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Cambridge e Princeton lançam Meridian para licenciar livros para IA

A plataforma permite que ferramentas de inteligência artificial citem obras acadêmicas nas respostas, mas proíbe o uso dos textos para treinar novos modelos.

Portal de pedra em arco gótico na entrada da Princeton University Press, exibindo o brasão da editora entalhado no topo.
Wikimedia Commons/Djkeddie (CC BY-SA 4.0)

As editoras universitárias de Cambridge, Johns Hopkins e Princeton se uniram à startup Cashmere para lançar o Meridian, um serviço de licenciamento de livros e artigos acadêmicos para empresas de inteligência artificial. A iniciativa foi noticiada nesta terça-feira (3) pela Publishers Weekly.

O sistema funciona como uma ponte entre o catálogo das editoras e as ferramentas de IA. Quando um pesquisador faz uma pergunta a um assistente virtual, o Meridian permite que a IA busque a resposta no conteúdo validado por pares, cite a fonte e direcione o leitor para a versão final da obra, acessada por meio da assinatura da biblioteca da universidade. A adesão ao serviço é voluntária, não afeta outros contratos da editora e permite que os selos retirem seus títulos da plataforma a qualquer momento.

O acordo impõe limites claros ao uso do material. Os textos acessados pelo Meridian não podem ser usados para treinar novos modelos de linguagem, nem podem ser revendidos ou repassados a terceiros. O modelo de negócios se baseia no licenciamento: as empresas de tecnologia pagam pelo acesso, e a editora dona da obra recebe a compensação financeira. As bibliotecas, por sua vez, recebem relatórios de uso no formato padrão COUNTER, que já utilizam para monitorar coleções eletrônicas.

A tecnologia por trás do serviço usa o Model Context Protocol (MCP), um padrão de código aberto criado pela Anthropic que permite conectar assistentes de IA a bancos de dados externos. Para as editoras, isso significa construir apenas uma conexão, em vez de criar integrações separadas para cada empresa de tecnologia.

O movimento busca estabelecer regras comuns antes que as plataformas de tecnologia as imponham. A ideia de um sistema controlado pelas próprias editoras já havia sido defendida em julho por executivos da Johns Hopkins e da Cashmere no blog Scholarly Kitchen. As editoras fundadoras começam a inserir seus catálogos no sistema neste mês de novembro, e uma fase de testes com um grupo restrito de bibliotecas está prevista para o último trimestre do ano.

Dica pro Autor

Verifique se há cláusulas específicas sobre o licenciamento da sua obra para ferramentas de inteligência artificial antes de assinar um contrato de edição. Vale negociar se esse uso será permitido para treinamento de modelos ou restrito apenas a consultas e citações, como no caso do Meridian.

Fonte e apuração

Fonte original
Publishers Weekly, 02 NOV ↗
Data do fato
03 NOV
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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