Pelo menos três das cinco maiores editoras de livros dos Estados Unidos estão incorporando ferramentas de inteligência artificial em suas rotinas sem aviso público ou consentimento dos autores, segundo reportagem publicada pela WIRED em 9 de outubro. HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette compraram licenças de modelos como Claude e ChatGPT, e o uso dessas ferramentas ocorre frequentemente sob a direção de seus executivos.
O uso vai desde a criação de textos para quartas capas e materiais de marketing até o design de artes e a redação de e-mails. Agentes literários relataram à revista que já identificam o padrão de escrita da IA em cartas de recusa enviadas por editores. Em resposta, agências começaram a incluir cláusulas nos contratos para proibir que os manuscritos inéditos de seus clientes sejam inseridos em qualquer modelo de linguagem (LLM), temendo o treinamento não autorizado das plataformas.
A adoção da IA acontece em um cenário de equipes reduzidas por demissões, que relatam estar fazendo o dobro ou o triplo do trabalho de antes. O salário inicial médio para funcionários do mercado editorial na cidade de Nova York nas Big Five e na Scholastic era de 47.583 dólares em 2023. Na HarperCollins, funcionários de níveis júnior e sênior foram convocados para atuar como "campeões de IA" em sessões de brainstorming mensais para descobrir casos de uso. Queixas sobre o impacto ético e ambiental foram minimizadas pela liderança como "o custo de fazer negócios". Na Simon & Schuster, a direção chegou a oferecer prêmios de até 10 mil dólares para quem sugerisse os melhores usos para a tecnologia.
A tensão escalou no início de outubro, quando circulou a notícia de que a Simon & Schuster estaria testando um software de monitoramento e automação chamado Skan AI. Os funcionários organizaram uma carta aberta ao CEO, Greg Greeley, exigindo que a ferramenta não fosse implementada. Em 6 de outubro, Greeley enviou um memorando interno afirmando que nenhuma decisão havia sido tomada, embora um detector de IA tenha apontado que partes do próprio texto do executivo foram geradas por máquina.
Oficialmente, a Hachette declarou que apoia a IA para fins operacionais, mas não para usos criativos ou comunicação com autores. A Simon & Schuster afirmou que o acesso às ferramentas é limitado, não obrigatório e focado em liberar tempo para o trabalho criativo. A HarperCollins não comentou. Além do trabalho editorial, a tecnologia já avança sobre a compra de direitos estrangeiros: manuscritos traduzidos por IA, com os devidos avisos, começaram a circular nas feiras de Frankfurt e Londres, indicando que o mercado busca formas de cortar custos antes que a revolta interna se torne insustentável.
Dica pro Autor
Exija uma cláusula que proíba colocar o seu manuscrito em qualquer modelo de inteligência artificial antes de assinar um contrato de edição ou agenciamento, como os agentes americanos já fazem.
Na Enciclopédia: Agente literário →Fonte e apuração
- Fonte original
- WIRED, 09 OUT ↗
- Data do fato
- 06 OUT
- Cobertura no Brasil
- nenhuma matéria em português até 10 out, 13:16
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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