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Editora turca perseguida por obras curdas vence prêmio americano de liberdade

A Avesta Publishing House, que já teve depósito incendiado e site banido pelo governo da Turquia, recebe a honraria da associação de editores dos EUA.

Retrato em preto e branco de Abdullah Keskin, editor turco que fundou a Avesta em 1995
Divulgação/Association of American Publishers

A editora turca Avesta Publishing House venceu o prêmio Internacional de Liberdade de Publicação de 2026, segundo a Associated Press na quarta-feira (7).

Concedida pela Associação de Editores Americanos (AAP), a honraria reconhece a coragem e a força na defesa da liberdade de expressão por casas editoriais fora dos Estados Unidos. A Avesta, sediada em Istambul e fundada em 1995 pelo editor Abdullah Keskin, já havia recebido o mesmo prêmio em 2005.

A presidente da AAP, Maria A. Pallante, afirmou em comunicado que o compromisso da editora apenas se fortaleceu nas últimas duas décadas, apesar das ameaças contínuas. A editora dedica seu catálogo à cultura, à história e à literatura dos curdos, a maior minoria étnica da Turquia, que há décadas trava disputas com o governo por autodeterminação e pelo uso do próprio idioma na educação e nos serviços públicos.

Por causa desse foco, a empresa acumula um histórico de perseguição e censura. A Avesta já enfrentou o incêndio de um de seus depósitos, a proibição de diversos livros e o bloqueio temporário de seu site, que chegou a ser classificado como "propaganda terrorista" pelo governo turco em 2023. Para Keskin, receber o prêmio pela segunda vez dá um enorme impulso à missão de incentivar a pesquisa e a literatura curda.

O prêmio coincide com uma mudança no cenário político local. No ano passado, o grupo militante Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) anunciou o fim de sua insurgência armada. Desde então, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, aprovou leis que oferecem perdão a milhares de militantes curdos, sob a condição de que as autoridades confirmem o desarmamento. Um porta-voz da Avesta afirmou à agência que a editora ainda não sentiu mudanças concretas no tratamento que recebe do Estado, mas mantém a esperança de melhora.

Dica pro Autor

Se o seu livro aborda temas censurados ou minorias perseguidas, mapeie prêmios e associações internacionais de liberdade de expressão. O reconhecimento externo é uma ferramenta prática que você pode usar para dar visibilidade à obra e buscar proteção institucional contra retaliações locais.

Fonte e apuração

Fonte original
Associated Press, 07 OUT ↗
Também em
Kurdistan24 ↗
Data do fato
07 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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