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Feira do Livro de Rosário abre com alerta contra a nova "censura da ignorância"

A historiadora Marcela Ternavasio apontou que os censores de hoje não precisam ler a obra para atacá-la, bastando o preconceito ideológico.

Retrato da historiadora Marcela Ternavasio usando óculos e jaqueta de couro preta.
Wikimedia Commons/Mauricio V. Genta (CC BY-SA 4.0)

A historiadora argentina Marcela Ternavasio abriu a edição de 2026 da Feira do Livro de Rosário com um alerta sobre a mudança no perfil de quem ataca e proíbe os livros hoje, segundo o Infobae. No discurso de inauguração do evento, realizado no dia 10 de outubro, a autora afirmou que a sociedade atual passou de uma "censura ilustrada para uma censura da ignorância".

No passado, explicou a historiadora, os censores costumavam ser leitores. O trabalho de censura nos sistemas mais sofisticados exigia conhecimento e habilidades retóricas para fundamentar os motivos que levavam à proibição de um livro ou à exclusão de trechos considerados hereges, obscenos ou politicamente perigosos. Hoje, a dinâmica mudou drasticamente. Segundo Ternavasio, já não é preciso ler, conhecer ou ter qualquer capital cultural para censurar ou desprestigiar uma obra, bastando dar rédea solta ao preconceito ideológico.

O evento de abertura, que reuniu autoridades e a indústria editorial no centro cultural Fontanarrosa, também foi marcado por críticas ao desfinanciamento da cultura, da ciência e da educação por parte do Estado Nacional argentino. A ministra da Cultura da província de Santa Fe, Susana Rueda, destacou o papel da indústria cultural como promotora de emprego num momento em que a desocupação cresce no país.

O prefeito da cidade, Pablo Javkin, somou ao debate os riscos tecnológicos do presente. Ele defendeu que, diante de um cenário em que a humanidade parece se render aos algoritmos, é preciso sustentar os encontros de arte e pensamento. Javkin afirmou que nenhuma inteligência artificial será capaz de inventar mundos com a mesma complexidade da literatura humana e que defender a imaginação é um dever civilizatório contra a ameaça da ignorância.

Para quem escreve e publica, o cenário descrito na feira aponta para um ambiente onde o livro se torna alvo de batalhas culturais e as palavras viram armas para impor certezas preconcebidas. Diante de tanta prepotência, Ternavasio propôs que o maior desafio dos trabalhadores da cultura é saber administrar a palavra e capitalizar a pausa criativa que a escrita e a leitura exigem.

Dica pro Autor

Prepare-se para críticas e ataques que não dialogam com o texto da sua obra. Se o seu livro virar alvo de polêmicas ideológicas na internet, avalie se vale a pena responder a quem julga a premissa sem nunca ter aberto as páginas.

Fonte e apuração

Fonte original
Infobae, 10 OUT ↗
Data do fato
10 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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