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Philippe Jaenada vence o Prêmio Goncourt 2026 com romance sobre crime real

O maior prêmio da literatura francesa foi marcado pela desclassificação de um finalista por suspeita de uso de inteligência artificial.

Philippe Jaenada em evento literário
Wikimedia Commons/Ji-Elle (CC BY-SA 3.0)

O escritor e jornalista francês Philippe Jaenada venceu o Prêmio Goncourt 2026 com o romance L'inconnue du quai de Javel, segundo anunciou a organização nesta terça-feira (3), conforme a Infobae. A obra, publicada pelo selo Flammarion e inédita no Brasil, mistura investigação e narrativa histórica para reabrir o caso real do assassinato da modelo Louise Cansot, ocorrido em Paris e arquivado sem solução. Jaenada venceu a disputa final com seis votos, superando Sylvain Prudhomme, que recebeu três votos por De l'autre côté du lac.

A história resgata a memória de Cansot, uma jovem bretã de 29 anos que era uma das modelos mais requisitadas pelos pintores do bairro de Montparnasse. Em setembro de 1949, ela foi encontrada morta às margens do rio Sena, vestida às pressas e sem bolsa ou sapatos. Na época, a polícia chegou a investigar quatro suspeitos, mas o inspetor-chefe encerrou o caso após seis meses por falta de provas. Para o presidente do Goncourt, Philippe Claudel, o livro "torna visível uma mulher que foi invisibilizada, uma jovem vítima com a qual a polícia não se preocupou muito".

Para escrever o romance, Jaenada mergulhou nos arquivos policiais, exumou documentos e visitou os locais por onde a vítima passou. Como preparação, o autor de 62 anos leu as 75 investigações do comissário Maigret, célebre detetive criado por Georges Simenon, e aplicou os métodos do personagem à sua própria pesquisa. O Goncourt é a distinção literária mais importante da França e, embora entregue um valor simbólico de dez euros ao vencedor, garante um impacto colossal nas vendas.

A edição de 2026, no entanto, ficou marcada por uma controvérsia tecnológica que sacudiu o meio literário francês. Em setembro, a Academia retirou o romance C'était ça ou mourir, do autor canadense-haitiano Thélyson Orélien, da lista inicial de finalistas. A exclusão ocorreu após acusações de plágio e suspeitas de que a obra teria sido escrita com o uso abundante de inteligência artificial. A organização justificou a medida como necessária para "preservar a integridade do prêmio".

Orélien negou ter usado a ferramenta para escrever o livro, mas reconheceu plágios cometidos no passado e admitiu o uso de IA para pesquisas e traduções. A editora canadense Boréal confirmou que ferramentas de inteligência artificial foram empregadas no processo de escrita e rompeu o contrato com o autor. Como reflexo do episódio, o Goncourt planeja alterar seu regulamento para especificar que apenas obras escritas por seres humanos podem concorrer, enquanto editoras francesas, como a Gallimard, passaram a submeter manuscritos a detectores de IA antes da publicação.

Dica pro Autor

Verifique se o regulamento proíbe o uso de inteligência artificial em qualquer etapa do processo antes de assinar um contrato ou inscrever seu original em prêmios. Se você usa IA para pesquisa, tradução ou revisão, declare a ferramenta à editora para evitar acusações de fraude e quebras de contrato.

Fonte e apuração

Fonte original
Infobae, 03 NOV ↗
Também em
publishnews.com.br ↗
Também em
quatrocincoum.com.br ↗
Data do fato
03 NOV
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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