Cliffhanger
Cliffhanger é um recurso de ficção que deixa uma personagem central numa situação precária e sem solução, como um perigo súbito, um dilema difícil ou uma revelação chocante, ao fim de um episódio ou capítulo, segundo o Oxford Dictionary of Literary Terms, de Chris Baldick. O recurso é feito para estimular o público a voltar nos episódios seguintes, segundo Helen Fulton. A palavra, inglesa, vem da imagem de um homem agarrado a um penhasco, segundo David Lodge.
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De onde vem a palavra cliffhanger?
O Oxford English Dictionary registra cliff-hanger pela primeira vez em 1936, definido como um filme seriado em que cada episódio termina em situação desesperada e, por extensão, qualquer história em que o suspense seja a preocupação principal. O escritor David Lodge, em The Art of Fiction (1992), liga o nome ao suspense, palavra que vem de um verbo latino que significa pendurar; para ele, dificilmente haveria situação mais propícia ao suspense do que a de um homem agarrado pelas pontas dos dedos a um penhasco.
O termo nasceu do romance de Thomas Hardy?
Não, embora seja um engano frequente, segundo a jornalista Kathryn Schulz, em The New Yorker (2024). Em A Pair of Blue Eyes, romance do escritor inglês Thomas Hardy publicado na Tinsley's Magazine entre 1872 e 1873, o capítulo XXI termina com Henry Knight pendurado na encosta do "Cliff without a Name", e o capítulo seguinte retoma a cena. A cena existe no romance, mas o Oxford English Dictionary só registra cliff-hanger em 1936, para filmes seriados.
Como o final em suspense aparece na história da narrativa seriada?
O final em suspense antecede a palavra e o cinema: nas Mil e uma noites, Sherazade adia a própria execução a cada noite, moldura descrita em narrativa moldura.
No século XIX, o romance em fascículos de Charles Dickens deixou o público à espera de cada parcela, segundo Leslie Howsam, em The Cambridge Companion to the History of the Book (2015); na década de 1860, o final em suspense se tornara peça fixa dos seriados de sensação, segundo Rob Allen, em Serialization in Popular Culture (2014).
No cinema, o primeiro seriado desenhado em torno do recurso foi The Adventures of Kathlyn (Selig Polyscope, 1913), e esses seriados foram populares dos anos 1910 a meados dos anos 1950, segundo Raymond William Stedman, em Serials: Suspense and Drama by Installment (1971).
Como a narrativa seriada avisa que a história continua?
Narrativas seriadas podem terminar com avisos como "To Be Continued" ou "The End?", e na televisão o episódio seguinte costuma abrir com um resumo, segundo Jason Mittell, em Complex Television (2015). O recurso também gerou protesto: em 1976, a militante Mary Whitehouse reclamou da violência da terceira parte de The Deadly Assassin, de Doctor Who, em que a cabeça do Doutor é mantida debaixo d'água; ela dizia que as crianças só saberiam na semana seguinte se ele sobrevivera.
O que o cliffhanger muda para quem escreve?
Nem todo fim de capítulo precisa ser um cliffhanger: o guia sobre tensão narrativa mostra como fechar capítulos sem perigo físico, e o guia sobre gancho narrativo trata do recurso mais amplo de prender o leitor.
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O guia completoComo manter a tensão no meio do livro e chegar ao clímax — Para manter a tensão narrativa no meio do livro, faça a pergunta do leitor mudar ou encarecer a cada poucos capítulos, vire-a perto da metade e chegue ao clímax por uma escolha da protagonista que use o que o meio plantou.Termos vizinhos
Lidas no texto integral
- Thomas Hardy, A Pair of Blue Eyes, caps. XXI–XXII, Project Gutenberg (edição 224).
Lidas em resumo ou pela referência
- Chris Baldick, The Oxford Dictionary of Literary Terms, Oxford University Press, 2015, p. 62.
- Oxford English Dictionary, 2ª ed., 1989, vol. III, p. 321.
- Kathryn Schulz, "The Secrets of Suspense", The New Yorker, 27/05/2024. https://www.newyorker.com/magazine/2024/05/27/the-secrets-of-suspense
- Leslie Howsam, em The Cambridge Companion to the History of the Book, 2015, p. 85.
- Rob Allen, Serialization in Popular Culture, Routledge, 2014, p. 41.
- Raymond William Stedman, Serials: Suspense and Drama by Installment, University of Oklahoma Press, 1971, p. 6–9.
- David Lodge, The Art of Fiction, 1992, p. 14.
- Helen Fulton, Narrative and Media, Cambridge University Press, 2005, p. 118.
- Jason Mittell, Complex Television, NYU Press, 2015, p. 43.
- McNally, "Top 10: Doctor Who Cliffhangers", Starburst, 14/10/2013. https://www.starburstmagazine.com/features/feature-top-ten-doctor-who-cliffhangers
- Martin, "The Deadly Assassin: Doctor Who classic episode #8", The Guardian, 14/06/2013. https://www.theguardian.com/tv-and-radio/tvandradioblog/2013/jun/14/deadly-assassin-doctor-who-classic-episode
VERSE MEDIA. Cliffhanger. Enciclopédia Verse, 5 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/estrutura/cliffhanger. Acesso em: [data].
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