Metaficção
Metaficção é a ficção que, de forma consciente e sistemática, chama a atenção para o seu estatuto de artefato, a fim de questionar a relação entre ficção e realidade, segundo a crítica Patricia Waugh em Metafiction: The Theory and Practice of Self-Conscious Fiction (1984).
Para quem escreve, a definição de Waugh funciona como pergunta ao próprio texto: ele chama a atenção para o fato de ser artefato e, com isso, questiona a relação entre ficção e realidade? As figuras de linguagem, tratadas no guia sobre figuras de linguagem na ficção, ficam no nível da frase.
Quem cunhou o termo metaficção?
O site de teoria literária literariness.org (2022) registra que o termo foi usado pela primeira vez pelo romancista americano William H. Gass, em 1970. Gass usou o termo em Fiction and the Figures of Life (Knopf, 1970), p. 24–25, a propósito da ficção que se ocupa do próprio processo de se fazer.
O crítico Robert Scholes, em Fabulation and Metafiction (1979), situa o auge da ficção experimental por volta de 1970. Quem vê imprecisão no termo aponta que ele cobre tanto obras radicalmente autorreflexivas quanto obras com poucas linhas de autorreflexão.
Que obras se citam como metaficção?
O literariness.org lista Tristram Shandy (Laurence Sterne, 1760–1767), Jane Eyre (Charlotte Brontë, 1847), com interrupções como "Reader, I married him", e o conto "Pierre Menard, autor do Quixote", de Jorge Luis Borges, em Ficciones (1944).
Que traço de metaficção aparece em Brás Cubas?
Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis, cita no prólogo o modelo da forma: o narrador diz ter adotado "a fórma livre de um Sterne, de um Lamb, ou de um de Maistre", e Sterne é o autor de Tristram Shandy, exemplo citado acima. No capítulo LXXI, "O senão do livro", Brás Cubas comenta o seu livro e diz ao leitor: "o maior defeito deste livro és tu, leitor".
A volubilidade desse narrador, que o crítico Roberto Schwarz lê como vitória sobre o leitor, está no guia sobre figuras de linguagem, em como a ironia funciona na ficção.
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O guia completoFiguras de linguagem na ficção: o que são, quais são e como os mestres usam — Figuras de linguagem são modos de trocar um sentido por outro, como a metáfora e a ironia, ou de repetir, suprimir ou trocar de lugar palavras e sons, como a anáfora e a elipse; para o linguista José Luiz Fiorin, elas intensificam ou atenuam o sentido.Lidas no texto integral
- Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, 1881, "Ao leitor" e cap. LXXI (texto local).
- Roberto Schwarz, "Uma prosa e suas implicações", Língua e Literatura (FFLCH-USP), n. 14, 1985.
- "Metafiction", Literary Theory and Criticism (literariness.org), 07/10/2022: https://literariness.org/2022/10/07/metafiction/
Lidas em resumo ou pela referência
- Patricia Waugh, Metafiction: The Theory and Practice of Self-Conscious Fiction, Methuen, 1984, p. 2 (citada em tese da Michigan State University): https://d.lib.msu.edu/etd/22846
- William H. Gass, Fiction and the Figures of Life, Knopf, 1970, p. 24–25.
- Robert Scholes, Fabulation and Metafiction, 1979, p. 124.
- "Metafiction and metafictions: on concept and typologies", Tropelías: https://papiro.unizar.es/ojs/index.php/tropelias/article/view/5572
VERSE MEDIA. Metaficção. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/prosa-e-estilo/metaficcao. Acesso em: [data].
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