Bibliotecas públicas e universitárias de 11 estados norte-americanos suspenderam, ocultaram ou trocaram o nome das atividades da Banned Books Week, a semana anual de conscientização sobre livros banidos, segundo levantamento publicado pelo Book Riot em 6 de novembro. A pesquisa reuniu relatos sobre o fim de vitrines, eventos e debates sobre censura por determinação de diretores, conselhos locais ou governos estaduais.
O estado com mais relatos na pesquisa foi o Texas, com cinco respostas, três delas de bibliotecas universitárias. Os funcionários apontaram leis estaduais como a causa direta do silêncio. Entre elas estão a Senate Bill 13, que acelerou a remoção em massa de livros em escolas públicas em 2025 com o uso de inteligência artificial, a Senate Bill 17, que proíbe programas de diversidade e faz as instituições temerem a perda de verba pública, e a Senate Bill 412, que permite processar criminalmente bibliotecários sob a acusação de fornecer material considerado prejudicial a menores.
Em uma universidade texana, a direção pediu em agosto que o evento mudasse de nome para "Freedom to Read" (Liberdade para Ler) e exigiu a retirada de qualquer menção à American Library Association (ALA), organizadora nacional da campanha, além da exclusão de títulos com temática LGBTQ+ dos guias de leitura. Na Carolina do Sul e na Louisiana, obras para jovens adultos ou livros infantis com temática trans foram transferidos para a seção adulta, enquanto no Missouri uma biblioteca só pôde montar vitrine do Mês do Orgulho em uma única seção.
A pressão ocorre até em estados que aprovaram leis para proteger o direito de ler, chamadas de "Freedom to Read", em vigor em 13 estados até a metade de 2026. Em Maryland, que possui mecanismos legais para barrar banimentos, dois bibliotecários relataram que comissários de condados conservadores proibiram o uso da palavra "banido". Um deles contou ter sido demitido após recusar ordens como prender páginas de livros com clipes de papel para esconder conteúdo.
O levantamento também aponta o efeito dessa remoção nas listas anuais de censura. Obras lançadas na década de 2020, como Last Night at the Telegraph Club, deixaram de aparecer na lista de mais banidos da organização PEN America no ano letivo de 2025–2026 não porque os ataques diminuíram, mas porque os exemplares já tinham sido retirados das escolas no período anterior e não foram repostos.
Dica pro Autor
Se você acompanha o mercado norte-americano para posicionar ou traduzir obras jovens e com temática LGBTQ+, não tome a saída de um título das listas anuais de livros banidos como sinal de queda na censura. Acompanhe os relatórios tanto da ALA quanto da PEN America para entender se a obra parou de ser contestada ou se já foi removida das prateleiras escolares.
Fonte e apuração
- Fonte original
- Book Riot, 06 NOV ↗
- Data do fato
- 06 NOV
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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