Direito e poder censuraEstados Unidos

Inteligência artificial acelera censura e EUA batem recorde de livros banidos

Escolas usam chatbots para varrer catálogos em busca de temas sensíveis, o que fez o número de obras retiradas das prateleiras disparar.

Mesa com livros já proibidos em escolas americanas, cercada por fita amarela de 'Caution', na Semana do Livro Banido da biblioteca pública Hackley, em Michigan
Foto: Charles Hackley/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O número de livros banidos em escolas públicas dos Estados Unidos atingiu um recorde histórico no ano letivo de 2025-2026, impulsionado pelo uso de ferramentas de inteligência artificial. Foram quase 12 mil registros de censura, afetando 7.370 títulos únicos em 114 distritos, segundo relatório da organização PEN America repercutido pela Publishers Weekly.

O salto nos números se concentra no Texas e na Flórida, estados que aprovaram leis rigorosas contra conteúdo considerado "obsceno" nas bibliotecas escolares. Só o Texas registrou mais de 8.100 remoções, motivadas pela lei estadual SB13. Para dar conta da nova legislação, administradores passaram a usar chatbots para gerar listas de obras "indecentes". A inteligência artificial varre a internet e sugere a remoção de livros apenas por menções a temas difíceis, como violência ou racismo, sem levar em conta o contexto, a nuance ou a intenção da obra.

A ficção jovem adulto (YA) continua sendo o alvo principal da censura. Livros que abordam racismo, experiências queer e sexo lideram as listas de remoção. O título mais banido no último ano letivo foi Sold, de Patricia McCormick, que trata de tráfico sexual, seguido por Speak, de Laurie Halse Anderson, e Crank, de Ellen Hopkins. Nomes consagrados como Margaret Atwood, Sarah J. Maas e John Green também aparecem no levantamento.

A novidade do relatório é a perseguição aos mangás. Com o crescimento do formato japonês entre os leitores mais jovens no mercado americano, distritos escolares começaram a sinalizar séries inteiras para remoção de uma só vez, afetando dezenas de volumes em uma única canetada. Autores como Hajime Isayama (Attack on Titan), Atsushi Ohkubo (Soul Eater) e Rumiko Takahashi (Inuyasha) estão entre os mais frequentes nas listas de proibição.

Dica pro Autor

Prepare-se para defender o contexto da sua obra se ela tocar em temas sensíveis. Tenha na ponta da língua, ou no material de apoio do livro, a justificativa narrativa para as escolhas difíceis da história.

Fonte e apuração

Fonte original
Publishers Weekly, 04 OUT ↗
Data do fato
05 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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