O escritor português Gonçalo M. Tavares recebeu neste domingo o Prêmio Formentor de las Letras 2026. A cerimônia de entrega marcou o retorno da premiação às suas origens no Cabo de Formentor, na ilha espanhola de Maiorca, segundo a Infobae. O galardão, que reconhece a trajetória literária do autor e costuma se alinhar com as escolhas do Nobel, é acompanhado de um valor de 50 mil euros.
Nascido em Angola em 1970, Tavares é o terceiro autor de Portugal mais traduzido no mundo, atrás apenas de Fernando Pessoa e Eça de Queiroz, somando 226 publicações globais. O júri destacou a originalidade e a imaginação do autor na construção de uma narrativa que foge do óbvio ao longo de 25 anos de carreira. De formação multidisciplinar, com estudos em física, esportes e arte, ele também atuou como professor de Teoria da Ciência e Epistemologia na Universidade de Lisboa.
Durante a coletiva de imprensa, o romancista e poeta defendeu que a literatura serve para mostrar a "fisiologia do lobo" e colocar os mais frágeis no centro. "A literatura pode ensinar como uma pequena semente se converte em uma arma violenta", afirmou. Ele definiu o fascismo como uma força que se impõe aos frágeis e apontou a pobreza e o mau domínio da linguagem como inimigos da democracia, por deixarem o cidadão de fora dela.
O autor afirmou ter olhado o mal nos olhos em sua tetralogia de romances O Reino. Já a sua busca por colocar os frágeis no centro, ele diz ter tentado nos romances Jerusalém, que aborda a esquizofrenia, e Una niña está perdida en el siglo XX, sobre uma jovem com síndrome de Down. Seu livro mais recente é O Fim dos Estados Unidos da América, uma sátira distópica escrita antes da pandemia sobre uma segunda guerra civil americana e uma peste causada pelos pobres, que sofrem uma mutação genética.
Tavares também detalhou sua rotina de ofício. Ele reserva as manhãs exclusivamente para escrever, isolado da internet e do celular, e descreve a criação no século XXI como um processo de resistência. O autor criticou a indústria do entretenimento, que chamou de antifilosófica por oferecer paisagens artificiais que fazem esquecer a urgência de viver, e rejeitou o uso de inteligência artificial na criação literária. Para ele, a inteligência artificial é "um invento do diabo para preguiçosos" e uma fábrica de "tetraplégicos intelectuais" que atrofia o pensamento humano.
Dica pro Autor
Proteja o seu tempo de criação das distrações digitais. Como faz o autor premiado, experimente reservar um período do dia para escrever com o celular e a internet desligados, tratando esse momento como o seu "bunker" criativo.
Na Enciclopédia: Distopia →Fonte e apuração
- Fonte original
- Infobae, 02 NOV ↗
- Data do fato
- 01 NOV
- Cobertura no Brasil
- nenhuma matéria em português até 03 nov, 01:06
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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