Grimdark
Grimdark é um rótulo da ficção especulativa para histórias sombrias e violentas, cujo recorte varia de crítico para crítico. Aparece sobretudo na fantasia e vem do jogo de miniaturas Warhammer 40.000, como mostra o guia sobre os subgêneros de fantasia.
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O que as pessoas chamam de grimdark?
Não há definição única, e cada crítico recorta uma coisa. Adam Roberts, escritor e crítico, descreveu em 2014 a ficção em que "nobody is honourable and Might is Right". Jared Shurin, editor do site Pornokitsch, apontou em 2015 três componentes: tom sombrio, sensação de realismo (reis inúteis, heróis falhos) e agência dos protagonistas, já que na alta fantasia tudo é predestinado e no grimdark o desfecho depende das escolhas deles. Para Roberts, é uma abordagem "anti-Tolkien", que reage ao idealismo de Tolkien embora lhe deva muito. Helen Young, pesquisadora de medievalismo, equipara o grimdark à "gritty fantasy", com a série de Martin de exemplo.
Na fantasia literária, o rótulo aparece associado a autores como Glen Cook, George R. R. Martin, Joe Abercrombie, Richard K. Morgan, Mark Lawrence, Michael R. Fletcher e Anna Smith Spark.
A "grit" que Joe Abercrombie, autor da trilogia A Primeira Lei, descreveu em 2013 no próprio blog é a sujeira física e moral, a atenção ao detalhe desagradável, o cinza dos personagens e o cinismo da visão.
Por que o termo é contestado?
A crítica Liz Bourke, em resenha de 2015 no Strange Horizons, vê a marca do grimdark num recuo para a valorização da escuridão pela escuridão, numa espécie de niilismo que mostra a ação certa como impossível ou inútil, o que absolve os protagonistas. Na reportagem da NPR de 2015, Genevieve Valentine registrou que alguns autores adotaram o termo e outros o veem como rótulo depreciativo para a fantasia que desmonta tropos, "a stamp unfairly applied".
Mark Lawrence, autor de Prince of Thorns, notou em 2013 que muitos artigos descreviam as propriedades terríveis do grimdark sem nomear nenhum livro com elas. Depois do termo vieram os contrapontos: a escritora Alexandra Rowland propôs em 2017 o "hopepunk" como o oposto do grimdark, e o "noblebright" parte da ideia de que há lutas boas e vencíveis.
O que muda para quem escreve?
Três pontos atribuídos: para Shurin, o que separa o grimdark da alta fantasia é que o desfecho depende das escolhas dos protagonistas. Para Bourke, o risco do rótulo é o niilismo que absolve os personagens. E Abercrombie escreveu que a grit perde força quanto mais há dela e que cada escritor tem de achar o seu jeito de ser verdadeiro. A fantasia sombria, que a Encyclopedia of Fantasy define como horror dentro da fantasia ou inversão do final feliz, é vizinha do grimdark, não sinônimo.
Como o grimdark chegou ao Brasil?
O poder da espada, primeiro volume da trilogia A Primeira Lei, de Joe Abercrombie, saiu em julho de 2013 pela Arqueiro. O editor Raphael Draccon trouxe As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, para a Leya, e a obra passou depois para a Suma, selo do grupo Companhia das Letras. O rótulo chegou ao país pela tradução.
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O guia completoSubgêneros de fantasia: da alta fantasia ao isekai, quem deu cada nome e o que cada um pede — A Encyclopedia of Fantasy separa a alta e a baixa fantasia, a espada e feitiçaria, a fantasia sombria, a fantasia urbana e o portal fantasy; os códigos de mercado acrescentam a fantasia histórica, a cozy fantasy e o xianxia; e de fora da crítica vieram o grimdTermos vizinhos
Lidas no texto integral
- Mark Lawrence, "What is Grimdark?", 19/05/2013 · http://web.archive.org/web/20260124030340/http://mark---lawrence.blogspot.com/2013/05/what-is-grimdark.html
- Joe Abercrombie, "The Value of Grit", joeabercrombie.com, 25/02/2013 · http://web.archive.org/web/20190403130026/http://www.joeabercrombie.com/2013/02/25/the-value-of-grit/
Lidas em resumo ou pela referência
- Editora Arqueiro, ficha de O poder da espada (A Primeira Lei, v. 1), jul. 2013 · https://www.editoraarqueiro.com.br
- Blog da Companhia das Letras, "George R. R. Martin na Suma, selo do grupo Companhia das Letras, é a nova casa do autor no Brasil" · https://www.companhiadasletras.com.br/blogDaCompanhia/Post/4471/george-r-r-martin-na-suma-selo-do-grupo-companhia-das-letras-e-a-nova-casa-do-autor-no-brasil
- Raphael Draccon (editor de Martin na Leya), Wikipédia · https://pt.wikipedia.org/wiki/Raphael_Draccon
- Adam Roberts, Get Started in: Writing Science Fiction and Fantasy, 2014, p. 42 · ISBN 9781444795660
- Jared Shurin, "New Releases: The Goblin Emperor", Pornokitsch, 28/01/2015 · http://www.pornokitsch.com/2015/01/new-releases-the-goblin-emperor-by-katherine-addison.html
- Liz Bourke, resenha de The Dark Defiles, Strange Horizons, 17/04/2015 · http://strangehorizons.com/non-fiction/reviews/the-dark-defiles-by-richard-morgan/
- Genevieve Valentine, "For A Taste Of Grimdark, Visit The 'Land Fit For Heroes'", NPR, 25/01/2015 · https://www.npr.org/2015/01/25/378611261/for-a-taste-of-grimdark-visit-the-land-fit-for-heroes
- Helen Young, Fantasy and Science Fiction Medievalisms, Cambria, 2015, p. 5 · ISBN 9781604978964
- Aja Romano, Vox, 27/12/2018 · https://www.vox.com/2018/12/27/18137571/what-is-hopepunk-noblebright-grimdark
VERSE MEDIA. Grimdark. Enciclopédia Verse, 30 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/fantasia/grimdark. Acesso em: [data].
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