O relato autobiográfico do navegador Amyr Klink chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (29) com o título 100 Dias, segundo o Pipoca Moderna. Dirigido por Carlos Saldanha, o longa recria a travessia solitária pelo Atlântico Sul, realizada em 1984 num pequeno barco a remo ao longo de uma jornada de quase sete mil quilômetros entre a Namíbia, na África, e o litoral da Bahia.
A adaptação audiovisual da história foi um esforço de mais de trinta anos encabeçado por Marina Klink, esposa do navegador. Uma sucessão de acontecimentos fez com que o projeto só avançasse agora, sob o comando de Saldanha. O cineasta, conhecido por sucessos internacionais de animação como Rio e A Era do Gelo, trocou os personagens digitais por uma história real de resistência física e psicológica. Para assumir o papel principal, o ator Filipe Bragança enfrentou uma preparação física intensa, que incluiu passar uma noite inteira na réplica do barco ancorada em uma piscina da Universidade de São Paulo (USP) para vivenciar as limitações do espaço.
Durante o processo de produção, o autor deu total liberdade poética para a direção, mas brincou que Saldanha optou por uma "prisão poética", atendo-se aos fatos e garimpando detalhes minúsculos. O navegador esteve presente nos sets de gravação, compartilhou os bastidores da travessia com o elenco e até fez uma aparição especial no filme como o Comandante Ayres. A narrativa do longa alterna os meses de isolamento no oceano com lembranças da infância, conflitos familiares e as escolhas que levaram o explorador a buscar uma experiência tão arriscada.
Ao avaliar o resultado, o autor defendeu que o livro é um instrumento poderoso para produzir imagens na cabeça de cada leitor, mas admitiu que o filme foi muito feliz em materializar os cem dias no mar. Ele opinou que, apesar de gostar de escrever de maneira concisa e impactante, não conseguiu transmitir tanta emoção nas palavras quanto a adaptação transmite na telona. Cenas específicas, como a mensagem escrita pelo irmão no teto do barco e o encontro com um navio a três dias do fim da viagem, foram citadas como capítulos emocionantes da obra original que ganharam força no cinema.
Dica pro Autor
Ao licenciar sua história para o audiovisual, considere dar liberdade criativa ao diretor e à equipe. O cinema tem ferramentas próprias para traduzir o texto, e o resultado na tela pode amplificar emoções que o livro sugeria de forma mais contida.
Na Enciclopédia: Direitos de Adaptação (Cinema e TV) →Fonte e apuração
- Fonte original
- Correio Braziliense, 01 NOV ↗
- Também em
- correiobraziliense.com.br ↗
- Data do fato
- 29 OUT
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
- Achou um erro?
- Fale com a redação · Política de correções