O escritor espanhol Luisgé Martín lançou o livro Desde el odio como uma resposta direta ao cancelamento de sua obra anterior, segundo a Zenda. Em março de 2025, a apenas cinco dias da data prevista para o lançamento, a editora que publicaria o título El odio decidiu retirar o livro de circulação, impedindo que os exemplares chegassem aos leitores.
A decisão de recolher o material não partiu de nenhuma ordem judicial ou veto estabelecido por lei. A publicação foi barrada exclusivamente pela pressão geral, pelo barulho na imprensa e pelo que o veículo espanhol classificou como uma inapelável condenação pronunciada pelas redes sociais. O caso ilustra como o tribunal da internet tem o poder de ditar o que chega ou não às prateleiras, mesmo sem amparo legal.
Agora, o autor volta ao tema amparado por novas casas editoriais. O livro de resposta chega ao mercado pela editora Altamarea, enquanto seus próximos projetos já estão garantidos também pela Galaxia Gutenberg. Ao falar sobre o lançamento e o atual estado de seu espírito, Martín definiu sua postura como combativa. Ele afirmou que, nestes tempos escuríssimos, é preciso lutar sem complexos, sobretudo os jovens, que têm muito a ganhar, e os mais velhos, que têm menos a perder.
A experiência com o cancelamento não afastou o autor do debate público. Questionado sobre a política, um ambiente que costuma gerar rejeição geral, Martín defendeu a atuação no setor. Tendo trabalhado como editor, escritor, gestor cultural, gerente de produto e consultor, ele declarou que foi justamente na política onde encontrou as pessoas mais nobres e idealistas, sendo a área onde conheceu mais gente boa.
Para Martín, que mantém uma biblioteca pessoal com milhares de volumes rigorosamente catalogados em planilhas, a resposta ao silenciamento veio em forma de livro. Desde 2006, ele anota maniaticamente em um arquivo Excel todos os livros que entram em sua casa. Nesses vinte anos, entraram 3.200 obras, das quais leu 1.750, uma média de um livro a cada quatro dias. Somando os exemplares anteriores a 2006 e a coleção de quadrinhos de seu marido, a casa abriga entre 6.000 e 7.000 volumes. O autor, que aponta a honestidade como o principal traço de seu caráter e a ira como seu maior defeito, fez da nova publicação a sua resposta a esse inesperado acontecimento.
Dica pro Autor
Avalie, antes de assinar um contrato, se a editora tem um histórico de ceder à pressão das redes sociais ou se ela banca as obras que decide publicar. Guarde os registros do seu processo criativo para o caso de precisar defender o seu texto publicamente.
Fonte e apuração
- Fonte original
- Zenda, 08 OUT ↗
- Data do fato
- 08 OUT
- Como foi feita
- rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado pela Redação Verse
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