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Ficção científica

Ficção científica é o conjunto de narrativas passadas em mundos que não existem, mas que, em tese, poderiam existir, na descrição da Encyclopedia of Science Fiction (SFE). A fantasia, na mesma obra, é a que se passa em mundos impossíveis nos quais a história acredita. Nenhuma definição do gênero deu conta de tudo, e a própria SFE diz não haver razão para esperar que uma dê. Quem quer escrever no gênero encontra o caminho no guia sobre como escrever ficção científica.

Nesta página
  1. De onde vem o nome ficção científica?
  2. Como a ficção científica foi definida?
  3. Por que nenhuma definição fechou o gênero?
  4. O que separa a ficção científica da fantasia e dos termos vizinhos?
  5. E a ficção científica no Brasil?
  6. O que o rótulo muda para quem escreve?

De onde vem o nome ficção científica?

O nome é de revista. Hugo Gernsback, editor das revistas pulp Amazing Stories e Wonder Stories, chamou de scientifiction o tipo de história de Jules Verne, H. G. Wells e Edgar Allan Poe, no editorial do primeiro número de Amazing Stories, em abril de 1926. A SFE registra science fiction num editorial dele para o primeiro número da Wonder Stories, em junho de 1929, e diz que o termo se firmou na década de 1930. O crítico brasileiro Bráulio Tavares, em O que é ficção científica (1986), lembra que science fiction foi um nome "sonoro e simpático" escolhido por Gernsback, e que os mal-entendidos sobre o gênero vêm de defini-lo a partir do nome com que foi batizado ao acaso.

A abreviação sci-fi tem história própria. O editor Forrest J. Ackerman costuma ser creditado como o primeiro a usá-la, por volta de 1954. Nos anos 1970, críticos do campo como Damon Knight e Terry Carr a empregavam para separar o trabalho medíocre da ficção científica séria, e o crítico Peter Nicholls registrou por volta de 1993 que "SF" é a abreviação preferida de quem escreve e lê o gênero.

Como a ficção científica foi definida?

Algumas das definições que a SFE reúne, agrupadas aqui pela ênfase:

  • Pela ciência. O acadêmico J. O. Bailey, em Pilgrims through Space and Time (1947), descreveu a ficção científica (scientific fiction) como a narrativa de uma invenção ou descoberta imaginária nas ciências naturais. Para o escritor Robert A. Heinlein, em 1959, uma definição curta de quase toda ficção científica seria a especulação realista sobre eventos futuros possíveis, baseada em conhecimento adequado do mundo real.
  • Pelo método. John W. Campbell Jr., editor da Astounding, propôs que a ficção científica faça o que a metodologia científica faz, prever o que uma teoria bem construída produz, e conte em forma de história o resultado quando aplicada às máquinas e também à sociedade humana.
  • Pelas pessoas. O escritor Brian Aldiss ofereceu, em Billion Year Spree (1973), o que a SFE lê mais como observação do que como definição: a ficção científica como a busca de uma definição do homem e de seu lugar no universo; ele pôs Frankenstein (1818) na origem da tradição.
  • Pela forma. O teórico Darko Suvin definiu em 1972 o gênero pela interação de estranhamento e cognição, numa moldura imaginativa alternativa ao ambiente do autor, e a SFE diz que talvez tenha sido a mais útil de todas para provocar o debate, embora poucos concordem com ela inteira.
  • Pelo mercado. O escritor Damon Knight escreveu em 1952 que ficção científica é aquilo para que apontamos quando dizemos o nome, e o escritor Norman Spinrad, que é tudo o que se publica como tal.

Por que nenhuma definição fechou o gênero?

A SFE observa que toda definição mistura descrição (o que os autores costumam fazer) e prescrição (o que deveriam fazer), e que quase sempre se acha um exemplo que não se encaixa. Lembra também que o gênero cresceu da fusão de formas distintas, das utopias às aventuras espaciais, e diz que talvez nem seja um gênero em sentido estrito. Para a SFE, há bastante acordo sobre o centro do gênero, e as brigas ficam nas margens.

O escritor Lester del Rey, em 1980, disse que até o fã dedicado tem dificuldade de explicar o que é ficção científica. Tavares resumiu, em 1986, que o gênero antes era "um saco-de-gatos" e que então era uma arca de Noé.

O que separa a ficção científica da fantasia e dos termos vizinhos?

A SFE cita o argumento de Peter Nicholls: a ficção científica segue a lei natural, e a fantasia pode suspendê-la, e a explicação sobrenatural está no coração da fantasia. A SFE também diz que a presença de uma novidade em relação ao mundo real não basta, porque a fantasia depende dela do mesmo modo.

A SFE diz ainda que a ficção científica se mistura com a fantasia de um lado e, de outros lados, com as ficções pós-modernistas (fabulações), os thrillers tecnológicos e políticos e os romances sobre descoberta científica, além das utopias, dos mundos perdidos e das histórias de guerra futura.

O rótulo também tem subdivisões e nomes alternativos: hard sci-fi e soft sci-fi, o conto de ficção científica e a ficção especulativa.

E a ficção científica no Brasil?

Um estudo pioneiro do tema é Ficção científica, fantasia e horror no Brasil, 1875 a 1950 (2003), do crítico Roberto de Sousa Causo, que abre o panorama em 1875 com O Doutor Benignus, de Augusto Emílio Zaluar, livro que classifica como "romance científico". Jerônymo Monteiro (1908–1970) é considerado o primeiro autor brasileiro especializado em ficção científica. Para Ginway (2005) e para Matangrano e Tavares (2018), a maturidade da ficção científica brasileira é dos anos 1960, com casos pontuais desde o fim do século XIX, inclusive de nomes canônicos.

O que o rótulo muda para quem escreve?

A SFE nota que a etiqueta num livro depende dos editores e que escritores como Kurt Vonnegut Jr., John Wyndham e, mais tarde, Margaret Atwood lutaram para evitá-la, e que as editoras raramente a põem em apostas de best-seller.

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O guia completoComo escrever ficção científica: hard, soft e o que muda — Os mestres do gênero ensinam a escrever ficção científica a partir de uma novidade que muda o mundo, o novum do teórico Darko Suvin, seguindo as consequências dela nas pessoas e revelando esse mundo por implicação, sem despejar explicação.

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Autoria: Verse MediaRevisado em 27 out. 2026Passos conferidos em 27 out. 2026Publicado em 27 out. 202610 fontes · 2 no integral
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VERSE MEDIA. Ficção científica. Enciclopédia Verse, 26 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/sci-fi/ficcao-cientifica. Acesso em: [data].

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