O perfil de quem produz conteúdo sobre livros na internet brasileira foi mapeado por uma pesquisa inédita, cujos primeiros resultados foram divulgados pelo PublishNews na terça-feira, 3 de novembro. O levantamento aponta que a maioria desses influenciadores é formada por mulheres brancas, moradoras da região Sudeste, e que o Instagram desponta como a plataforma preferida para falar de literatura, superando outras redes em crescimento.
Conduzido pelos pesquisadores Gabriel Mattos, da Universidade de São Paulo (USP), e Bruna Paiva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo tem o apoio da Estante Virtual, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). A pesquisa investiga os hábitos de consumo, a rotina de produção, as formas de monetização e os desafios de quem fala sobre livros no TikTok, no Instagram, no YouTube, além de podcasts, newsletters e clubes de leitura. Os dados combinam respostas coletadas via formulários com a análise de mais de 100 mil vídeos, feita pela plataforma Publitik.
A ideia do mapeamento nasceu durante o mestrado de Gabriel Mattos, que identificou dificuldades comuns ao conversar com diversos criadores. Entre os achados que chamaram a atenção dos pesquisadores está a forte presença de novos influenciadores: uma quantidade expressiva de pessoas entrou nesse mercado há dois anos ou menos. Para Bruna Paiva, isso mostra que o mercado parece atrativo para o público. Além disso, a pesquisadora aponta que a maior concentração de produtores está na faixa dos 25 aos 35 anos, dado que sugere um amadurecimento da atividade, cada vez mais encarada como uma possibilidade real de carreira profissional, e não apenas como um passatempo.
A pesquisa também mostra a desigualdade regional e racial na divulgação literária. Mais da metade dos participantes vive em São Paulo (38%) ou no Rio de Janeiro (16,2%), e 73% das pessoas que produzem conteúdo se declaram brancas. Segundo a pesquisadora, esses números levantam uma discussão sobre oportunidades, condições de permanência no mercado e a visibilidade de quem atua fora dos principais centros editoriais do país.
Outra surpresa do levantamento foi a preferência literária dos influenciadores. Apesar das críticas frequentes sobre a influência exagerada de obras estrangeiras nas redes sociais, a escritora brasileira Clarice Lispector (1920-1977) apareceu entre as autoras favoritas dos criadores de conteúdo. Os resultados completos do estudo serão apresentados em um evento na Galeria Magalu, em São Paulo, no dia 5 de novembro, seguido de um debate sobre as relações entre editoras e influenciadores.
Dica pro Autor
Busque parcerias com influenciadores fora do eixo Rio-São Paulo na hora de divulgar sua obra, para alcançar novos públicos e diversificar as vozes que falam sobre o seu livro.
Na Enciclopédia: BookTok, Bookstagram e BookTube: como funcionam e como o autor entra →Fonte e apuração
- Fonte original
- PublishNews, 03 NOV ↗
- Data do fato
- 03 NOV
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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