Pista falsa
Pista falsa é, na ficção, um indício que pode ser plantado para levar o leitor a uma conclusão errada, segundo o livro How To Study Literature (2010), de Nozar Niazi. Em inglês chama-se red herring, e o Oxford English Dictionary a define de modo mais amplo, como algo que engana ou desvia a atenção de uma pergunta importante, de um argumento relevante ou da solução de um mistério. É um dos recursos do guia sobre recursos narrativos, ao lado do prenúncio.
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Como funciona uma pista falsa na ficção?
Na ficção, a pista falsa leva o leitor a uma conclusão equivocada. O livro The Oxford Handbook of the Reception History of the Bible (2011), organizado por Michael Lieb, dá o exemplo do bispo Aringarosa, em O Código Da Vinci, de Dan Brown: durante quase todo o romance ele é apresentado como centro das conspirações da Igreja, e depois se revela enganado pelo verdadeiro antagonista.
O Oxford English Dictionary acrescenta que a red herring pode ser intencional ou não: não nasce necessariamente de um propósito consciente de enganar.
De onde vem a expressão *red herring*?
No sentido literal, red herring é um arenque muito curado em salmoura ou muito defumado, de cheiro forte, cuja carne fica avermelhada quando a salmoura é forte o bastante; não existe uma espécie de peixe com esse nome, segundo o etimólogo Michael Quinion. O sentido figurado foi popularizado em 1807 pelo polemista inglês William Cobbett, que contou ter usado um arenque defumado para desviar cães que perseguiam um coelho, segundo Bernard Dupriez em A Dictionary of Literary Devices.
A explicação tradicional, a de um treino de cães de caça, não se sustenta. Dois artigos de 2008 de Gerald Cohen e Robert Scott Ross, publicados em Comments on Etymology, concluem que a expressão não nasceu de prática de caçador; o etimólogo Michael Quinion os apoia e o Oxford English Dictionary aceita a conclusão. A referência mais antiga a arenques em treino está num tratado de equitação de 1697, de Langbaine, autor do tratado, que recomendava arrastar a carcaça de um gato ou de uma raposa para acostumar o cavalo ao caos de uma caçada, com o arenque como substituto se não houvesse o animal morto.
Nicholas Cox, que a comentou em notas de outro livro da época, entendeu a recomendação como treino de cães. Nas duas leituras, a de Langbaine e a de Cox, o arenque servia para guiar o animal pelo rastro, não para distraí-lo. O escritor Thomas Nashe já dizia, em 1599, que para atrair cães a um cheiro nada se comparava a uma pele de arenque vermelho, sem sentido de distração.
*Red herring* também é um erro de argumento?
Em inglês, o termo tem um segundo sentido. Na lógica, red herring é uma falácia informal de relevância, segundo A Concise Introduction to Logic (2011), de Patrick Hurley, que a distingue do straw man, o espantalho, que distorce a posição da outra parte. Fallacies and Argument Appraisal (2007), de Christopher Tindale, a descreve como uma tática diversionista aparentemente plausível, mas irrelevante. Segundo o material de filosofia da Texas State University, o recurso pode ser usado de propósito, como na ficção de mistério ou na retórica política, ou sem intenção, num argumento.
O que a pista falsa muda para quem escreve?
Para quem escreve, a pista falsa é um indício que o leitor aceita e que o desfecho desmente; como plantá-la sem trapacear está no guia sobre como usar prenúncio e pista falsa sem entregar o final, e o termo vizinho que muda a direção do enredo é a reviravolta.
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O guia completoRecursos narrativos: o que são, quais são e quais viraram clichê — Recursos narrativos são as técnicas com que o autor decide o que o leitor sabe, quando sabe e o que move a trama: prenúncio, pista falsa, reviravolta, flashback, MacGuffin e deus ex machina, entre outros.Termos vizinhos
Lidas no texto integral
- Nenhuma.
Lidas em resumo ou pela referência
- Oxford English Dictionary, "red herring, n.". http://www.oed.com/view/Entry/160314
- Nozar Niazi, How To Study Literature: Stylistic and Pragmatic Approaches, PHI Learning, 2010, p. 142.
- Michael Lieb et al. (org.), The Oxford Handbook of the Reception History of the Bible, Oxford University Press, 2011, p. 370.
- Michael Quinion, "The Lure of the Red Herring", World Wide Words, 2002–2008. http://www.worldwidewords.org/articles/herring.htm
- Bernard Dupriez, A Dictionary of Literary Devices: Gradus, A–Z, University of Toronto Press, 1991.
- Thomas Nashe, Lenten Stuffe, 1599.
- Christopher W. Tindale, Fallacies and Argument Appraisal, Cambridge University Press, 2007, p. 28–33.
- Patrick J. Hurley, A Concise Introduction to Logic, 2011, p. 131–133.
- Gerald Cohen e Robert Scott Ross, artigos em Comments on Etymology, 2008, apontados por Quinion.
- Texas State University, "Red Herring", 15/05/2019. https://www.txstate.edu/philosophy/resources/fallacy-definitions/Red-Herring.html
VERSE MEDIA. Pista falsa. Enciclopédia Verse, 5 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/estrutura/pista-falsa. Acesso em: [data].
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