Editora independente
Editora independente é a casa editorial que, no uso corrente, se define por não pertencer a um conglomerado e por escolher o que publica, segundo o editor americano Joe Biel; no Brasil, o termo também nomeia um movimento associativo que nasceu em 2002. Não é sinônimo de editora pequena, embora a pesquisadora Samara Coutinho observe que, na maioria das vezes, elas sejam de pequeno porte. Um artigo de 2023 registra a dificuldade de defini-la e as tentativas de trocar o termo por outros.
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Este termo faz parte do guia sobre como funciona uma editora por dentro, na área de economia do livro.
Qual a diferença entre editora independente e small press?
Joe Biel, em People's Guide to Publishing (Microcosm, 2018), separa os dois termos. Small press é a editora cuja venda anual ou cujo número de títulos fica abaixo de certo patamar. Independent press é a que não pertence a conglomerado e escolhe o que publica, sobrevivendo ou não pelo desempenho desses livros, mesmo que tenha um dono maior. Pelo critério de Biel, uma se mede por venda ou número de títulos; a outra, por não pertencer a conglomerado e escolher o que publica.
De onde vem o uso brasileiro do termo?
Em 2002 nasceram duas associações sem fins lucrativos: no primeiro semestre, a Aliança dos Editores Independentes (AEI), de alcance internacional e sede na França; no segundo, a Liga Brasileira de Editoras (LIBRE). Ambas destacam o trabalho cooperativo e a bibliodiversidade; segundo os autores de um artigo de 2023, as independentes dão espaço a projetos que não circulariam em grandes casas editoriais. Em 2014, a assembleia de editores na Cidade do Cabo produziu uma Declaração Internacional de Editoras Independentes, assinada, segundo a PublishNews, por 400 editores de 45 países, o Brasil entre eles.
O que define uma editora independente no Brasil?
Os pesquisadores Marta Passos Pinheiro, Vívian Stefanne Soares Silva e Marcos Roberto do Nascimento, em artigo de 2023 na Pensares em Revista, relatam, a partir do estudo de Flávia Denise Pires de Magalhães (2018), definições que destacam a origem dos recursos econômicos e definições que fazem do termo uma bandeira de resistência às grandes editoras.
O artigo cita ainda Gilles Colleu (2007), que lista o que observar: catálogo de prestígio, presença em espaços de circulação que geram renda, independência econômica de modo que o retorno financeiro não seja o primeiro objetivo, e critérios éticos e qualitativos nas publicações. Samara Coutinho, em estudo de 2017 citado no mesmo artigo, observa que essas casas são na maioria pequenas, às vezes com um único funcionário, e atendem nichos que as grandes não cobrem.
A LIBRE, por sua vez, define-se como "rede de editoras colaborativas em favor do livro e da leitura" e exige da associada que se enquadre em quesitos como ser empresa idônea, não contratar trabalho infantil, ter práticas socialmente responsáveis e não publicar título que faça apologia do racismo, do fascismo, do sexismo ou da pedofilia. A página de associação não traz critério de porte nem de faturamento. Quantas casas a liga reúne e como isso se compara ao total do país está no guia sobre como funciona uma editora por dentro.
Editora independente é o mesmo que selo?
Não. O selo é um nome comercial da editora; uma editora independente pode ter vários, como mostra o guia sobre como funciona uma editora por dentro.
O que isso muda para quem escreve?
Os critérios acima tratam de dono, missão e porte; não tratam de contrato. Quanto a casa paga e que direitos pede está no guia sobre quanto uma editora paga ao autor, e a pergunta útil ao receber uma proposta é qual contrato está sobre a mesa, não qual rótulo a casa usa.
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O guia completoComo funciona uma editora por dentro: aquisição, conselho e catálogo — Por dentro, uma editora compra o direito de publicar e banca o risco: o editor escolhe o original, monta a projeção de vendas, o P&L, e decide sozinho, em algumas casas, ou defende o livro numa reunião com comercial e marketing, nas grandes.Também nesta enciclopédia
Em breve
Lidas no texto integral
- Marta Passos Pinheiro, Vívian Stefanne Soares Silva e Marcos Roberto do Nascimento, "Editoras independentes: considerações sobre a edição de literatura infantil no Brasil", Pensares em Revista, n. 28, 2023, p. 184–206. https://www.e-publicacoes.uerj.br/pensaresemrevista/article/download/76599/48064/291266
- LIBRE, página inicial e "Associe-se", abertas em 23/10/2026. https://libre.org.br/ ; https://libre.org.br/associe-se/
Lidas em resumo ou pela referência
- Joe Biel, People's Guide to Publishing, Microcosm, 2018 (ISBN 978-1-62106-313-1).
- PublishNews, "Independentes se unem pela bibliodiversidade", 02/12/2014. https://www.publishnews.com.br/materias/2014/12/02/79844-independentes-se-unem-pela-bibliodiversidade
- Gilles Colleu (2007), Samara Coutinho (2017) e Flávia Denise Pires de Magalhães (2018), lidos pela citação no artigo de Pinheiro, Silva e Nascimento.
VERSE MEDIA. Editora independente. Enciclopédia Verse, 23 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/mercado-e-industria/economia-do-livro/editora-independente. Acesso em: [data].
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