Cyberpunk
Cyberpunk é o subgênero da ficção científica que, para a Encyclopedia of Science Fiction (SFE), junta a cibernética de "cyber" à atitude jovem e alienada do "punk". O termo vem de um conto, e filmes como Blade Runner (1982) e animes como Akira também são tratados como parte do gênero. O guia sobre os tipos de ficção científica situa o cyberpunk entre os outros subgêneros.
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De onde vem a palavra cyberpunk?
O escritor Bruce Bethke escreveu o conto "Cyberpunk" na primavera de 1980 e o publicou na revista Amazing em novembro de 1983; a SFE diz que ele quase certamente cunhou a palavra. Num prefácio de 1997 ao conto, Bethke conta que o título estava lá desde o primeiro rascunho. O método foi juntar raízes como "cyber" e "techno" a palavras para a juventude socialmente desencaminhada e testar combinações até uma soar certo.
Da página do conto para o uso do mercado, o caminho passou por Gardner Dozois, editor da revista Isaac Asimov's Science Fiction Magazine, que adotou o nome e o difundiu nos editoriais. No Washington Post de 30 de dezembro de 1984, Dozois escreveu que a coisa mais próxima de uma escola estética entre os autores da década eram os fornecedores de material bizarro, de arestas duras e alta tecnologia, que às vezes haviam sido chamados de cyberpunks. Para a SFE, só depois de Neuromancer (1984) o termo entrou em uso geral, e foi esse livro que moldou de vez o sentido do subgênero.
O que querem dizer "cyber" e "punk"?
Para a SFE, "cyber" vem de cibernética: blocos industriais e políticos globais controlados por redes de informação, corpo aumentado por máquina, drogas e engenharia biológica, realidade virtual. "Punk" vem do rock dos anos 1970: jovem, de rua, agressivo, alienado, ofensivo ao Establishment. Sterling resumiu a soma na fórmula "lowlife and high tech" (submundo e alta tecnologia), no prefácio de Burning Chrome, do escritor William Gibson, em 1987.
Houve outros nomes para o movimento?
Sim. No prefácio da antologia Mirrorshades (1986), o escritor Bruce Sterling lista os rótulos que o grupo recebeu, entre eles Radical Hard SF, Outlaw Technologists, Eighties Wave, Neuromantics e Mirrorshades Group, e conta que um pegou: cyberpunk. Ele escreve também que quase nenhum escritor fica feliz com rótulos e que o escritor cyberpunk típico não existe, é só uma ficção platônica.
O cyberpunk é só tecnologia no futuro?
Não: para a SFE, a tecnologia vem junto com a atitude punk descrita acima. Os enredos costumam opor inteligências artificiais, hackers e megacorporações numa Terra de futuro próximo, e não em cenários galácticos. Boa parte da atmosfera ecoa o filme noir, e as obras do gênero costumam usar técnicas da ficção policial. O Japão é tema recorrente na literatura cyberpunk dos anos 1980; Gibson afirmou na revista Time em 2001: "Modern Japan simply was cyberpunk".
A crítica foi além do cenário. A SFE registra que o cyberpunk é visto como variedade de ficção pós-moderna, ponto que dá título à antologia Storming the Reality Studio, organizada pelo crítico Larry McCaffery. O crítico Fredric Jameson o chamou de suprema expressão literária, se não do pós-modernismo, do próprio capitalismo tardio, em Postmodernism (1991).
O termo existe em português?
Existe uma variante local, o tupinipunk, nome dado pelo pesquisador Roberto de Sousa Causo; os traços e as obras dele estão no guia sobre os tipos de ficção científica. Para Causo, o tupinipunk realizou as propostas do manifesto de Ivan Carlos Regina (1988), que está no guia sobre como escrever ficção científica.
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O guia completoTipos de ficção científica: distopia, cyberpunk, space opera e os outros subgêneros — Entre os tipos de ficção científica que a Encyclopedia of Science Fiction trata em verbetes próprios estão a distopia, o cyberpunk, a space opera, o steampunk, o solarpunk, a história alternativa, a viagem no tempo, a ficção pós-apocalíptica e a ficção científLidas no texto integral
- Bruce Sterling, "Preface", Mirrorshades: The Cyberpunk Anthology, Arbor House, 1986. http://project.cyberpunk.ru/idb/mirrorshades_preface.html
- Bruce Bethke, "Foreword (written in 1997)", em "Cyberpunk", infinity plus. http://www.infinityplus.co.uk/stories/cpunk.htm
- "Cyberpunk", The Encyclopedia of Science Fiction, atualizado em 07/04/2025. https://sf-encyclopedia.com/entry/cyberpunk
- André Rodrigues de Carvalho e Bernardo Bueno, "Piritas Siderais: tupinipunks na aldeia global", Zanzalá, v. 8, n. 1, 2021. https://periodicos.ufjf.br/index.php/zanzala/article/download/36207/24283/155976
Lidas em resumo ou pela referência
- "Brazil", The Encyclopedia of Science Fiction (trechos). https://sf-encyclopedia.com/entry/brazil
- Gardner Dozois, "Science Fiction in the Eighties", The Washington Post, 30/12/1984. https://www.washingtonpost.com/archive/entertainment/books/1984/12/30/science-fiction-in-the-eighties/526c3a06-f123-4668-9127-33e33f57e313/
- Bruce Sterling, prefácio a Burning Chrome, de William Gibson, Ace, 1987, p. xii.
- Fredric Jameson, Postmodernism, or, the Cultural Logic of Late Capitalism, 1991, p. 419.
- Roberto de Sousa Causo, Ondas nas praias de um mundo sombrio: New Wave e cyberpunk no Brasil, tese, FFLCH-USP, 2013, via Carvalho e Bueno (2021).
- Cruz, Postmodern Metanarratives, 2014; Graham, The Cybercities Reader, 2004, p. 389; Gillis, The Matrix Trilogy: Cyberpunk Reloaded, 2005, p. 75; Hague, Teleparody, 2002, p. 68; Chaudhuri, Contemporary World Cinema, 2005, p. 104.
- William Gibson, "The Future Perfect", Time, 30/04/2001. http://content.time.com/time/magazine/article/0,9171,1956774,00.html
VERSE MEDIA. Cyberpunk. Enciclopédia Verse, 26 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/sci-fi/cyberpunk. Acesso em: [data].
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