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Ficção especulativa

Ficção especulativa é um termo que, segundo a Encyclopedia of Science Fiction (SFE), alguns escritores e críticos usaram depois da Segunda Guerra Mundial no lugar de ficção científica, e que a editora Judith Merril definiu pela extrapolação, sem exigir ciência no centro da história. O guia sobre como escrever ficção científica trata do ofício de quem escreve no gênero.

Quem inventou o termo ficção especulativa?

O primeiro uso conhecido é de 1899: o resenhista M. F. Egan, na Lippincott's Monthly Magazine, chamou de speculative fiction o romance Looking Backward, 2000-1887 (1888), do escritor Edward Bellamy. O escritor Robert A. Heinlein reaproveitou o termo em 1947, no simpósio Of Worlds Beyond, organizado por Lloyd Arthur Eshbach, para descrever um subconjunto da ficção científica que extrapola da ciência e da tecnologia conhecidas. O crítico brasileiro Bráulio Tavares conta, em O que é ficção científica (1986), que Heinlein propôs o nome para "quebrar assim o círculo vicioso de cobranças" entre cientistas e literatos.

Como o termo mudou de sentido?

Em 1960, o escritor Michael Moorcock, no fanzine Bastion, distinguiu a aventura, à maneira do escritor E. C. Tubb, da ficção especulativa, à maneira do escritor Brian W. Aldiss. Em 1966, a editora e escritora Judith Merril tomou o termo emprestado e o detalhou de modo a diminuir o peso da ciência, mantendo a ideia de extrapolação. Para Merril, são histórias que buscam explorar, descobrir e aprender algo sobre a natureza do universo, do homem ou da realidade, por projeção, extrapolação, analogia e experimentação no papel.

A SFE nota que isso serviu para a ficção sociológica, que se concentra na mudança social sem necessariamente grande ênfase em ciência ou tecnologia. Desde então o termo atraiu escritores e leitores interessados tanto em soft quanto em hard sci-fi e, segundo a SFE, talvez sobretudo acadêmicos, que o achavam mais respeitável que o nome ficção científica. O escritor Samuel R. Delany o usou de modo amplo na série de antologias Quark/, como se a ficção científica fosse parte dele.

Por que a SFE considera o termo impreciso?

Para a SFE, ninguém demonstrou até agora grande rigor descritivo na definição, e o termo distrai do que importa em qualquer uso mais amplo do século XX que abranja a fantasia como um todo. A obra o considera útil dentro de um quadro que priorize a cognição nas narrativas fantásticas. Gary K. Wolfe observa, em Critical Terms for Science Fiction and Fantasy (1986), que os críticos se preocupam mais com a demarcação dos gêneros do que os escritores.

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O guia completoComo escrever ficção científica: hard, soft e o que muda — Os mestres do gênero ensinam a escrever ficção científica a partir de uma novidade que muda o mundo, o novum do teórico Darko Suvin, seguindo as consequências dela nas pessoas e revelando esse mundo por implicação, sem despejar explicação.

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Autoria: Verse MediaRevisado em 27 out. 2026Passos conferidos em 27 out. 2026Publicado em 27 out. 20264 fontes · 2 no integral

Lidas no texto integral

Lidas em resumo ou pela referência

  • Bráulio Tavares, O que é ficção científica, Brasiliense, 1986, p. 11, citado em EDUFMA, cap. 1.
  • Gary K. Wolfe, Critical Terms for Science Fiction and Fantasy, 1986, citado pela SFE.
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VERSE MEDIA. Ficção especulativa. Enciclopédia Verse, 26 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/sci-fi/ficcao-especulativa. Acesso em: [data].

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