IA e tecnologia ChatGPTFrança

Prêmio Goncourt: vencedor admite ter usado ChatGPT em seu romance

Philippe Jaenada revelou o uso da ferramenta um dia após receber a honraria; em setembro, a academia tinha tirado da disputa outro autor, acusado de usar IA e de plágio.

Philippe Jaenada acena com a mão em uma mesa de autógrafos com seu livro em primeiro plano.
Wikimedia Commons/ActuaLitté (CC BY-SA 2.0)

O escritor francês Philippe Jaenada, vencedor do Prêmio Goncourt deste ano com o romance L'Inconnue du quai de Javel, revelou ter usado inteligência artificial durante a escrita do livro, segundo o the Guardian. Em entrevista à rádio France Inter na última quarta-feira (4), um dia após receber o prêmio, o autor de 62 anos afirmou ter recorrido ao ChatGPT em três momentos do processo criativo.

A primeira intervenção da máquina foi a inclusão de uma frase inteiramente gerada pelo robô, inserida no texto final para "brincar com o leitor". Jaenada contou que só revelou qual era a frase aos jurados do prêmio no dia da cerimônia. As outras duas interações envolveram o uso da ferramenta para pesquisa e a inclusão de um trecho gerado por inteligência artificial com o objetivo de zombar do próprio ChatGPT, que havia dado respostas absurdas sobre um detalhe técnico da trama.

O romance premiado reconstrói o assassinato não resolvido de uma modelo em Paris no ano de 1949. Antes mesmo de vencer, o autor já havia defendido o uso da tecnologia, comparando-a aos efeitos especiais de um diretor de cinema, embora tenha ressaltado que a máquina nunca poderá escrever um livro com alma e memórias. "Não acho que a IA possa ser contida. Não podemos fingir que ela não existe. Você tem que usá-la, mas primeiro tem que reconhecê-la e, acima de tudo, domá-la", disse ele à rádio.

A confissão gerou debate porque a mesma Académie Goncourt havia retirado da disputa, em setembro, o livro C'était ça ou Mourir, do estreante canadense-haitiano Thélyson Orélien. A obra foi desclassificada após um jornalista usar um software de detecção para acusar o autor de gerar boa parte do texto com inteligência artificial. Ao anunciar a retirada, a academia citou também acusações de plágio em livros anteriores de Orélien, segundo a CTV News. O autor nega ter usado IA e admitiu "erros" na questão do plágio. A diferença de tratamento entre os dois casos provocou acusações de duplo padrão racial nas redes sociais, já que Jaenada não sofreu punições.

Dica pro Autor

Se a sua obra usa textos gerados por inteligência artificial, registre e documente o processo criativo para ter como provar a autoria humana da maior parte do trabalho. Antes de inscrever o original, confira as regras de cada prêmio ou edital sobre o limite aceito para o uso dessas ferramentas.

Fonte e apuração

Fonte original
the Guardian, 05 NOV ↗
Data do fato
04 NOV
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
Achou um erro?
Fale com a redação · Política de correções

Leia também

Notas escritas com apoio de IA, conferidas e editadas por pessoas. Toda nota cita e linka a fonte original.