As editoras britânicas Pan Macmillan e Hodder & Stoughton confirmaram que retiraram de venda os livros de Russell Brand após a condenação do comediante e autor por estupro e agressão sexual na quinta-feira (5), segundo o jornal The Guardian. A rede de livrarias Waterstones também removeu os títulos do seu site e informou que devolverá às editoras os poucos exemplares restantes nas lojas.
Na Pan Macmillan, a medida atinge Recovery: Freedom from Our Addictions (2017) e Mentors: How to Help and Be Helped (2019), que já não tinham estoque físico por falta de demanda, enquanto a Hodder & Stoughton recolheu o livro de memórias My Booky Wook, líder de vendas no Natal britânico de 2007. A continuação Booky Wook 2: This Time It’s Personal (2010) sumiu do site da HarperCollins, e duas obras de 2014 — o livro infantil The Pied Piper of Hamelin, que saiu pela Canongate, e o manifesto político Revolution, publicado pela Century, selo da Penguin Random House — já estavam fora de catálogo. O livro mais recente de Brand, How to Become a Christian in Seven Days, lançado em maio de 2026 pelo selo de Tucker Carlson na editora norte-americana Skyhorse, segue disponível.
O tribunal de Southwark condenou Brand, de 51 anos, por uma acusação de estupro e três de agressão sexual contra quatro mulheres, relativas a casos ocorridos entre 1999 e 2009, e o absolveu de outras três acusações. Durante o julgamento, a promotoria leu ao júri trechos do próprio My Booky Wook para confrontar o autor sobre suas atitudes em relação às mulheres.
O rompimento com o mercado editorial começou em 2023, quando surgiram as primeiras denúncias. Na época, a agência literária Tavistock Wood, da Curtis Brown, dispensou Brand como cliente, e a Pan Macmillan rescindiu um contrato de 575 mil libras assinado em 2021 para dois livros de autoajuda nunca entregues. A editora já havia pago 217 mil libras de adiantamento — sendo que um ghostwriter recebeu 3 mil libras por um rascunho parcial escrito sem a participação do autor — e processou Brand em 220 mil libras em 2025, em disputa encerrada por acordo neste ano.
Dica pro Autor
Antes de assinar com uma editora, confira na cláusula de rescisão e de conduta quais situações permitem suspender a venda do livro e exigir a devolução do adiantamento recebido. Se você publicar memórias ou autoficção, lembre-se também de que trechos em primeira pessoa podem ser lidos fora do mercado literário, inclusive em processos judiciais.
Na Enciclopédia: Ghostwriter: o que faz, quanto cobra e como contratar →Fonte e apuração
- Fonte original
- The Guardian, 06 NOV ↗
- Data do fato
- 06 NOV
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
- Achou um erro?
- Fale com a redação · Política de correções