Ironia
Ironia é a expressão ou o gesto que dá a entender, em determinado contexto, o contrário ou algo diferente do que significa, segundo o dicionário Priberam. O mesmo dicionário registra outra acepção, a do acontecimento que sai totalmente diferente do esperado, como na "ironia trágica".
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A ironia é uma das figuras que o guia sobre figuras de linguagem na ficção põe em tabela, com exemplo de livro, dentro do conjunto de guias de prosa e estilo. Esta página fica com a palavra: de onde vem e quais tipos as obras de referência separam.
De onde vem a palavra ironia?
A palavra vem do latim ironia, que o Priberam deriva do grego eironeía, "dissimulação, ignorância". Para os críticos M. H. Abrams e G. G. Harpham, em A Glossary of Literary Terms, o termo foi cunhado a partir do eiron, personagem fixa da Comédia Antiga que finge ser menos inteligente do que é e acaba triunfando sobre o fanfarrão, o alazon.
Segundo a teórica Claire Colebrook, em Irony (2004), na imagem que Platão faz de Sócrates, eironeia deixou de ser sinônimo de mentira e passou a significar uma simulação que o ouvinte devia perceber. Até o Renascimento, o latim ironia era tratado como parte da retórica, em geral como espécie de alegoria, na linha de Cícero e Quintiliano.
A ironia é só dizer o contrário do que se pensa?
Não só: o próprio Priberam fala em dar a entender "o contrário ou algo diferente do que significa". Entre os estudiosos, segundo o crítico D. C. Muecke, em The Compass of Irony, é lugar-comum começar um estudo da ironia admitindo que o termo escapa a qualquer definição única. O filósofo Richard J. Bernstein registra, em Ironic Life (2016), a impressão dominante de que os autores sobre o tema falam de assuntos diferentes.
Que tipos de ironia as obras de referência separam?
Segundo os organizadores Alex Preminger e T. V. F. Brogan, na New Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics, as obras de referência acadêmicas incluem em geral ao menos quatro tipos: a ironia verbal, a ironia dramática, a ironia cósmica e a ironia romântica.
Na ironia verbal, o sentido de superfície e o de fundo diferem e quem fala produz isso de propósito. O lexicógrafo inglês Samuel Johnson dava como exemplo a frase Bolingbroke era um homem santo, dita de quem era tudo menos isso. Os outros três tipos são por vezes contrastados com a verbal como formas de ironia situacional, aquela em que não há ironista: em vez de dizer que alguém está sendo irônico, diz-se que é irônico que algo aconteça.
A ironia cósmica apresenta os agentes como sempre frustrados por forças que escapam ao controle humano, e é muito associada às obras do romancista inglês Thomas Hardy. A romântica vem do fim do século XVIII, atribuída sobretudo ao filósofo alemão Friedrich Schlegel e ao primeiro romantismo alemão, e passa a ser, além de recurso retórico, uma postura metafísica diante do mundo.
Para quem escreve, a distinção diz quem responde pela ironia: na verbal há alguém que quer dizer outra coisa; na situacional não há ironista, só o contraste entre o esperado e o que acontece. O que o leitor precisa partilhar para perceber a ironia está no guia sobre figuras de linguagem.
Qual a diferença entre ironia e sarcasmo?
O Priberam registra, entre os sentidos de ironia, um por extensão que o aproxima de escárnio e sarcasmo.
Como a ironia aparece na obra de Machado de Assis?
A leitura do crítico Roberto Schwarz sobre o narrador volúvel de Memórias póstumas de Brás Cubas, com o exemplo de Marcela, está no guia sobre figuras de linguagem, em como a ironia funciona na ficção.
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O guia completoFiguras de linguagem na ficção: o que são, quais são e como os mestres usam — Figuras de linguagem são modos de trocar um sentido por outro, como a metáfora e a ironia, ou de repetir, suprimir ou trocar de lugar palavras e sons, como a anáfora e a elipse; para o linguista José Luiz Fiorin, elas intensificam ou atenuam o sentido.Termos vizinhos
Em breve
Lidas no texto integral
Lidas em resumo ou pela referência
- M. H. Abrams e G. G. Harpham, A Glossary of Literary Terms, 10ª ed., Wadsworth, 2011, p. 165 (livro; sem URL).
- Claire Colebrook, Irony, Routledge, 2004, p. 6–7 (livro; sem URL).
- D. C. Muecke, The Compass of Irony, Routledge, 2023 (1ª ed. 1969), p. 14–15 (livro; sem URL).
- Richard J. Bernstein, Ironic Life, Polity, 2016, p. 1 (livro; sem URL).
- Alex Preminger e T. V. F. Brogan (orgs.), The New Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics, Princeton University Press, 1993, p. 633–635 (livro; sem URL).
- Edward Hirsch, A Poet's Glossary, 2014, p. 315 (livro; sem URL).
- Cuddon, A Dictionary of Literary Terms and Literary Theory, 2013, p. 372 (livro; sem URL).
VERSE MEDIA. Ironia. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/prosa-e-estilo/ironia. Acesso em: [data].
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