Sites parecidos com o Wattpad para publicar sua história
Para quem escreve, os sites parecidos com o Wattpad se separam pelo que pedem em troca. Os de fanfic e de web serial, como o Spirit, o Archive of Our Own e o Royal Road, não pagam o autor ou deixam o dinheiro correr por fora, e não pedem exclusividade. Os apps que pagam, como GoodNovel, Dreame e Webnovel, pagam uma parte da receita (a GoodNovel e o Dreame, também bônus por meta de escrita), em troca de contrato, muitas vezes exclusivo e de longo prazo. E três alternativas que listas seguiram recomendando, uma delas em abril de 2026, fecharam ou estão fechando: Kindle Vella, Radish e Tapas. Em português, fora do Wattpad, a comunidade de quem escreve está nos sites brasileiros de fanfic, como o Spirit, que proíbe vender, e o +Fiction (antigo Nyah!), cujos termos não foram conferidos; entre os apps que pagam, GoodNovel e Dreame têm site em português. Por que o próprio Wattpad não paga quem escreve em português está em como ganhar leitores (e dinheiro) no Wattpad.
Você já sabe que o Wattpad não paga quem escreve em português e foi procurar outro lugar para postar a mesma história. Cada site que abriu prometia algo diferente, sem deixar claro, de cara, o que ia pedir de volta.
A comparação entre os sites parecidos com o Wattpad — quem paga, o que cada um exige em troca (exclusividade, cessão de direitos) e quais já fecharam — para decidir onde postar a mesma história.
Foi procurar outro site para postar a mesma história depois de descobrir que o Wattpad não paga em português, e cada site prometia algo diferente sem deixar claro o que ia pedir de volta em direitos.
Nesta página
Quem procura onde ler cai nos mesmos sites, mas a pergunta aqui é de quem posta. O Webtoon, da mesma empresa dona do Wattpad, é de quadrinho: os termos dele definem o conteúdo do serviço como webcomics e quadrinhos digitais.
Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.
Quais são os sites parecidos com o Wattpad?
São de três famílias, e o que as separa é o documento que o autor aceita ao postar: os termos de uso que só pedem licença para exibir (Royal Road, Inkitt, Wattpad), os que proíbem ganhar dinheiro (Spirit, AO3) e o contrato que cede direitos em troca de pagamento (GoodNovel, Dreame, Webnovel). A tabela reúne o que os documentos de cada um diziam em 24/09/2026; os contratos de autor, que não são públicos, estão na versão que o Writer Beware analisou.
| site | quem opera | português | como o autor ganha | o que o autor cede | estado em 24/09/2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Wattpad (a régua) | Webtoon Entertainment | aceito para publicar | Originals só em seis idiomas, sem o português; prêmios dos Wattys | licença não exclusiva, para publicar no serviço | ativo |
| Spirit Fanfics e Histórias | Spirit Tecnologia, empresa brasileira, com foro em São José do Rio Preto (SP) | site brasileiro | nada: os termos proíbem vender, anunciar e pôr link para loja, financiamento coletivo ou assinatura | os termos não têm cláusula de licença; o site pode remover conteúdo sem aviso e recomenda guardar cópia | ativo, agora em spiritfanfiction.com; 325.085 histórias originais no contador do site |
| +Fiction (antigo Nyah! Fanfiction) | site brasileiro, no ar desde nov/2005 | site brasileiro | sem informação conferida | termos não conferidos | ativo com o nome novo, com originais e fanfics |
| Archive of Our Own (AO3) | Organization for Transformative Works | não conferido | nada: proíbe pedir doação, linkar Patreon e oferecer encomenda paga, inclusive em obra original | não conferido | ativo |
| Royal Road | Not Yet Media, empresa de Israel | não conferido | botão de doação (PayPal ou Patreon), sem porcentagem do site; desativado para fanfic | licença não exclusiva e revogável para exibir e promover no site | ativo |
| Scribble Hub | operado dos Estados Unidos | não conferido | os termos não preveem pagamento ao autor | os termos não têm cláusula de licença | ativo |
| GoodNovel | Singapore New Reading Technology, de Singapura | site e programa de autor em português | bônus por meta de palavras e parcela do lucro, por contrato exclusivo ou não exclusivo | termos de uso: licença não exclusiva para hospedar e exibir; o contrato é outro documento | ativo |
| Dreame | Stary, de Singapura | site em português, com menu "Torne-se um Escritor" | bônus de atualização diária e, em geral, 50% (exclusivo) ou 30% (não exclusivo) da receita líquida, por contrato | termos de uso: licença perpétua e irrevogável sobre o que se posta; contrato analisado pelo Writer Beware em 2022: todos os direitos, pelo prazo do copyright | ativo |
| Webnovel | Cloudary Holdings, de Hong Kong (a contratante no contrato de 2023) | não conferido | 50% da receita líquida, com repasse a partir de US$ 200, por contrato | contrato analisado pelo Writer Beware em 2023: licença exclusiva e perpétua de todo o copyright, pela vida do autor mais 50 anos | ativo (concurso de 2026 anunciado, por resumo de busca) |
| Inkitt (e o app pago Galatea) | Inkitt GmbH, de Berlim | o Galatea tem vitrine em português, de títulos traduzidos; publicar em português na Inkitt não conferido | as histórias com melhor retenção vão para o Galatea, que o leitor paga | Inkitt: licença de exibição que termina num prazo razoável depois que o autor apaga a obra, salvo os termos de uma promoção especial | ativo |
O FanFiction.Net ficou fora: os termos de uso não abriram até 24/09/2026.
Das alternativas que listas ainda recomendavam, três saíram ou estão saindo do mapa: o Kindle Vella, da Amazon, fechou em 26/02/2025; a Radish anunciou o fim para 31/12/2025; e o fechamento da Tapas foi noticiado em 22/09/2026, sem data de fim publicada até 24/09/2026. A lista do bibli, publicada em abril de 2026, ainda recomendava o Vella e a Radish entre as melhores alternativas do ano. Entre as que seguem abertas, o primeiro corte é o dinheiro: quem paga, quanto e em troca de quê.
Qual site parecido com o Wattpad paga?
Os que pagam dentro da plataforma pagam pela constância da escrita e por uma parte de uma receita que eles mesmos definem, em troca de contrato; nos que não prendem a obra, o dinheiro vem de fora deles.
A GoodNovel publica em português as regras do programa de autores de 2026: com 5 mil palavras publicadas, o autor já pode pedir contrato, exclusivo ou não. O exclusivo paga US$ 50 quando o livro chega a 30 mil palavras, US$ 150 no mês em que o autor publica pelo menos 50 mil palavras em 25 dias ou mais, e um bônus de US$ 200 a US$ 325 ao terminar livros de 150 mil palavras ou mais, desde que tenham rendido pelo menos US$ 20 de parcela de lucro. A partir do quarto pagamento, o bônus mensal só sai se o livro render US$ 20 no mês, e seis meses sem atualizar tiram o direito ao bônus de conclusão. O contrato do Dreame que o blog Writer Beware analisou faz conta parecida: o bônus de atualização diária exige um capítulo por dia, 50 mil palavras ou mais por mês e no máximo dois dias de ausência. Na nossa leitura, o que esses programas pagam primeiro é volume e regularidade; o leitor entra depois, pela parcela da receita.
O preço está no contrato. O do Webnovel, lido por Victoria Strauss, que mantém o Writer Beware, blog de alerta a escritores sobre contratos e golpes, pedia em janeiro de 2023 licença mundial, exclusiva, perpétua e irrevogável de todo o copyright da obra, com áudio, impresso, cinema e TV, tradução e merchandising, pela vida do autor mais 50 anos, sob a lei de Hong Kong; o autor só podia sair se o Webnovel descumprisse o contrato, recebia 50% da receita líquida e ficava proibido de fazer declarações adversas à exploração da obra. O da Stary, dona do Dreame, na versão analisada em 2022, toma todos os direitos pelo prazo do copyright, com sublicença sem aprovação do autor; a saída só vem depois de 36 meses, se o livro tiver rendido menos que um teto, e devolvendo o que o autor recebeu. Em outubro de 2024 o teto caiu de US$ 200 para US$ 50 por livro, e em junho de 2025 Strauss registrou autores abaixo do teto do contrato deles (um, bem abaixo dos US$ 200) que tiveram a saída recusada ou ficaram sem resposta, dizendo não saber se era caso isolado ou política da empresa. "Receita líquida", nos dois contratos, é definida pela própria empresa; o percentual não se compara ao direito autoral calculado sobre o preço de capa (a leitura é nossa).
Na Inkitt, de Berlim, o site onde se posta não paga nem prende; o dinheiro está em outro app da empresa, o Galatea. Os termos de uso dizem que o autor continua dono do que posta e só dá licença para exibir, licença que termina num prazo razoável depois que ele apaga a obra, salvo o que disserem os termos de uma promoção especial. Para o Galatea, um algoritmo leva as histórias com melhor retenção de leitores. Em 2021, o fundador Ali Albazaz disse à TechCrunch que a maioria dos escritores do Galatea tinha feito mais de US$ 100 mil em vendas; são números da empresa, sem auditoria. A Radish tinha mais de 2 mil autores no fim, segundo a Publishers Weekly, e os mais bem-sucedidos chegaram a ganhar mais de US$ 40 mil por mês no auge. Os contratos por trás desses ganhos, do Galatea e da Radish, não foram abertos, e o número não se lê sem o contrato.
Para ler um contrato desses, a Alliance of Independent Authors (ALLi), associação internacional de autores independentes, publicou em 2024 sete bandeiras vermelhas: renúncia aos direitos morais, tomada ampla de direitos, pagamento sobre lucro líquido, falta de transparência, cláusula que proíbe falar mal da empresa, direito de preferência excessivo e multa ou perda de ganhos na saída. A cláusula de saída é, na nossa leitura, a mais fácil de conferir: um contrato justo, para a ALLi, deixa o autor sair se a plataforma descumprir o combinado ou depois de um prazo fixo, sem devolver tudo o que ganhou. Pelos trechos descritos acima, os contratos do Webnovel e da Stary acendem pelo menos três bandeiras cada (a conta é nossa).
Nos sites que não prendem a obra, o dinheiro corre fora. O Royal Road deixa o autor pôr um botão de doação, por PayPal ou Patreon, no pé de cada capítulo da história aprovada, sem ficar com porcentagem, e desativou a doação para fanfic; a assinatura Premium de autor é o autor quem paga, para ter estatísticas e ferramentas. O Patreon fica com 10% do que o criador ganha, mais taxas de pagamento e saque; o Substack, com 10% de cada transação, mais a taxa do cartão. AO3 e Spirit vão além e proíbem o comércio. O AO3 não deixa pedir doação nem linkar o Patreon em lugar nenhum do site, inclusive em obra original, e não aceita nem a menção a capítulos antecipados vendidos em outro lugar; os termos do Spirit proíbem vender ou anunciar livros e capítulos, com link para Amazon, financiamento coletivo ou assinatura.
Mesmo sem comércio, o AO3 já levou uma autora ao mercado. A romancista Ali Hazelwood contou à Collider, em 2021, que escrevia fanfic no AO3 quando uma agente literária leu as histórias dela lá e mandou mensagem; Hazelwood mandou a ela a fic que achava mais fácil de retrabalhar e assinou com a agente; a reescrita veio depois. A fic, de Star Wars, virou The Love Hypothesis, com personagens novos, publicado em 2021. O AO3 não pagou nada; deu a leitura que uma agente foi buscar.
Onde estão os leitores em português?
Fora do Wattpad, a comunidade brasileira de ficção que dá para medir está nos sites nacionais de fanfic, que não pagam; os apps que pagam chegam ao português de jeitos diferentes: a GoodNovel com programa de autor na língua, o Dreame com site e menu para escritor, o Galatea só com vitrine de títulos traduzidos.
O Spirit Fanfics e Histórias, da Spirit Tecnologia, empresa brasileira com foro em São José do Rio Preto (SP), se apresenta como plataforma para autopublicação de livros e mostrava, em 24/09/2026, 325.085 histórias na categoria de originais, além das fanfics. Segundo o TecMundo, ficou conhecido por volta de 2013, com categorias de fanfic sobre pessoas famosas. Os termos proíbem vender e anunciar; a única promoção permitida é pelos anúncios oficiais, nas opções que a própria plataforma oferece.
O Nyah! Fanfiction, no ar desde novembro de 2005, é o veterano. Um artigo de 2017 da revista Temática, da UFPB, das pesquisadoras Lívia Cirne, Jaciane Barreira Oliveira e Thayná da Silva Freire, registra, com números do próprio site, cerca de 16 mil fanfics e mais de 300 mil usuários cadastrados em 2013. O mesmo artigo descreve o que o site dava a quem começava: uma Liga dos Betas, de leitores que ajudam o autor iniciante com gramática, coesão e coerência, uma seção com regras do português, desafios de escrita e os comentários. Hoje o endereço abre o +Fiction, que se declara sucessor do Nyah!, com originais e fanfics; segundo o trecho do FAQ que aparece na busca (a página não abriu), contas e histórias foram mantidas na troca de nome.
Nos apps que pagam, o português aparece em graus diferentes. A GoodNovel publica na língua as regras do programa de autores, e o site do Dreame em português tem no menu o item "Torne-se um Escritor", embora a página de benefícios em português não tenha aberto. O Galatea, da Inkitt, marca os títulos traduzidos da vitrine como "(Português Brasileiro)", como Mason, de Zainab Sambo. Se a Inkitt e o Webnovel aceitam histórias escritas em português, os sites não permitiram conferir até 24/09/2026.
Nada impede usar mais de um ao mesmo tempo, até o dia em que um contrato impede.
Dá para postar a mesma história em mais de um site?
Dá, enquanto nenhum contrato pedir exclusividade: a exclusividade vem do contrato pago e do KDP Select da Amazon; nenhum dos termos de uso que abrimos a pede, mas o do Dreame fica com a licença para sempre e o AO3 não deixa tirar a obra do ar para publicá-la (os do Webnovel e do +Fiction não abriram). E licença não exclusiva pode seguir valendo depois que a história sai do ar.
Os termos do Royal Road pedem licença não exclusiva e revogável; os da Inkitt, uma licença que termina num prazo razoável depois que o autor apaga a obra, salvo os termos de uma promoção especial; os de uso da GoodNovel, licença não exclusiva para hospedar e exibir; e os do Wattpad, licença não exclusiva, limitada a publicar no serviço. Não exclusiva quer dizer que o autor pode publicar em outro lugar; não diz se o site para de usar o texto quando ele sai. Os termos de uso do Dreame, na versão de setembro de 2025, e os do Webtoon Canvas pedem licença não exclusiva, porém perpétua e irrevogável. Nos contratos, a exclusividade vem por escrito, e às vezes de um jeito menos óbvio: o contrato não exclusivo da GoodNovel exige que o livro seja concluído primeiro lá.
O KDP Select, programa da Amazon que põe o e-book no Kindle Unlimited, dá à Amazon, em inscrições de 90 dias, a exclusividade de vender e distribuir em formato digital o livro e qualquer livro substancialmente semelhante. Como a cláusula fala em distribuir, e não só em vender, a série grátis em outro site conflita com a inscrição enquanto estiver no ar (a leitura é nossa, sobre o texto da cláusula). O Royal Road tem um status para isso, o "Stub", para a história que deixou de estar inteira no site, e dá como exemplo de motivo os contratos de exclusividade como o do Kindle Unlimited; o leitor precisa sair do site ou pagar para ler o resto. O AO3 vai no sentido contrário e não deixa a fic virar amostra: proíbe prévia de obra comercial e proíbe apagar boa parte de uma obra porque alguma versão dela foi ou será publicada profissionalmente.
O outro risco é o site fechar. O Kindle Vella encerrou em 26/02/2025: as histórias saíram de venda, quem tinha comprado seguiu lendo nos apps Kindle, o painel de relatórios do autor sumiu, e a Amazon recomendou republicar as histórias como e-book. A Radish avisou por e-mail, em julho de 2025, que ia encerrar o app em 31/12/2025, prometendo pagar direitos na taxa normal até o fim; a reportagem da Publishers Weekly não diz nada sobre devolver direitos aos autores. A Tapas, que a Kakao Entertainment tinha fundido com a Radish em 2022, teve o fechamento noticiado em 22/09/2026 pelo jornal coreano Money Today, segundo o qual a Kakao ia avisar editoras e detentores de direitos naquele dia, num aviso que deveria trazer o cronograma, a gestão das obras e o acerto de contas. Os termos do Spirit dizem ao autor que guarde cópia do que publica; o conselho serve para qualquer um desses sites.
Do que depende a escolha
A resposta muda com cinco condições:
- Fanfic ou história original. Fanfic cabe no AO3, no Spirit e no +Fiction; nenhum dos dois primeiros deixa ganhar com ela, e o Royal Road desativou a doação para fanfic.
- Gênero. A Seattle Met chama o Royal Road de site de LitRPG, e a Slate, de plataforma de web serial; foi nesse nicho que Dungeon Crawler Carl começou. A vitrine em português do Galatea mostra romance traduzido, marcado como "(Português Brasileiro)", como Mason, de Zainab Sambo.
- Idioma. Em português, com leitor brasileiro: Wattpad, Spirit e +Fiction; em português e pago: GoodNovel e Dreame, que têm site na língua.
- Ritmo. Os programas pagos cobram produção: 50 mil palavras por mês em 25 dias ou mais na GoodNovel, um capítulo por dia no bônus diário do Dreame. Quem escreve devagar recebe só a parcela da receita, quando recebe.
- Planos para o livro depois. Quem pretende pôr o e-book no Kindle Unlimited vai ter de tirar a versão grátis do ar enquanto estiver no programa; quem quer oferecer a obra a editora ganha margem se o site não tiver pedido exclusividade, licença perpétua nem os direitos de áudio e tradução (a leitura é nossa).
Exemplo: *Dungeon Crawler Carl*, do Royal Road à Penguin
O caso de Dungeon Crawler Carl, série de LitRPG do escritor Matt Dinniman, passa por quase todos os critérios da tabela e fica, na nossa leitura, no polo oposto ao dos contratos que pagam por meta de escrita e parcela da receita.
Dinniman começou a postar a história no Royal Road sem planejar sequer publicar na Amazon: era, nas palavras dele à revista Seattle Met, o projeto divertido dele. Antes de viver da série, viajava por exposições de gatos vendendo desenhos dos bichos aos donos; quando a pandemia parou esse circuito, conta a Slate, passou a vender os livros na loja Kindle e abriu um Patreon, que em fevereiro de 2026 tinha cerca de 15 mil membros pagantes. O primeiro livro saiu na Amazon em outubro de 2020, e o audiolivro, pela produtora Soundbooth Theater, poucos meses depois; foi com o áudio, segundo a Publishers Weekly, que a série decolou. Segundo o próprio Dinniman, citado pela Slate em fevereiro de 2026, o audiolivro vende mais que o impresso e o e-book somados.
A editora chegou depois do público. Quando a Ace, selo da Penguin Random House, comprou os três primeiros livros, em abril de 2024, Dinniman já tinha vendido 800 mil exemplares dos livros 1 a 6 somando impresso, e-book e áudio; foi a primeira aquisição de LitRPG do selo. O contrato cobriu só o impresso: ele manteve os direitos digitais. Em dezembro de 2025, segundo o New York Times, citado pela Seattle Met, a série, então com sete livros, passava de 6 milhões de exemplares (a Slate dá o mesmo número em fevereiro de 2026). A NBCUniversal comprou a opção de adaptação para TV, e a Seattle Met fala numa série em desenvolvimento para o Peacock.
Passado pela tabela:
| critério | Dungeon Crawler Carl |
|---|---|
| onde postou | Royal Road, de graça, em capítulos |
| gênero | LitRPG, o nicho forte do site |
| o que o site pede hoje | licença não exclusiva e revogável para exibir (termos de 01/09/2026; os da época não foram conferidos) |
| de onde veio o dinheiro | Kindle, Patreon e audiolivro, todos fora do Royal Road |
| o que cedeu, e a quem | o impresso à Ace (o e-book ficou com ele), depois de 800 mil exemplares vendidos; o audiolivro saiu pela produtora Soundbooth Theater e a opção de TV foi para a NBCUniversal |
Pelos termos de hoje, a licença do Royal Road não impediria nenhum desses passos. Com o contrato do Webnovel descrito acima, a mesma história teria entregado de saída, e de uma vez, o áudio, a tradução e a adaptação; no caso de Dinniman, o impresso foi para a Ace, o audiolivro saiu pela Soundbooth Theater e a opção de TV foi para a NBCUniversal, cada um com um parceiro diferente, e o áudio virou, segundo ele, o formato que mais vende a série (a comparação é nossa). É a troca que cada site da tabela propõe, medida num caso que deu certo, e um caso que deu certo não diz quantas séries tentaram o mesmo.
Continue por aqui
O guia-mãeComo ganhar leitores (e dinheiro) no Wattpad — Em setembro de 2026, o único programa do Wattpad que reparte com o autor o que o leitor paga, o Wattpad Originals, só aceita seis idiomas, e o português não está entre eles.Guias do mesmo assunto
Termos usados nesta página
Quem fala sobre isso 3pessoas
- Sarah Brouilletteprofessora do Departamento de Inglês da Carleton University, Ottawa (2023)
Obra sobre trabalho e dinheiro no Wattpad: "Wattpad, Platform Capitalism, and the Feminization of Publishing Work", Book History, 2023.
Página ↗ - Victoria Strausscofundadora do Writer Beware, projeto de alerta a escritores ligado à Science Fiction and Fantasy Writers Association; romancista (2022)
Obra sobre contrato de concurso do Wattpad: "Keeping Moral Rights: A Wattpad Contest Controversy", Writer Beware, 2022.
Página ↗ - Janet Reidagente literária em Nova York, à frente do blog Janet Reid, Literary Agent (2020)
Obra sobre postar no Wattpad e depois buscar editora: "Querying work you posted for free", 2020.
Página ↗
O que a rede diz 6 vozes
YouTubeConta como foi postar o próprio livro, O Azul do Meu Passado, no Wattpad e responde duas dúvidas de quem escreve: se vale a pena publicar lá e se dá para ganhar dinheiro na plataforma.
Victória SilvaYouTube ↗
YouTubeNuma conversa franca sobre a própria escrita, a autora diz como começou, se já ganhou dinheiro escrevendo e como é a relação com os leitores e com os comentários que recebe nas histórias do Wattpad.
FicçomosYouTube ↗
YouTubeA autora reúne cinco dicas para ter mais leitores no Wattpad; na descrição do mesmo vídeo, pede apoio à campanha de financiamento coletivo que levaria o livro dela, Querido Bebê, ao papel.
Julia BragaYouTube ↗
YouTubeDiz ter milhões de leitores no Wattpad e receber todo dia mensagens de gente perguntando como fazer sucesso lá; o vídeo junta as dicas que ele gostaria de ter ouvido quando começou.
Felipe SaliYouTube ↗
YouTubeDefende que há situações em que não compensa pôr a história no Wattpad e que é preciso saber distingui-las; aponta a venda de livro digital como o caminho para ganhar dinheiro com a escrita.
Lucas de LuccaYouTube ↗
TikTokUsou o Wattpad como filtro para saber se a primeira novela seria bem recebida; pela reação dos leitores, decidiu se autopublicar, e divide o que funcionou para ela.
@autorapaulamcaroTikTok ↗
O que está acontecendo
- A Hipótese do Amor nasceu como fanfic de Star Wars: entenda ↗
O filme A Hipótese do Amor é baseado em livro homônimo escrito por Ali Hazelwood. Obra começou como uma fanfic sobre o universo de Star Wars
- Ilustradora transforma história do Wattpad em livro, música e clipe ↗
"Muito Mais que Trinta Dias" chegou às livrarias em julho e trouxe um final inédito, que não estava na plataforma, e "Wonderful Mistake", canção criada especialmente para o livro
- BookTok: Como o TikTok muda o consumo e a produção de livros ↗
Pesquisador e autor Gabriel Matos explica como lógica algorítmica atraiu jovens para o hábito de ler…
- Como o BookTok virou motor das adaptações literárias, segundo diretor do TikTok ↗
De Off Campus a Véspera, livros que viralizam na plataforma passaram a influenciar não apenas leitores, mas também o mercado de cinema e streaming
A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
Lidas no texto integral
- Royal Road, "Terms of Service", atualizados em 01/09/2026; Knowledge Base, "Donation", "Fiction Status" e "Author Premium", consultados em 24/09/2026.
- Amazon, "Kindle Direct Publishing Terms and Conditions", seção KDP Select, consultados em 24/09/2026; Amazon KDP, "Kindle Vella Update FAQ", consultado em 24/09/2026.
- Inkitt GmbH, "Terms of Service", sem data de versão, consultados em 24/09/2026.
- GoodNovel, "Terms of Use", consultados em 24/09/2026; "Programa de recompensas para autores 2026", página Benefícios para escritor, consultada em 24/09/2026.
- STARY PTE. LTD., "Terms of Service — Dreame", publicados em 18/09/2025; Dreame, página inicial em português, consultada em 24/09/2026.
- Galatea, página inicial em português, consultada em 24/09/2026.
- Organization for Transformative Works, Archive of Our Own, "Terms of Service FAQ", parte Commercial Promotion, consultada em 24/09/2026.
- Spirit Tecnologia, "Termos de Uso" do Spirit Fanfics e Histórias, última alteração em 16/03/2026 (versão em inglês entregue pelo servidor).
- +Fiction (antigo Nyah! Fanfiction), página inicial, consultada em 24/09/2026.
- Scribble Hub, "Terms of Service", consultados em 24/09/2026.
- Patreon, "Pricing"; Substack Support, artigo sobre taxas de assinatura paga; consultados em 24/09/2026.
- WEBTOON, "Terms of Use" e "Canvas Terms of Use", consultados em 24/09/2026.
- Money Today, "[Exclusive] Kakao Entertainment to shut down Tapas", 22/09/2026.
- Alliance of Independent Authors, "Seven Red Flags in Serialized Fiction Contracts", com John Doppler, 30/09/2024.
- Victoria Strauss, "Bad Contract Alert: Webnovel", Writer Beware, 20/01/2023; "Bad Contract Alert: Stary (aka Dreame)", Writer Beware, 03/06/2022 (texto de 2022).
- Jim Nawotka, "Four Years After Buying It for $440 Million, Kakao to Shutter Radish Fiction", Publishers Weekly, 08/07/2025.
- Ingrid Lunden, "Inkitt inks a $59M investment…", TechCrunch, 04/10/2021.
- Lívia Cirne, Jaciane Barreira Oliveira e Thayná da Silva Freire, "Fãs produtores, inteligência coletiva e letramento: uma observação do site Nyah!Fanfiction", Temática (UFPB), ano XIII, n. 12, dez/2017.
- "Fanfics: 5 sites e aplicativos gratuitos alternativos ao Wattpad", TecMundo, 01/08/2021.
- Eric Olson, "How a Dungeon Crawler Took Over the World", Seattle Met, 11/05/2026.
- Laura Miller, resenha de Dungeon Crawler Carl, Slate, 07/02/2026.
- Vivian Nguyen, "LitRPG Goes Mainstream", Publishers Weekly, 11/10/2024.
- Carly Lane, entrevista com Ali Hazelwood, Collider, 27/09/2021.
- Listas de alternativas ao Wattpad medidas: MakeUseOf, 06/06/2021; Writeseen, 26/05/2025; bibli, 22/04/2026 (a do bibli citada no texto como exemplo de lista desatualizada; as outras não usadas como fonte de fato).
Lidas em resumo ou pela referência
- Victoria Strauss, atualizações de 25/10/2024 e 24/06/2025 de "Bad Contract Alert: Stary (aka Dreame)", Writer Beware (resumo com trechos).
- +Fiction, "FAQ" (trecho pelo resultado de busca; a página deu 403).
- Spirit Fanfics e Histórias, título da página inicial e redirecionamento para spiritfanfiction.com (conferido o redirecionamento; título pelo resultado de busca).
- Webnovel, "WSA Writing Contest in 2026" (resumo do resultado de busca; a página deu 403).
- Tara Bennett, sobre The Love Hypothesis e a fic de origem, AV Club, 22/09/2026 (resumo).
- The New York Times, dez/2025, sobre as vendas de Dungeon Crawler Carl (via Seattle Met; não aberto).
VERSE MEDIA. Sites parecidos com o Wattpad para publicar sua história. Enciclopédia Verse, 24 set. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/plataformas-e-canais/plataformas-sociais-de-leitura/sites-parecidos-com-wattpad. Acesso em: [data].
Achou um erro ou um número vencido? Escreva para enciclopedia@versemedia.com.br com o endereço desta página.
Enciclopédia Verse · Plataformas Sociais de Leitura Voltar ao topo