Verse Enciclopédia

New weird

New weird é um rótulo para histórias que misturam livremente ficção científica, fantasia sombria e horror, com cenário urbano, complexo e sujo e gosto pelo grotesco como traços característicos, mas não necessariamente definidores. A Encyclopedia of Science Fiction atribui o termo, aparentemente, ao escritor Harrison, em 2002. O uso é contestado até por escritores associados a ele. A fantasia sombria, um dos ingredientes que a enciclopédia cita, é comparada com os outros subgêneros no guia sobre os subgêneros de fantasia, da página sobre fantasia.

Nesta página
  1. De onde vem o termo new weird?
  2. O que o new weird tem de weird e o que tem de new?
  3. Como os VanderMeer e Miéville definiram o new weird?
  4. Quais obras marcam o new weird?
  5. Qual a diferença entre new weird, slipstream e interstitial?
  6. O termo new weird ainda vale?
  7. O que o new weird pede de quem escreve?
  8. Como o new weird chegou ao Brasil?

De onde vem o termo new weird?

Para a Encyclopedia of Science Fiction, o escritor M. John Harrison usou a expressão na introdução que escreveu para The Tain (2002), do escritor China Miéville, intitulada "China Miéville and the New Weird". O próprio Miéville a retomou num editorial para a revista The Third Alternative (verão de 2003). Em 2003, Harrison abriu num fórum de mensagens uma discussão que perguntava o que era o new weird e se era alguma coisa. O debate reuniu mais de cinquenta escritores, resenhistas e críticos, e no fim não estava claro se o termo existia; em 2005, porém, ele já circulava com regularidade entre leitores, escritores e críticos.

O que o new weird tem de weird e o que tem de new?

Jeff VanderMeer e Ann VanderMeer, organizadores da antologia The New Weird (2008), chamam de weird fiction a ficção de revistas como Weird Tales e de autores como H. P. Lovecraft e Clark Ashton Smith, em que "weird" nomeia o elemento de desconforto, às vezes sobrenatural ou fantástico.

O "novo" vem, na explicação deles, de dois estímulos: a Nova Onda da ficção científica dos anos 1960, com os escritores M. John Harrison, Michael Moorcock e J. G. Ballard, que misturava gêneros e fazia experimento formal; e o grotesco da ficção de Clive Barker nos anos 1980, escritor em cujos melhores contos, em muitos casos, o ponto de partida é aceitar o monstro ou a transformação, e a história é o que vem depois.

Como os VanderMeer e Miéville definiram o new weird?

A introdução dos VanderMeer abre a definição dizendo que o new weird é um tipo de ficção urbana de mundo secundário que subverte as ideias romantizadas de lugar da fantasia tradicional, em grande parte ao partir de modelos realistas e complexos do mundo real para criar cenários que podem combinar elementos de ficção científica e de fantasia. A enciclopédia observa que isso pode significar pouco mais que "stories we like".

Miéville via o new weird como ficção "post-Seattle", ligada aos efeitos da globalização e aos esforços de base para minar instituições como o Banco Mundial, leitura que Jeff VanderMeer diz ter estreitado o termo; mais tarde Miéville passou a rejeitá-lo, por vê-lo como categoria de marketing.

Quais obras marcam o new weird?

Para os VanderMeer, Perdido Street Station (2000), de Miéville, pode ser considerada a primeira versão comercialmente aceitável do new weird, com o que chamam de surrender to the weird, a entrega do autor à matéria sem distância irônica, e tramas rústicas, mas eficazes, com personagens sinceros e proativos. A Encyclopedia of Science Fiction cita Miéville, sobretudo pela série de Nova Crobuzon, e Jeff VanderMeer, pelas histórias de Ambergris, entre os nomes de destaque do suposto subgênero. Jeff VanderMeer lembra ainda que The Etched City, da escritora K. J. Bishop, e A Year in the Linear City, do escritor Paul Di Filippo, saíram entre 2001 e 2003.

Qual a diferença entre new weird, slipstream e interstitial?

Segundo os VanderMeer, o new weird é mais concreto que slipstream e interstitial, rótulos que não têm linhagem própria. Eles apontam duas diferenças: o slipstream e o interstitial raramente citam influência do horror, com seu grotesco centrado na transformação, na decadência ou na mutilação do corpo humano; e usam técnicas pós-modernas que expõem a artificialidade do texto, o que não faz parte da estética do new weird. A enciclopédia acrescenta que o new weird mistura ficção científica, fantasia sombria e horror sem o desdém pelo gênero que às vezes parece vir dos autores de slipstream.

O termo new weird ainda vale?

Jeff VanderMeer conta que reagiu com violência à ideia em 2003 e que, em retrospecto, a rejeição lhe parece prematura, porque no fórum o termo era só um gancho para explorar um conjunto de textos. Ele diz também que o rótulo virou atalho de mercado: um editor de uma grande casa norte-americana lhe disse que "new weird" era um "useful shorthand" para justificar a compra de um romance e para falar com livreiros. Leitores usam o mesmo atalho, segundo ele, de modo que escritores como Kelly Link, Justina Robson e Charles Stross já foram identificados como new weird.

O que o new weird pede de quem escreve?

Pela definição dos VanderMeer, o texto precisa do surrender to the weird, uma entrega que não se fecha numa casa mal-assombrada nas charnecas, e que pode usar técnicas pós-modernas desde que elas não minem a realidade da superfície do texto. Eles dizem que técnicas que desfazem essa superfície ou apontam a artificialidade do texto pertencem ao slipstream e ao interstitial, não ao new weird.

Como o new weird chegou ao Brasil?

A Boitempo publica China Miéville no país: A cidade & a cidade abriu a lista, e Estação Perdido, tradução de Perdido Street Station, chegou às livrarias em julho de 2016. Jeff VanderMeer saiu pela Intrínseca, que lançou Aniquilação, primeiro volume da trilogia Comando Sul, em 2014, com tradução de Braulio Tavares.

Continue por aqui

O guia completoSubgêneros de fantasia: da alta fantasia ao isekai, quem deu cada nome e o que cada um pede — A Encyclopedia of Fantasy separa a alta e a baixa fantasia, a espada e feitiçaria, a fantasia sombria, a fantasia urbana e o portal fantasy; os códigos de mercado acrescentam a fantasia histórica, a cozy fantasy e o xianxia; e de fora da crítica vieram o grimd

Termos vizinhos

Como esta página foi feita
Autoria: Verse MediaRevisado em 30 out. 2026Passos conferidos em 30 out. 2026Publicado em 30 out. 20265 fontes · 5 no integral
Cite esta página
VERSE MEDIA. New weird. Enciclopédia Verse, 30 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/fantasia/new-weird. Acesso em: [data].

Achou um erro ou um número vencido? Escreva para enciclopedia@versemedia.com.br com o endereço desta página.

Enciclopédia Verse · Fantasia Voltar ao topo