Telas adaptaçãoDiana Reid

Razão e Sensibilidade: roteirista explica o que mudou do livro para o novo filme

Para transformar o clássico de Jane Austen em um filme de duas horas, a roteirista cortou monólogos internos e trouxe o passado dos personagens para a ação.

Retrato gravado de Jane Austen vestindo touca e vestido de época
Wikimedia Commons/From a watercolour by James Andrews of Maidenhead based on an unfinished work by Cassandra Austen. Engraving by William Home Lizars. (Public d

A nova adaptação de Razão e Sensibilidade para os cinemas precisou alterar a estrutura do clássico de Jane Austen para funcionar nas telas, segundo entrevista da roteirista Diana Reid à Variety publicada na segunda-feira (19). O filme, que já está em cartaz, condensa as mais de quatrocentas páginas do romance em pouco mais de duas horas de duração.

Reid, que também é romancista, explicou que a principal dificuldade na transição das páginas para o cinema é o drama interno. No livro, grande parte da tensão entre Elinor e Edward vem das dúvidas silenciosas da protagonista sobre os sentimentos do rapaz. Como isso não rende boas cenas visuais, a roteirista mudou a dinâmica: no filme, fica claro para ambos que eles se amam, e o conflito passa a ser se as circunstâncias permitirão que fiquem juntos.

Outra regra da adaptação foi transformar o passado em ação presente. Na obra original, o Coronel Brandon conta sua longa história de fundo para Elinor. Para evitar que um personagem apenas narre fatos que aconteceram fora da tela — o que perde força no cinema —, a conversa foi movida para Marianne. Assim, a revelação serve para avançar o relacionamento amoroso das duas personagens diante do público. Um duelo citado no livro também foi transformado em uma cena real de ação.

A roteirista também ajustou elementos que soam estranhos para a moralidade contemporânea. A diferença de idade entre o Coronel Brandon, de 35 anos, e Marianne, de 16, foi suavizada na história pregressa do personagem para retirar o que Reid chamou de "qualidade paternal nojenta". Por outro lado, o comportamento do vilão Willoughby foi mantido quase intacto, já que suas atitudes de seduzir e depois ignorar a garota espelham dinâmicas modernas de relacionamento.

O final também sofreu cortes. Em vez de mostrar os casamentos das duas irmãs, como Austen resume no último capítulo, o filme termina focando no contraste entre as duas. Elinor ganha a clássica corrida romântica, enquanto Marianne encontra um amor mais calmo, provando que a espinha dorsal da narrativa sempre foi a relação entre as irmãs Dashwood.

Dica pro Autor

Transforme os monólogos internos e as histórias de passado em conflitos ativos no presente ao escrever pensando em adaptação. O cinema exige que a tensão aconteça diante dos olhos do público, não apenas na cabeça dos personagens.

Na Enciclopédia: Mostrar, não contar →

Fonte e apuração

Fonte original
Variety, 19 OUT ↗
Data do fato
19 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
Achou um erro?
Fale com a redação · Política de correções

Leia também

Notas escritas com apoio de IA, conferidas e editadas por pessoas. Toda nota cita e linka a fonte original.