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Madame Borges: escritora que acompanhou Jorge Luis Borges vira protagonista de romance

Florencia Etcheves transforma a administradora do legado do autor em personagem de uma viagem por Buenos Aires, em trama com 90% de fatos reais.

Máquina de escrever vintage sobre uma mesa de madeira ao lado de livros empilhados e um livro aberto em primeiro plano.
Imagem ilustrativa · Foto: Sóc Năng Động/Pexels

A escritora argentina Florencia Etcheves transformou María Kodama, escritora e tradutora que acompanhou Jorge Luis Borges até sua morte, na protagonista do seu novo romance, Madame Borges. A obra reconstrói a figura da mulher que administrou e difundiu o legado do autor por mais de trinta anos, segundo entrevista da autora publicada pelo Infobae em 24 de outubro de 2026.

O livro acompanha uma viagem de despedida de Kodama por Buenos Aires ao lado de um personagem fictício chamado Ceferino, um adolescente de catorze ou quinze anos, de origem humilde, que desconhece a obra de Borges e funciona como um ponto de vista ingênuo. Etcheves dedicou dois anos à pesquisa, analisando entrevistas onde a palavra "liberdade" era constante, e afirma que noventa por cento da trama se baseia em fatos, embora a obra seja uma ficção e não uma biografia. Para isso, ela releu toda a produção de Borges.

A escolha de retratar mulheres históricas questionadas pelo público repete a fórmula do livro anterior da autora, La cocinera de Frida, sobre Frida Kahlo. A estratégia tem apelo internacional: os direitos de Madame Borges foram vendidos para editoras da Itália e da França antes mesmo da publicação em espanhol. Na trama, Etcheves incluiu apenas uma preferência pessoal: destacou o conto Emma Zunz em vez de Las ruinas circulares, que era o favorito da verdadeira Kodama.

Para dar vida à história, Etcheves aplica um método rigoroso de construção de vozes. Após ouvir da editora Graciela Guillermo que seus personagens soavam todos iguais nos primeiros livros, a escritora passou a montar cadernos individuais para cada figura da trama. Ela mapeia pensamentos e falas exclusivas de cada um, mesmo que esse material nunca entre no texto final. Além disso, a autora usa sua experiência como repórter policial para manter distância emocional dos personagens, afirmando que seu objetivo principal é o entretenimento.

O sucesso da autora com o formato ficcionalizado foi reconhecido no mercado norte-americano. Em outubro de 2026, La cocinera de Frida venceu três medalhas no International Latino Book Awards, uma das principais premiações dos Estados Unidos para literatura em espanhol e bilíngue, incluindo o ouro na categoria de melhor primeiro livro de ficção em inglês.

Dica pro Autor

Crie um documento separado para cada personagem se as vozes deles soam parecidas no rascunho. Defina o vocabulário, o ritmo e o que eles pensam, para que o leitor saiba quem está falando mesmo sem a marcação do diálogo.

Na Enciclopédia: Ficha de personagem para livro: o que colocar e como usar →

Fonte e apuração

Fonte original
Infobae, 24 OUT ↗
Data do fato
24 OUT
Como foi feita
rascunho com apoio de IA a partir da fonte acima; apurado e editado por Ricardo Cestari
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