Como escrever ficção científica: hard, soft e o que muda
Os mestres do gênero ensinam a escrever ficção científica a partir de uma novidade que muda o mundo, o novum do teórico Darko Suvin, seguindo as consequências dela nas pessoas e revelando esse mundo por implicação, sem despejar explicação. Para o contista Ted Chiang, ciência é um método, não uma coleção de fatos, e o romancista Orson Scott Card mostra que hard e soft falham pelo que deixam de fora: o hard, pelas pessoas; o soft, pela ciência.
Este guia foi feito com base nos ensinamentos de especialistas, mestres e autores consagrados da ficção científica, como Darko Suvin, Isaac Asimov, Robert A. Heinlein, Orson Scott Card, Octavia E. Butler, Ted Chiang e Andy Weir; no Brasil, Bráulio Tavares, Roberto de Sousa Causo e Ana Rüsche.
Você tem uma ideia que parece ficção científica, uma máquina, um planeta, um futuro, e travou na primeira página. Ou escreveu três parágrafos explicando como a coisa funciona e a história ainda não começou. Agora olha o texto sem saber se o problema é ciência de menos, ciência demais ou gente de menos.
- A novidade da história escrita em uma frase, com as consequências dela
- o ponto da escala hard–soft escolhido, com o que ele cobra de pesquisa e de personagem
- as regras do mundo que o leitor precisa conhecer
- e o mapa de onde publicar ficção científica no Brasil e fora.
Tem uma ideia de futuro, de máquina ou de planeta e não sabe se precisa entender de física para escrevê-la; as explicações viram parágrafos de manual; e o que sai parece filme americano mal dublado.
Nesta página
- Como saber se a sua história é ficção científica?
- De onde vem a ideia de uma história de ficção científica?
- Hard ou soft: quanta ciência a ficção científica precisa?
- Como explicar a ciência sem despejar informação na história?
- Ideia ou personagem: o que manda numa história de ficção científica?
- Como construir o mundo de uma história de ficção científica?
- Quais clichês da ficção científica evitar?
- Como escrever ficção científica brasileira?
- Onde publicar ficção científica no Brasil e fora?
- Perguntas frequentes
- O que fazer com isso
Como saber se a sua história é ficção científica?
Para Darko Suvin, uma história é ficção científica quando cria um mundo diferente do nosso em torno de uma novidade e o torna compreensível pela observação e pela teoria científicas.
Suvin, teórico croata, chamou essa novidade de novum em Metamorphoses of Science Fiction (1979); nas palavras da Encyclopedia of Science Fiction (SFE), a obra de referência do gênero, é "an intrusive novelty so strange, and at first inexplicable" (uma novidade intrusa tão estranha e, de início, inexplicável) que merece categoria própria. Robert A. Heinlein, um dos autores que moldaram a Era de Ouro da ficção científica americana e o primeiro Grand Master da associação de escritores do gênero (SFWA), chamou em 1947 de ficção especulativa a ficção que extrapola da ciência e da tecnologia conhecidas para produzir "a new framework for human action" (uma nova moldura para a ação humana).
A SFE dá exemplos de novum: em The Day of the Triffids (John Wyndham, 1951) há dois que se reforçam, a cegueira quase universal e as plantas letais que andam; em Solaris (Stanisław Lem, 1961), um mundo com uma mente que a ciência não consegue compreender. A mesma enciclopédia registra a tensão dentro do conceito: no sentido estrito, o novum é um desafio a tudo o que o leitor tem por certo; para muitos escritores, é só um "Big Dumb Object", uma nave do tamanho de um mundo que serve de palco para a aventura.
Card, que ganhou o Hugo e o Nebula com Ender's Game (1985) e com a continuação, oferece uma régua mais curta. Em How to Write Science Fiction and Fantasy (1990), ele diz que a divisão entre ficção científica e fantasia importa justamente na hora de escrever, e dá uma regra prática que chama de semiexata: se o universo da história segue as mesmas regras que o nosso, é ficção científica; se não segue, é fantasia. Ficção científica, para ele, é sobre o que poderia ser e não é. A definição completa do gênero, com as suas disputas, está em ficção científica.
Ted Chiang, autor de contos como "Seventy-Two Letters" e "Omphalos", desloca a pergunta do assunto para o olhar. Numa entrevista de 2016 à Vol. 1 Brooklyn, ele disse que ciência é, antes de tudo, um modo de entender o universo, e que o que faz uma história ser ficção científica é o modo como as personagens entendem o mundo, mais do que a adesão a certos fatos. Nesses contos, ele imagina que explicações científicas antigas, hoje descartadas, estavam certas.
De onde vem a ideia de uma história de ficção científica?
Para Isaac Asimov e Frederik Pohl, a boa ideia de ficção científica está na consequência da invenção; para Card, ela ainda precisa de tempo para virar história.
A frase de que a boa ficção científica prevê não o automóvel, mas o engarrafamento, circula como de Frederik Pohl, editor da revista Galaxy; a pesquisa de citações do Quote Investigator achou a versão mais antiga em Isaac Asimov, autor da série Fundação, num ensaio de 1953: prever o automóvel em 1880 era fácil, e "very hard to predict a traffic problem" (muito difícil prever um problema de trânsito). Pohl publicou a versão do engarrafamento num editorial de 1968, abrindo com "Somebody once said" (alguém disse uma vez), e concordou.
Card tem um método para chegar às consequências. Ele chama de rede de ideias as três perguntas que o contador de histórias faz a tudo o que vê: por quê, como e com que resultado. Todo evento tem mais de uma causa e mais de um resultado, e nenhuma inovação entrou no mundo sem efeitos colaterais imprevisíveis: ninguém que viu o carro nascer imaginou o cinema drive-in, as rodovias, a poluição e o peso político dos países do petróleo. Na ficção científica, diz ele, o escritor precisa imaginar essas consequências, porque é a completude do mundo que torna a história mais verdadeira.
O exemplo que Card dá é o do próprio livro mais conhecido. Em 1968, aos dezesseis anos, depois de ler a trilogia Fundação, ele imaginou uma sala de batalha em gravidade zero para treinar soldados de combate espacial. Só escreveu o conto "Ender's Game" em 1975, porque a sala "wasn't a story, it was merely a setting" (não era uma história, era só um cenário).
A história apareceu com uma pergunta: e se os soldados fossem crianças, e as naves que eles pilotam estivessem a bilhões de milhas enquanto eles pensam que jogam? Card conclui que não tinha nem a semente de uma boa história de ficção científica até ter uma ideia clara do mundo em que ela se passava.
Sobre o tempo da ideia, Card e Chiang contam o mesmo. Card escreve que quase todas as suas histórias nasceram de duas ideias sem relação, cada uma seguindo a própria trilha na imaginação dele, e que todas de que ainda se orgulhava seis meses depois tinham amadurecido meses, em geral anos; o rascunho escrito logo depois da primeira ideia serve para amadurecê-la e quase sempre vai para o lixo. Chiang contou que a ideia de uma história sobre anjos ficou anos na cabeça dele até ele decidir deixá-los só no fundo da trama.
Asimov, num ensaio de 1959 sobre criatividade em geral (não sobre ficção científica), descreveu a ideia nova como a conexão entre dois itens que não pareciam ligados, e advertiu que ela costuma parecer irrazoável no começo. Card acrescenta uma fonte que ninguém planeja: o erro, que por não ter sido planejado dificilmente é clichê.
Esperar a ideia pronta tem contraponto. Octavia E. Butler, a primeira escritora de ficção científica a receber a bolsa MacArthur, manda no ensaio "Furor Scribendi" (1993) esquecer primeiro a inspiração: o hábito é mais confiável, sustenta quem escreve inspirado ou não, e é o que faz terminar e polir a história. O brasileiro Bráulio Tavares, autor de O que é ficção científica? (1986), fala de exercício com outra imagem: a imaginação é um músculo que precisa ser exercitado, e escrever é físico.
No conto saíram marcos dos dois: Heinlein estreou com "Life-Line" na revista Astounding em 1939, e as Três Leis da Robótica de Asimov apareceram em "Liar!", em 1941. O passo a passo da forma curta está no guia sobre como escrever um conto de ficção científica.
Hard ou soft: quanta ciência a ficção científica precisa?
Para o crítico Gary Westfahl, hard e soft são modos aproximados, não taxonomia rigorosa, e a SFE chama soft de termo pouco preciso; para Card, cada um falha pelo que deixa de fora.
Para quem escreve, a SFE corrige a leitura de que hard quer dizer física: dá para escrever hard sobre biologia, engenharia genética ou terraformação, e o que importa não é a ciência em detalhe, mas respeitar o espírito científico, dando explicações naturais e não sobrenaturais. Westfahl, em A Companion to Science Fiction (2008), diz que nem hard nem soft são taxonomia rigorosa: são modos aproximados que os resenhistas acharam úteis.
A crítica de Card bate nos dois lados. Do lado hard, ele diz que o escritor mediano inventa o cenário e a evolução da vida no mundo inventado e recorre ao clichê para todo o resto, e que quem jamais erraria uma conta de densidade atmosférica não percebe que todas as personagens falam como "smart-mouth schoolboys" (colegiais espertinhos). Do lado soft, no qual ele se inclui, o erro é fugir das ciências exatas e pôr toda história num mundo "very much like Earth" (muito parecido com a Terra) ou num mundo já inventado por outro; quem faz isso, escreve Card, é tão culpado de superficialidade quanto o hard que ignora sociedade, personagem e enredo.
O exemplo dele de hard puro é Dragon's Egg, do físico e romancista Robert Forward, nascido da pergunta sobre que vida surgiria na superfície de uma estrela de nêutrons, em que a história é sempre serva da ideia científica. Entre os que fizeram as duas coisas, Card cita o romancista Larry Niven, grande no hard por ser um dos melhores contadores de histórias do gênero, e a trilogia Helliconia, de Brian Aldiss, ao mesmo tempo literária, antropológica e "excellent hard science fiction".
O que custa a ciência: fazer a conta e deixar conferir
Andy Weir, autor de The Martian, mostra o custo do hard na prática. Ele contou à Writer's Digest (2015) que decidiu cedo ser o mais cientificamente preciso possível e que, para calcular as órbitas do livro, escreveu o próprio programa de trajetórias de empuxo constante. Ao astrofísico Neil deGrasse Tyson, na National Geographic (2016), disse que calculou todas as trajetórias da nave Hermes da Terra a Marte e de volta, que dinamicistas orbitais refizeram as contas e que ele errou por cerca de 2%. E admitiu a exceção: na tempestade de areia que abre o livro, "I sacrificed accuracy for drama" (sacrifiquei a precisão pelo drama).
Westfahl registra que leitores fazem essas contas: um grupo do MIT concluiu que o mundo Mesklin, de Mission of Gravity (Hal Clement, 1953), teria uma borda afiada no equador, e uma turma de ensino médio na Flórida fez contas sobre Ringworld (Larry Niven, 1970).
A escritora brasileira Ana Rüsche, autora de A telepatia são os outros (2019) e pesquisadora de ficção científica e mudança climática na USP, descreve o mesmo trabalho do lado das conversas. Numa entrevista à revista Literartes (USP, 2023), ela recomenda a quem escreve ficção científica acompanhar as áreas da ciência de que gosta, incluindo as humanas, e lembra a linguística em Os despossuídos (1974), romance de Ursula K. Le Guin premiado com o Hugo e o Nebula. Conta também que, ao ouvir o físico Pedro Vieira num evento, entendeu que não faria sentido o retorno numa viagem no tempo, e tornou isso estrutural no conto "Mergulho do azul cintilante".
No Brasil, um exemplo de hard é a trilogia Padrões de contato (1985–1991), do escritor Jorge Luiz Calife, que a SFE descreve como uma história do futuro hard continuada décadas depois. Em outra ponta, André Carneiro, que a SFE chama de o expoente mais conhecido da ficção científica brasileira desde os anos 1960, escreveu em "Escuridão" (1963) um conto em que toda a luz da Terra se esvai sem máquina nem explicação científica.
A escala hard–soft: onde pôr o rigor
A tabela organiza o que os autores citados dizem de cada ponto da escala; onde não há nome entre parênteses, a classificação é da casa.
| ponto da escala | o que a ciência faz na história | quem pratica | o que cobra de quem escreve | a armadilha |
|---|---|---|---|---|
| hard de ciência exata | é a espinha dorsal (Allen Steele) | Robert Forward, Dragon's Egg (Card); Andy Weir, The Martian | fazer as contas, porque o leitor especialista vai notar o erro (Weir) | personagens que falam como colegiais espertinhos, e clichê em tudo o que não é cenário (Card) |
| hard de outras ciências | dá explicação natural a quase tudo: biologia, genética, terraformação (SFE) | Brian Stableford, The Empire of Fear (1988), vampiros explicados pela ciência (SFE) | não ignorar nem quebrar princípio científico conhecido (SFE) | o problema que o autor já sabe resolver e a aula que vira infodump (SFE) |
| entre os dois | a informação densa vira estilo (SFE) | o cyberpunk, que a SFE põe entre os dois | informação densa, muitas vezes enfiada na história por meios quase subliminares (SFE) | imitar a superfície: drogas, interface cérebro-chip, linguagem afetada (Card) |
| soft das ciências humanas | psicologia, sociologia e política fazem a novidade (Peter Nicholls) | Le Guin, Os despossuídos (1974), cuja linguística Ana Rüsche lembra | acompanhar as ciências de que se gosta, incluindo as humanas (Rüsche) | o mundo muito parecido com a Terra (Card) |
| soft de sentimento | sem ciência reconhecível; a ênfase é o sentimento (Nicholls) | H. G. Wells, segundo Poul Anderson; André Carneiro, "Escuridão" (1963) | personagens, emoções e relações no centro (Anderson) | fugir das ciências exatas e ser tão superficial quanto o hard que ignora as pessoas (Card) |
Na linha do meio, a SFE diz que a densidade de informação, muitas vezes enfiada na história por meios quase subliminares, marcou desde o início o estilo do cyberpunk, não só o tema. A armadilha é de Card, que em 1990 resumiu o pior do movimento na superficialidade dos imitadores.
Na linha de baixo, o escritor Poul Anderson dá Wells como modelo de soft em Ideas for SF Writers (1998): ele se concentrava nos personagens e nas emoções, não na ciência do homem invisível ou da máquina do tempo. A definição de hard é do escritor Allen Steele (1992), a ciência estabelecida ou extrapolada "as its backbone" (como espinha dorsal), e a de soft, do crítico Peter Nicholls.
O mercado também escolhe o ponto. A revista americana Analog diz nas diretrizes que publica histórias em que algum aspecto da ciência ou da tecnologia futura é tão integral à trama que ela desaba sem ele, e aceita ciência física, sociológica ou psicológica. Card, em 1990, via na Analog a única revista que publicava com regularidade histórias de fórmula dentro da tradição hard, e notava que as que chamavam atenção fora dela eram as que fugiam das fórmulas ou as transcendiam.
Como explicar a ciência sem despejar informação na história?
Para Card, a exposição é o ponto em que a ficção científica mais difere dos outros gêneros, e o remédio é dosar: a informação é para o leitor o que a água é para a planta, a vida da história, desde que em equilíbrio.
O exemplo clássico que ele dá é uma frase de Heinlein, "The door dilated" (a porta se dilatou). Não há explicação da tecnologia, e a personagem não se espanta; o leitor deduz que as portas ali se abrem como uma íris, que a personagem acha isso normal e que talvez todas as portas sejam assim há muito tempo. O escritor de ficção científica sugere muito mais do que diz, e por isso, escreve Card, precisa pensar o mundo num nível fundo de detalhe: o leitor salta para as implicações do que está escrito, e, se o autor não pensou até ali, pega o descuido.
O outro modelo de Card é a abertura de Wild Seed (Semente originária), de Octavia Butler, de quem ele diz que ninguém faz exposição melhor. A primeira frase fala das "seed villages" de Doro sem explicar o que são; o leitor experiente guarda o termo como um pequeno mistério, e o inexperiente trava, achando que devia saber. Para Card, soltar termos quando a personagem pensa neles e explicá-los só depois é uma das fronteiras reais entre ficção científica e o resto.
Ele registra também o efeito contrário: no começo de uma história de ficção científica, o leitor do gênero lê toda frase estranha ao pé da letra, e os alunos dele que liam ficção científica imaginaram dinossauros puxando passageiros no "reptile bus" (ônibus réptil) de um conto de Tom Maddox, que os não leitores entenderam logo como um ônibus articulado.
A SFE chama de infodump o bloco de discurso técnico inserido na ficção, que falha quando aparece como massa obstrutiva que o autor não digeriu; em Dr. Adder (escrito em 1972), o romancista K. W. Jeter já o definia como o jeito do escritor incompetente de revelar o cenário. A mesma enciclopédia lembra que o infodump também é recurso assumido: John Brunner intercala blocos de informação entre os capítulos de Stand on Zanzibar (1968), Pohl faz o mesmo em Gateway (1977), o romancista Kim Stanley Robinson escreve infodumps líricos e The Martian é cheio de infodump prosaico. O risco do hard, para a SFE, é virar palestra do autor sobre a ciência.
A dificuldade cresceu, segundo Card, porque a terceira pessoa limitada, o padrão da ficção profissional, não deixa a personagem notar o que sempre teve: um nativo do mundo estranho não repara no próprio mundo, e o autor precisa revelar por implicação. A solução dos primeiros tempos do gênero, uma personagem explicando a outra o que esta já sabia, Card dá por encerrada; o vício tem nome de oficina, "As You Know, Bob", e mora no guia sobre como escrever diálogos naturais. O caminho oposto, espalhar pedaços até o leitor montar o quadro, a escritora Jo Walton chama de incluing, como mostra o guia sobre como começar um livro.
Ideia ou personagem: o que manda numa história de ficção científica?
Card responde com o que chama de quociente MICE: toda história tem quatro elementos que podem dar a estrutura, meio (milieu), ideia, personagem e evento, e domina aquele com que o autor mais se importa. A história de ideia começa por uma pergunta e termina quando ela é respondida.
A personagem comum é rara no gênero, segundo a própria oficina. O Turkey City Lexicon, glossário de oficina de ficção científica compilado por Lewis Shiner e revisto por Bruce Sterling, registra a "Mrs. Brown" de Virginia Woolf, a pessoa pequena e cotidiana que ainda assim encerra algo vital da condição humana, como "a rare personage in the SF genre" (uma figura rara na ficção científica), ofuscada por tipos de papelão folheado a ouro.
Le Guin, autora também de A mão esquerda da escuridão (1969), premiado com o Hugo e o Nebula, dedicou ao assunto uma palestra de 1975, "Science Fiction and Mrs Brown", que parte do ensaio de Woolf para discutir o personagem na ficção científica.
Gibson, Asimov e a crítica Carol McGuirk tratam da pessoa no centro. William Gibson, autor de Neuromancer (1984), disse à Paris Review em 2011 que a ficção científica americana dominante de meados do século lhe parecia muitas vezes triunfalista e militarista, com o protagonista bom moço de classe média para cima, e que ele queria abrir espaço para anti-heróis. Asimov definiu em 1975 a ficção científica como o ramo da literatura que trata da reação dos seres humanos às mudanças na ciência e na tecnologia. E McGuirk (1992) conta que Alfred Bester, Fritz Leiber, Ray Bradbury e James Blish romperam com o hard nos anos 1950 levando a extrapolação para dentro das personagens.
Para Card, domina o elemento com que o autor mais se importa, e por isso achar a estrutura costuma ser um exercício de autodescoberta. A história de ideia se escreve como uma pergunta e a resposta; a de meio, como uma chegada e uma partida, como mostra a seção seguinte.
Como construir o mundo de uma história de ficção científica?
Para Card, construir o mundo começa pelas regras: como a ficção especulativa difere do mundo conhecido, o leitor não sabe o que pode e o que não pode acontecer até o escritor explicitá-las, e o escritor também não tem certeza de nada antes disso.
Para Card, as regras dizem o que está em jogo. No exemplo dele, só sabendo como funciona a viagem entre as estrelas o leitor entende por que as personagens se desesperam, ou não, quando algo dá errado; regra clara também tranquiliza o leitor experiente de que o autor sabe como se faz. Robinson diz que a ficção científica é uma literatura histórica: em toda narrativa do gênero há uma história ficcional, explícita ou implícita. E Card lembra que nenhuma sociedade responde de forma unânime a um acontecimento.
Quando o mundo é o assunto, Card propõe uma estrutura própria, a do meio: um estranho chega ao lugar, vê o que há de interessante, é transformado e vai embora (ou decide ficar), e o ponto de vista é o dele, que se surpreende com o que surpreende o leitor, como em As viagens de Gulliver.
A oficina deu nome às regras que falham. O Turkey City Lexicon chama de Idiot Plot, termo do escritor James Blish, o enredo que só funciona porque todas as personagens são idiotas, e de Fuzz a motivação que o autor teve preguiça de dar, cujo sinal é a expressão "de algum modo" ("Somehow she had forgotten to bring her gun"). E chama de White Room Syndrome a abertura em que a personagem acorda num quarto branco: o cenário sem traços, sinal de que o autor ainda não inventou o mundo, seguido de exposição que pode ser cortada sem dor.
Quais clichês da ficção científica evitar?
O Turkey City Lexicon, glossário de oficina de Lewis Shiner e Bruce Sterling, e a revista Strange Horizons deram nome e lista ao que já se viu demais, e a Strange Horizons oferece a sua lista como curiosidade, não como prescrição.
O Turkey City Lexicon atribui ao escritor Brian Aldiss dois nomes: Shaggy God Story, a história que adota mecanicamente um relato bíblico ou mitológico e lhe dá uma explicação científico-ficcional rasa, e Cozy Catastrophe, a catástrofe que destrói a civilização enquanto o herói se diverte, com suítes de graça no Savoy e carros à vontade. O glossário atribui a Blish o "Call a Rabbit a Smeerp", o falso exotismo de rebatizar uma coisa comum sem mudar a natureza dela.
A revista Strange Horizons publicou uma lista dos enredos que recebia com frequência demais. Entre os de ficção científica estão o visitante que ignora as regras do mundo alienígena e é punido, a inteligência artificial solta na rede sem que o autor saiba o que isso significa, a viagem espacial que resolve todos os problemas e os alienígenas ou pós-humanos que pensam, falam e se comportam "just like upper-middle-class Americans" (exatamente como americanos de classe média alta).
A condição vem da própria Strange Horizons: a lista foi feita por uma equipe anterior e hoje é oferecida "as a curio rather than as a prescription" (como curiosidade, não como prescrição), e não como um cânone de histórias ruins.
No Brasil, a crítica ao clichê teve manifesto. Em 1988, o escritor Ivan Carlos Regina publicou no fanzine Somnium o "Manifesto antropofágico da ficção científica brasileira", que a SFE descreve como o primeiro movimento conceitual da ficção científica do país, contra a imitação cega da ficção anglo-americana e o uso irrefletido de clichês.
Como escrever ficção científica brasileira?
Bráulio Tavares disse, numa entrevista pública na UFRJ em 2016 (publicada em 2018), que um dos problemas da ficção científica é ser relacionada aos Estados Unidos, e perguntou "em que lugar está escrito que só os norte-americanos podem escrever ficção científica". Na antologia Páginas do futuro (2011), ele reuniu contos de ficção científica de Joaquim Manuel de Macedo, Rachel de Queiroz e Rubem Fonseca: "Todo esse pessoal escreveu ficção científica".
Fausto Cunha, crítico literário e uma das figuras centrais da geração dos anos 1960 publicada pelo editor Gumercindo Rocha Dorea, publicou em As noites marcianas (1960) o conto "Mobile", em que o contato com alienígenas não rende nem conhecimento nem comércio, o que a SFE lê como perspectiva humanista e brasileira, fora do paradigma americano de lutar ou negociar; e "Regresso", com um astronauta negro brasileiro.
Rachel de Queiroz escreveu "Ma-Hôre", que Tavares chama de maravilhoso: a nave desce num mundo distante, leva para a Terra um serzinho meio anfíbio, e ele mata todos, pilota a nave e volta para casa. M. Elizabeth Ginway, em Ficção científica brasileira (2005), lê na primeira geração uma desconfiança básica da ciência e da tecnologia, vista como elemento que divide em vez de unir.
Ana Rüsche observa que a precariedade aparece como traço inventivo e até eufórico em produções do Sul Global, o elogio ao puxadinho e à gambiarra, e que as narrativas mais interessantes, para ela, põem uma nota crítica nisso, como Não verás país nenhum (Ignácio de Loyola Brandão, 1981) e As águas-vivas não sabem de si (Aline Valek, 2016). Ela pergunta também o que conta como ciência para quem escreve do Sul Global, e responde que os saberes tradicionais entram.
A cearense Kinaya Black, cuja distopia afrofuturista ambientada em Quixadá a Aleph anunciou em fevereiro de 2026, disse ao Diário do Nordeste que todas as suas histórias se passam no Ceará. O cyberpunk brasileiro ganhou do escritor e pesquisador Roberto de Sousa Causo o nome de tupinipunk, e está no guia sobre os subgêneros da ficção científica.
Causo, autor de Ficção científica, fantasia e horror no Brasil, 1875 a 1950 (2003), disse à revista Abusões (UERJ, 2017) que, na carreira dele, foi o pesquisador que serviu ao ficcionista, porque desde fã precisou entender o lugar da ficção científica no Brasil.
Onde publicar ficção científica no Brasil e fora?
Em 1990, Card escrevia que o mercado de conto especulativo, embora pequeno, era o mais aberto a iniciantes nos Estados Unidos, e que a melhor aposta era tentar primeiro as revistas, porque as antologias costumam ser por convite. Heinlein, no ensaio de 1947 "On the Writing of Speculative Fiction", juntou às regras de terminar o que se começa as de pôr o texto no mercado e mantê-lo lá até vender.
O mercado brasileiro do gênero cresceu: a BookInfo, a pedido do PublishNews, contou 52.948 exemplares de ficção científica vendidos em 2023 e 77.990 em 2024, alta de 47,29%. Na mesma reportagem, a editora da Suma atribuiu o alcance de O problema dos três corpos à adaptação da Netflix. A Aleph, que o Diário do Nordeste descreve como a principal editora do gênero no país, anunciou em 2026 que passaria a publicar romances de autores brasileiros, com cinco nomes na primeira leva; Kinaya Black descreve um convite da editora.
Os finalistas de romance do Prêmio Argos de 2025 saíram pela Rocco, pela AVEC, pelas Edições Cosmos e pela Malê, e três dos cinco contos finalistas vieram de uma mesma antologia. A Draco, fundada em 2009 com foco exclusivo em autores nacionais, e a revista Trasgo, de 2013, foram casas da geração que surgiu com a internet. O gênero também já levou o Jabuti, mesmo sem categoria própria: a independente Plutão ganhou em 2022 o de Romance de Entretenimento com Olhos de pixel, de Lucas Mota.
Fora do país, as revistas publicam as regras de envio. A Asimov's Science Fiction paga de 8 a 10 centavos de dólar por palavra em contos de até 7.500 palavras, raramente compra textos com menos de 1.000 ou mais de 20.000 palavras e recusa qualquer texto escrito, desenvolvido ou assistido por inteligência artificial. A Analog paga de 8 a 10 centavos por palavra na ficção curta, pede primeira publicação exclusiva em inglês e também recusa IA (consultas de 26/10/2026). O caso da Clarkesworld está no guia sobre como publicar contos.
Os prêmios do gênero medem coisas diferentes. Desde 2023, o Argos, do Clube de Leitores de Ficção Científica, tem os finalistas indicados pelos sócios do clube e os vencedores escolhidos por votação aberta ao público leitor. Lá fora, o Hugo é votado pelos fãs, membros da convenção mundial, e o Nebula pelos escritores, membros da SFWA.
Perguntas frequentes
Como escrever um conto de ficção científica?
O passo a passo, do efeito escolhido antes da primeira frase a um exercício de cinco passos, com as aberturas de Wells, Forster e Machado de Assis, está no guia sobre como escrever um conto de ficção científica.
Qual a diferença entre hard e soft sci-fi?
Para o escritor Allen Steele (1992), hard é a ficção que usa ciência estabelecida ou cuidadosamente extrapolada como espinha dorsal; para o crítico Peter Nicholls, na SFE, soft é a das ciências humanas (psicologia, sociologia, política) ou a que, sem ciência reconhecível, enfatiza os sentimentos humanos. Para a crítica, os dois termos são aproximações, e a tabela da seção sobre hard e soft mostra o que cada ponto da escala cobra; as definições estão em hard sci-fi e soft sci-fi.
Ficção científica precisa ser cientificamente correta?
Para a SFE, o hard precisa respeitar o espírito científico, dar explicações naturais e não sobrenaturais, mais do que acertar cada detalhe. O rótulo não depende de acertar cada detalhe, como mostra o termo hard sci-fi, e Andy Weir sacrificou a precisão pelo drama na tempestade que abre The Martian.
Qual a diferença entre ficção científica e fantasia?
Para Card, se o universo da história segue as nossas regras, é ficção científica; se não segue, é fantasia. Para Suvin, a novidade da ficção científica é compreendida pela observação e pela teoria científicas, e a definição completa está em ficção científica.
Ficção científica e ficção especulativa são a mesma coisa?
Não exatamente. A escritora Margaret Atwood chama de especulativo o que poderia acontecer e de ficção científica o impossível, e Le Guin, numa resenha de 2009, chamou essa definição de arbitrariamente restritiva; a origem do termo e como ele mudou de sentido estão em ficção especulativa.
Quais são os subgêneros da ficção científica?
A Encyclopedia of Science Fiction trata em verbetes próprios a distopia, o cyberpunk, a space opera, o steampunk, o solarpunk, a história alternativa, a viagem no tempo, o pós-apocalipse e a ficção científica militar; o que cada um pergunta e como se escreve está no guia sobre os tipos de ficção científica.
O que fazer com isso
Para aplicar o que os mestres ensinam antes do próximo capítulo: a rede de ideias de Card (por quê, como, com que resultado) leva da novidade às consequências dela; a tabela mostra o que cada ponto da escala hard–soft cobra de pesquisa e de personagem; e as regras do mundo, que Card pede explícitas, dizem ao leitor o que está em jogo.
Os subgêneros estão no guia sobre distopia, cyberpunk e space opera; a primeira página, em como começar um livro; as personagens, em como criar personagens; e a forma curta, em como escrever um conto.
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Termos usados nesta página
Quem fala sobre isso 6pessoas
- Orson Scott Cardromancista de ficção científica e fantasia (nascido em 1951); autor de How to Write Science Fiction and Fantasy (Writer's Digest Books, 1990)
Obra sobre como escrever ficção científica: How to Write Science Fiction and Fantasy, Writer's Digest Books, 1990.
Página ↗ - Robert A. Heinlein †escritor de ficção científica e engenheiro aeronáutico (1907–1988)
Escreveu sobre como escrever ficção científica no simpósio Of Worlds Beyond: The Science of Science Fiction Writing (org. Lloyd Arthur Eshbach), 1947, em que propôs o termo ficção especulativa.
Página ↗ - Lewis Shinerescritor (nascido em 1950); começou na ficção científica e foi membro da oficina Turkey City, no Texas (Wikipedia, 2026)
Organizou o Turkey City Lexicon: A Primer for SF Workshops, glossário de oficina de ficção científica publicado pela SFWA em 2009, com segunda edição de Bruce Sterling.
Página ↗ - Ursula K. Le Guin †escritora de ficção científica e fantasia (1929–2018)
Ensaio sobre a personagem na ficção científica: "Science Fiction and Mrs. Brown", em Science Fiction at Large (org. Peter Nicholls), Gollancz, 1976.
Página ↗ - Bráulio Tavaresescritor, compositor e pesquisador de literatura fantástica (nascido em 1950, Campina Grande); organizou antologias de literatura fantástica e de ficção científica
Entrevista pública sobre a própria escrita na ficção científica, na literatura fantástica e no cordel, publicada no Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea (UFRJ) em 2018.
Página ↗ - Ana Rüscheescritora e pesquisadora de literatura; doutora em Letras pela USP, onde fazia pós-doutorado em 2023 (Literartes); professora substituta de Teoria Literária na Universidade de Brasília desde 2025 (ORCID)
Entrevista sobre escrever e pesquisar ficção científica: "A ficção científica, a urgência climática e a importância de diálogo entre os saberes", Literartes (USP), 2023.
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O que a rede diz 6 vozes
YouTubeRecebe o escritor e pesquisador Roberto de Sousa Causo para responder o que uma história precisa ter para ser considerada ficção científica e como se escreve o gênero, num momento em que o interesse por ele cresce.
Manual Prático do Criador de Histórias, com Roberto de Sousa CausoYouTube ↗
YouTubeDá seis dicas para escrever uma história de ficção científica e põe a fronteira com a fantasia no quanto a história é palpável; indica Solaris e Eu, Robô como leitura.
Novo OrbeYouTube ↗
YouTubeTrata a diferença entre a ficção científica hard e a soft como um assunto polêmico entre quem lê e escreve o gênero, e pergunta o que ela muda na hora de escrever.
T. Conto Ficção CientíficaYouTube ↗
YouTubeLembra que ficção científica, fantasia e romance histórico pedem conhecimento específico de quem constrói um mundo e chama um convidado para ensinar a pesquisar com eficiência antes e durante a escrita.
Guia de WorldbuildingYouTube ↗
TikTokDefende, a partir da própria prática na ficção científica, que o gênero e a fantasia bons vivem da tensão entre duas forças que parecem se contradizer, a fuga e a relevância, e mostra isso com romances e filmes.
@shawn_whitney_writerTikTok ↗
TikTokLista os erros que quem escreve ficção científica deve evitar, num perfil dedicado a uma série do gênero.
@vitaleriumseriesTikTok ↗
O que está acontecendo
- Ursula K. Le Guin em 10 frases afiadas sobre morte, livros e ficção científica ↗
Escritora completaria 97 anos nesta quarta-feira, 21 de outubro
- Crítica: Ursula Le Guin desdenha de Flaubert e Tolstói em entrevistas irreverentes ↗
Livro reúne conversas da autora de 'Os Despossuídos'
- Cixin Liu, o autor futurista chinês que conquistou Barack Obama e a Netflix ↗
Ele fala com exclusividade a VEJA sobre a arte de escrever ficção científica
- Bienal dá palco a ficção científica brasileira e 'romances páprica' em dia tranquilo ↗
Ale Santos, Felipe Castilho e Jana Bianchi defendem sci-fi como gênero político
- Tecno-otimismo de Asimov x tecno-solucionismo do Vale do Silício ↗
Enquanto formadores de opinião do Vale prometem vencer a morte, Asimov continua nos fazendo perguntar o que a tecnologia faz conosco.
A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
Lidas no texto integral
- Orson Scott Card, How to Write Science Fiction and Fantasy, Writer's Digest Books, 1990 (archive.org).
- The Encyclopedia of Science Fiction (org. John Clute, David Langford, Graham Sleight), entradas "Novum", "Hard SF", "Soft SF", "Infodump", "Speculative Fiction", "Cyberpunk", "Brazil", "Carneiro, André", "Tavares, Braulio", "Cunha, Fausto", "Causo, Roberto de Sousa", "Heinlein, Robert A", "Asimov, Isaac", "Card, Orson Scott", "Le Guin, Ursula K", "Definitions of SF".
- Turkey City Lexicon: A Primer for SF Workshops (org. Lewis Shiner; 2ª ed. Bruce Sterling), SFWA, 18/06/2009.
- Bráulio Tavares, entrevista no VII Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, v. 10, n. 20, 2018.
- Isaac Asimov, "On Creativity" (1959), MIT Technology Review, 20/10/2014.
- Ana Rüsche, entrevista a Bruno Anselmi Matangrano, Literartes (USP), n. 18, 2023.
- David Wallace-Wells, "William Gibson, The Art of Fiction No. 211", The Paris Review, n. 197, 2011.
- Margaret Atwood, "The road to Ustopia", The Guardian, 14/10/2011.
- Brian A. Klems, "Writing Tips and Advice From Andy Weir", Writer's Digest, 03/11/2015.
- "Star Talk" (Neil deGrasse Tyson entrevista Andy Weir), National Geographic, dez. 2016.
- Tobias Carroll, "An Interview With Ted Chiang", Vol. 1 Brooklyn, 27/09/2016.
- Strange Horizons, "Stories We've Seen Too Often" (atualizada em 10/03/2012).
- Octavio Aragão Jr. e Victor J. P. de Almeida, "Sobre definições, naves espaciais e ondas", em Literatura de ficção científica brasileira (EDUFMA, 2023).
- The Hugo Awards, "Hugo Award FAQ" (thehugoawards.org), e SFWA, "About the Nebulas" (nebulas.sfwa.org).
- Carvalho e Bueno, "Piritas Siderais: tupinipunks na aldeia global", Zanzalá, v. 8, n. 1, 2021.
Lidas em resumo ou pela referência
- Beatriz Sardinha, "Livros de ficção científica vivem momento de crescimento no mercado editorial brasileiro", PublishNews, 16/07/2025.
- Redação PublishNews, "Acaso Cultural recebe cerimônia de entrega do Prêmio Argos 2025", 18/12/2025.
- Ana Beatriz Caldas, "Distopia ambientada em Quixadá leva escritora cearense à editora Aleph", Diário do Nordeste, 12/02/2026.
- The Encyclopedia of Science Fiction, entradas "Dystopias", "Space Opera", "Steampunk", "Solarpunk", "Alternate History", "Time Travel", "Post-Holocaust" e "Military SF" (consulta em 26/10/2026).
- Diretrizes de envio da Asimov's Science Fiction e da Analog Science Fiction and Fact (consulta em 26/10/2026).
- Roberto de Sousa Causo, entrevista a Flavio García e Marisa Martins Gama-Khalil, Abusões (UERJ), n. 5, 2017.
- Darko Suvin, Metamorphoses of Science Fiction, Yale University Press, 1979 (pela SFE).
- Robert A. Heinlein, "On the Writing of Speculative Fiction", em Of Worlds Beyond (org. Lloyd Arthur Eshbach), 1947.
- Isaac Asimov, "Social Science Fiction", em Modern Science Fiction (org. Reginald Bretnor), 1953, e Frederik Pohl, editorial da Galaxy, dez. 1968, pelo Quote Investigator (23/10/2019).
- Isaac Asimov, "How Easy to See the Future!", Natural History, abr. 1975.
- Octavia E. Butler, "Furor Scribendi" (1993), em Bloodchild and Other Stories, 1995 (trechos pelo Quote Investigator).
- Octavia E. Butler, Wild Seed, 1980 (pela leitura de Card).
- Robert Crossley, "Critical Essay", em Octavia E. Butler, Kindred, Beacon, 2004.
- Ursula K. Le Guin, "Science Fiction and Mrs Brown" (1975), em The Language of the Night, 1979.
- Gary Westfahl, "Hard Science Fiction", em A Companion to Science Fiction (org. David Seed), Blackwell, 2008.
- Poul Anderson, Ideas for SF Writers, 1998, e Jeff Prucher, Brave New Words, Oxford University Press, 2007.
- Carol McGuirk, "The 'New' Romancers", em Fiction 2000 (org. Slusser e Shippey), 1992.
- M. Elizabeth Ginway, Ficção científica brasileira: mitos culturais e nacionalidade no país do futuro, Devir, 2005.
- Kim Stanley Robinson, Foundation, n. 40, 1987 (pela SFE).
- Orson Scott Card, Maps in a Mirror, 1990 (pela SFE).
- Allen Steele, "Hard Again", The New York Review of Science Fiction, jun. 1992 (pela SFE).
- Ursula K. Le Guin, resenha de The Year of the Flood, The Guardian, 2009 (pela citação de Atwood).
VERSE MEDIA. Como escrever ficção científica: hard, soft e o que muda. Enciclopédia Verse, 26 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/sci-fi/como-escrever-ficcao-cientifica. Acesso em: [data].
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