O escritor francês Philippe Jaenada, vencedor do Prêmio Goncourt deste ano com o romance L'Inconnue du quai de Javel, revelou ter usado inteligência artificial durante a escrita do livro, segundo o the Guardian. Em entrevista à rádio France Inter na última quarta-feira (4), um dia após receber o prêmio, o autor de 62 anos afirmou ter recorrido ao ChatGPT em três momentos do processo criativo.
A primeira intervenção da máquina foi a inclusão de uma frase inteiramente gerada pelo robô, inserida no texto final para "brincar com o leitor". Jaenada contou que só revelou qual era a frase aos jurados do prêmio no dia da cerimônia. As outras duas interações envolveram o uso da ferramenta para pesquisa e a inclusão de um trecho gerado por inteligência artificial com o objetivo de zombar do próprio ChatGPT, que havia dado respostas absurdas sobre um detalhe técnico da trama.
O romance premiado reconstrói o assassinato não resolvido de uma modelo em Paris no ano de 1949. Antes mesmo de vencer, o autor já havia defendido o uso da tecnologia, comparando-a aos efeitos especiais de um diretor de cinema, embora tenha ressaltado que a máquina nunca poderá escrever um livro com alma e memórias. "Não acho que a IA possa ser contida. Não podemos fingir que ela não existe. Você tem que usá-la, mas primeiro tem que reconhecê-la e, acima de tudo, domá-la", disse ele à rádio.
A confissão gerou debate porque a mesma Académie Goncourt havia retirado da disputa, em setembro, o livro C'était ça ou Mourir, do estreante canadense-haitiano Thélyson Orélien. A obra foi desclassificada após um jornalista usar um software de detecção para acusar o autor de gerar boa parte do texto com inteligência artificial. Ao anunciar a retirada, a academia citou também acusações de plágio em livros anteriores de Orélien, segundo a CTV News. O autor nega ter usado IA e admitiu "erros" na questão do plágio. A diferença de tratamento entre os dois casos provocou acusações de duplo padrão racial nas redes sociais, já que Jaenada não sofreu punições.
Dica pro Autor
Se a sua obra usa textos gerados por inteligência artificial, registre e documente o processo criativo para ter como provar a autoria humana da maior parte do trabalho. Antes de inscrever o original, confira as regras de cada prêmio ou edital sobre o limite aceito para o uso dessas ferramentas.
Fonte e apuração
- Fonte original
- the Guardian, 05 NOV ↗
- Data do fato
- 04 NOV
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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