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Deus ex machina

Deus ex machina é o recurso em que um problema aparentemente insolúvel da história é resolvido de repente por uma ocorrência inesperada e improvável, que a trama não preparou. A expressão latina, que significa deus saído da máquina, vem do teatro grego. Fora da ficção, o termo é usado também na medicina, para supostos remédios mágicos que dificilmente funcionam na prática. O guia sobre recursos narrativos situa o recurso entre os que resolvem a trama.

Nesta página
  1. De onde vem a expressão deus ex machina?
  2. O deus ex machina sempre foi visto como defeito?
  3. Que exemplos existem além da tragédia grega?
  4. O que muda para quem escreve?

De onde vem a expressão deus ex machina?

A expressão latina é um decalque do grego apò mēchanês theós, e uma das ocorrências mais antigas da frase está no fragmento 227 do dramaturgo Menandro. A "máquina" era um aparato de palco: segundo Rehm (1992), o dramaturgo Ésquilo usou o recurso nas Eumênides, mas foi com Eurípides que ele se firmou, e mais da metade das tragédias de Eurípides que sobreviveram se resolvem com um deus ex machina.

Aristóteles, na Poética (cap. XV), reserva a máquina para o que fica fora do drama: o que veio antes e escapa ao saber humano, ou o que vem depois e precisa ser anunciado.

O deus ex machina sempre foi visto como defeito?

Não. Antífanes, dramaturgo grego, é apontado como um dos primeiros críticos do recurso: para ele, usá-lo era sinal de que o autor não conseguia lidar com as complicações da própria trama, segundo Handley (1999). Na defesa, Flickinger (1926) e Abel (1954) sustentaram que em Eurípides o recurso era coerente, porque os deuses que causaram o conflito são os mesmos que o resolvem.

Entre os críticos modernos, L. Kip Wheeler, da Carson-Newman University, escreve que o recurso quebra a lógica interna da história e desafia a suspensão da descrença do leitor. Em artigo de 2022, Vaatmann registra que os defensores do recurso veem nele possibilidades ideológicas e artísticas.

Que exemplos existem além da tragédia grega?

Shakespeare usa o recurso em As You Like It, Pericles, Prince of Tyre e Cymbeline, segundo Rehm (1992). Em Oliver Twist, de Charles Dickens, Rose Maylie se revela irmã de Agnes e, portanto, tia de Oliver, e depois se casa com seu antigo namorado, Harry, o que permite que Oliver viva feliz com o benfeitor, o sr. Brownlow, segundo A Glossary of Literary Terms (1993). No cinema recente, o jornal USA Today registrou em 2019 a crítica de que a chegada tardia da Capitã Marvel à batalha final de Avengers: Endgame beirava o deus ex machina.

O que muda para quem escreve?

Quem escreve pode usar o termo como pergunta de revisão: a saída vem de dentro da história ou de fora dela? O guia sobre como terminar um livro separa o final resolvido do deus ex machina, e o prenúncio é o termo da saída plantada antes.

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O guia completoRecursos narrativos: o que são, quais são e quais viraram clichê — Recursos narrativos são as técnicas com que o autor decide o que o leitor sabe, quando sabe e o que move a trama: prenúncio, pista falsa, reviravolta, flashback, MacGuffin e deus ex machina, entre outros.

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Como esta página foi feita
Autoria: Verse MediaRevisado em 6 out. 2026Passos conferidos em 6 out. 2026Publicado em 6 out. 202613 fontes · 1 no integral

Lidas no texto integral

  • Aristóteles. Poética, cap. XV, trad. S. H. Butcher.

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Cite esta página
VERSE MEDIA. Deus ex machina. Enciclopédia Verse, 5 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/estrutura/deus-ex-machina. Acesso em: [data].

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