IA e tecnologia Authors GuildFeira do Livro de Frankfurt

Selo "escrito por um humano" chega a 6.500 livros nos EUA e ganha versões na Europa

Para afastar a suspeita de uso de inteligência artificial, plataformas e associações começam a auditar e certificar obras feitas por pessoas.

1ºem português SEM COBERTURA NO BRASIL ÀS 01:05
Pilha de livros fechados sobre uma superfície clara contra fundo escuro.
Imagem ilustrativa · Foto: dlxmedia.hu/Pexels

O selo "escrito por um humano", lançado pela associação de escritores Authors Guild nos Estados Unidos, já estampa cerca de 6.500 livros, enquanto iniciativas semelhantes começam a surgir na Europa, segundo o Infobae. O impacto da inteligência artificial na criação literária e a criação dessas etiquetas de garantia foram temas de debate na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, nesta semana.

Na França, a plataforma de autopublicação e agência literária Librinova criou um certificado de "criação humana" que já aprovou duzentas obras. Para conseguir a marca, o autor precisa submeter o texto a um programa de detecção de IA e passar por uma entrevista com um auditor sobre o seu processo de escrita. No Reino Unido, a startup Books By People cobra uma taxa de editoras para atestar que o livro é uma "literatura orgânica", permitindo o uso de IA apenas para correção ortográfica e gramatical. Já o modelo americano do Authors Guild funciona por autocertificação do próprio autor.

A corrida para provar a autoria humana ganha força após polêmicas recentes no mercado editorial. Em setembro, uma conta anônima nas redes sociais acusou o escritor haitiano-canadense Thélyson Orélien de usar IA em seu romance de estreia, C’était ça ou mourir. O autor negou a acusação, mas a obra acabou excluída da seleção do prestigioso Prêmio Goncourt da França.

Antes desse caso, a editora Hachette cancelou a publicação do romance de terror Shy Girl, de Mia Ballard, nos Estados Unidos, e retirou os exemplares das lojas no Reino Unido pelo mesmo motivo. A autora negou ter gerado o texto com máquinas, mas afirmou que uma profissional contratada por ela para editar a versão independente do livro havia utilizado as ferramentas.

Apesar da adesão aos selos, parte do mercado duvida da eficácia deles. A maioria dos dispositivos atuais autoriza um uso mínimo de IA para pesquisa ou correção gramatical, mas há quem tema que isso deixe uma margem importante para interpretação. Além disso, Sebastian Guggolz, da Associação de Editores e Livreiros da Alemanha, apontou em Frankfurt que o setor está com dificuldade para definir uma estratégia clara e que sistemas que se limitam a categorizar o grau de uso da IA podem ser insuficientes. Há também o temor de que os controles, ainda em fase inicial, sejam facilmente burlados por quem tenta vender textos gerados por algoritmos como se fossem obras humanas.

Dica pro Autor

Exija no contrato que o profissional não utilize ferramentas de geração de texto antes de contratar revisores ou copidesques freelancers. Isso evita que a sua obra seja classificada como produto de IA sem o seu conhecimento, como aconteceu com o livro *Shy Girl*.

Na Enciclopédia: Copidesque →

Fonte e apuração

Fonte original
Infobae, 18 OUT ↗
Data do fato
17 OUT
Cobertura no Brasil
nenhuma matéria em português até 18 out, 01:05
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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