crime organizado nas Filipinas, segundo relato publicado pelo the Guardian neste domingo (1º). A mensagem, assinada por uma suposta fundadora do "Berlin Book Club", prometia apresentar a obra do autor a novos leitores em troca de algumas centenas de dólares para cobrir custos operacionais.

Para o leitor brasileiro, o caso ilustra uma sofisticação recente nos golpes de vaidade. Com o uso de ferramentas de IA generativa treinadas com os próprios livros dos autores, os golpistas conseguem escrever mensagens altamente personalizadas que escapam dos filtros de spam. Dunthorne lembra que as empresas de tecnologia absorveram essas obras sem permissão — o que já rendeu processos contra o Google e um acordo bilionário da Anthropic —, permitindo que os criminosos manipulem os escritores usando versões digitais deles mesmos. O próprio Dunthorne recebeu um e-mail entusiasmado de uma falsa Ottessa Moshfegh, enquanto outros autores receberam mensagens semelhantes de perfis falsos de Donna Tartt e Sally Rooney.

Em vez de ignorar a mensagem, Dunthorne fingiu interesse no serviço de divulgação e insistiu que só poderia pagar em dinheiro vivo, alegando ter notas prontas em um envelope. Após dias de negociação, a golpista cedeu e forneceu um endereço postal nas Filipinas. Ao buscar o local no mapa, o autor encontrou um complexo cercado por muros altos, estrutura típica das "fazendas de golpes" que operam no Sudeste Asiático.

Esses complexos funcionam como campos de trabalho forçado, onde pessoas traficadas de países como China, Vietnã e Ruanda são obrigadas a aplicar fraudes em escala industrial. Os criminosos usam desde textos gerados por IA até aplicativos de disfarce facial em chamadas de vídeo. Dunthorne não enviou o dinheiro e repassou os dados à agência de crimes cibernéticos das Filipinas. Ele conclui que, por trás do tom otimista do e-mail, há vítimas de tráfico humano operando uma dúzia de telefones sob a ameaça de violência.

Dica pro Autor

Desconfie de e-mails não solicitados que pedem dinheiro em troca de divulgação ou resenhas, mesmo que o remetente pareça conhecer a fundo a sua história. Nunca pague para ser lido por supostos clubes do livro ou influenciadores desconhecidos.

Na Enciclopédia: Clube do livro →

Fonte e apuração

Fonte original
the Guardian, 01 NOV ↗
Data do fato
01 NOV
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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