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Ideias de fanfic: prompts, tropes e pontos de partida para começar a sua

Quatro ideias para começar hoje: levar os personagens para uma cafeteria (AU de cafeteria), refazer uma escolha que o personagem fez no original (canon divergente), deixar dois personagens com uma cama só para dividir, ou contar uma cena pelos olhos de quem não narra, como Capitu no velório de Escobar. A ideia importa menos do que a pergunta que ela obriga a responder sobre o original. Abaixo estão as situações prontas por tipo, o critério para escolher e uma ficha em branco.

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O que você leva

a peça de "ideias de fanfic" pronta para copiar ou adaptar, com o critério para escolher

Pra quem é

Quem quer escrever e não sabe sobre o que: lista de prompts e situações por tipo (AU, one-shot, drabble, songfic).

Nesta página
  1. Quais tipos de ideia de fanfic existem (AU e tropes)?
  2. Que ideias de fanfic copiar, por tipo?
  3. Como transformar um trope gasto em uma ideia sua?
  4. Onde achar prompts de fanfic prontos?
  5. Qual ideia escolher e como escrevê-la em uma ficha?
  6. Como adaptar a ficha à sua obra?
post-its e um bloco de notas com rabiscos sobre uma mesa
Ideia de fanfic nasce de anotações soltas que depois ganham forma Foto de cottonbro studio no Pexels

Se você ainda não decidiu o que mudar na obra de partida, o guia sobre fanfic traz os dez modos de reescrever um original que Henry Jenkins catalogou em 1992; esta página parte de situações prontas.

Quais tipos de ideia de fanfic existem (AU e tropes)?

Escolha um tipo de AU pelo que ele troca no original: o cenário, a época, uma escolha ou o gênero do personagem. O Writer's Digest lista oito variações de AU, cada uma definida pelo que se troca; sete estão na tabela abaixo.

Tipo O que muda Serve quando (nosso)
AU moderno tira os personagens de um cenário histórico ou fantástico e os põe no presente o conflito do original depende de uma regra social que hoje não existe
AU histórico leva personagens de cenário moderno para outra época o desejo de um personagem esbarra numa proibição que a época impõe
AU de cafeteria a história tem uma cafeteria como cenário a graça do par está na rotina, não na trama
Canon divergente ("e se") o personagem faz uma escolha diferente da do original você discorda de uma escolha do original
Crossover reúne dois ou mais fandoms de um jeito que o original nunca faria os dois mundos têm regras que se contradizem
AU de super-herói transforma em super-herói quem não é super-herói no original você quer testar o personagem sob pressão nova
Gênero trocado escreve os personagens com outro gênero que o do original a cena do original só funciona por causa do gênero

Os tropes de fanfic são pontos de partida menores e cabem dentro de qualquer AU. O Writer's Digest dá cinco: hurt/comfort (um personagem se fere e outro cuida dele), de-aged (um ou mais personagens voltam a uma idade anterior), amnésia temporária (o personagem perde todas ou a maior parte das memórias), Hanahaki (um amor não correspondido faz crescer flores nos pulmões de quem ama; nasceu em fics do Leste Asiático e se espalhou pelas ocidentais) e "só havia uma cama". Para tropes de romance fora da fanfic, há o guia sobre o que é trope.

O tamanho e a trilha também são decisões de ideia. A one-shot tem um capítulo só e o drabble, exatamente cem palavras; de onde vem o formato e quando escolher a história curta está no guia sobre fanfic. Uma dissertação da Unifesp (2024) define songfic como a fanfic que acompanha a letra ou a tradução de uma música escolhida pelo autor, "servindo de trilha sonora", comum em shortfics e one-shots. Uma ideia que precisa de explicação longa não cabe em drabble: escolha o tamanho depois de saber qual é a primeira cena.

Que ideias de fanfic copiar, por tipo?

Copie a situação, troque os colchetes pelos personagens da sua obra e escreva a primeira frase. As situações abaixo são nossas; os tipos vêm das fontes etiquetadas.

Tipo Situação pronta (colchetes = sua obra)
AU de cafeteria [quem manda no original] trabalha no balcão; [quem ele evita] volta todo dia no fim do turno
AU moderno [personagem de época ou de fantasia] precisa de emprego hoje e o único que acha é com [antagonista]
AU histórico [personagens do presente] numa época em que o que um deles quer é proibido
Canon divergente na cena, [personagem] diz sim onde disse não; escreva a manhã seguinte
Crossover [personagem de A] cai no mundo de B, onde a regra que o salvava o condena
AU de super-herói o poder de [personagem] aparece no pior dia do original
Gênero trocado [personagem] com outro gênero, na cena que o original só permitia a um deles
Hurt/comfort quem se fere é quem nunca pede ajuda; quem cuida é quem ele mais irrita
De-aged [personagem] acorda com oito anos e só [rival] sabe quem ele é
Amnésia temporária [personagem] perde a memória e ouve de [outro] quem era
Hanahaki [personagem] tosse a primeira pétala no casamento de [quem ama]
Uma cama só a pousada tem um quarto livre e [dupla] ainda não se perdoou da cena
One-shot a mesma cena do original contada por quem não narra
Drabble cem palavras exatas a partir de uma palavra incomum, uma por dia; a palavra vale como está e não nomeia personagem nem lugar
Songfic uma cena de um capítulo cuja letra de música escolhida por você é a trilha

Como transformar um trope gasto em uma ideia sua?

Troque um elemento do trope antes de escrevê-lo. Sarah M. Eden, em artigo de 2025 no Writer's Digest sobre como gerar ideias de história, propõe três operações: combinar dois ou três tropes, trazer um trope de outro gênero e trocar um elemento (gênero, desfecho, cenário, tipo de personagem).

Para cada operação, Eden dá um exemplo: Jim e Pam, de The Office, combinam amor não correspondido com romance de escritório; Orgulho e Preconceito e Zumbis põe um trope de horror dentro de um romance; Clueless é uma releitura de Jane Austen com a idade das personagens trocada. Transformar e torcer um trope conhecido, segundo ela, é o que o renova e abre espaço para algo diferente.

O que dá errado: a ideia combinada que não tem primeira cena. "Hurt/comfort num AU de cafeteria" soa como ideia e ainda não diz quem se fere nem onde. Teste a combinação escrevendo a primeira frase; se ela não sai em cinco minutos, troque uma das duas peças.

Onde achar prompts de fanfic prontos?

Entre num desafio que já dá a restrição pronta. No AO3 (Archive of Our Own), um prompt meme é um desafio em que participantes enviam pedidos de história e outros escolhem quais atender; quem atende não precisa ter enviado prompt, e várias pessoas podem pegar o mesmo. O fluxo tem três passos: enviar o prompt pelo formulário (há opção semianônima, que a própria ajuda do AO3 diz não ser totalmente segura), clicar em "Claim" para pegar um prompt aberto e, ao terminar, clicar em "Fulfill", que abre o formulário de novo trabalho com os dados do pedido já preenchidos.

No Brasil, o Nyah! Fanfiction faz em outubro, todo ano até pelo menos 2024, um desafio de drabble: uma palavra-chave por dia, liberada a cada dia, para uma fanfic inédita de até 31 capítulos. O regulamento de 2023 fixa as regras do prompt: cada drabble tem exatamente 100 palavras, a palavra-chave "não pode ser substituída ou editada" e é proibido usá-la para nomear personagens e lugares. Juntos no Apocalipse, fanfic do desafio de 2022, fechou 31 capítulos e 3.100 palavras, publicados de 1º a 31 de outubro. A restrição de uma palavra por dia serve a quem trava diante da página em branco: o capítulo de hoje já tem tema.

Qual ideia escolher e como escrevê-la em uma ficha?

fichas de papel preenchidas à mão alinhadas sobre uma mesa
A ficha reduz a ideia escolhida ao que cabe numa folha Foto de Ron Lach no Pexels

Escolha a ideia cuja primeira cena você consegue escrever hoje. O critério é nosso: a ideia que gera uma pergunta e uma primeira cena rende; a que só gera título não rende. A ficha obriga a responder as duas.

O modelo, campo a campo. Original: a obra e os personagens que o leitor já conhece. O que muda: uma marca só; duas viram outra ficha. Pergunta de partida: o "e se" que a fanfic responde. Tamanho: drabble (100 palavras) se a ideia é um gesto; one-shot (um capítulo) se é uma cena; capítulos se precisa de virada. Primeira cena: uma frase; se ela não sai, a ideia ainda é só título. O que o leitor já sabe: o que fica fora do texto.

Versão para copiar (em branco):

Copie a ficha e transforme a ideia na primeira cena
Original (obra e personagens): ____________________
O que muda:
  [ ] cenário ou época (AU) [ ] uma escolha do personagem ("e se")
  [ ] quem conta a cena [ ] um trope: ____________
  [ ] mistura com outra obra: ____________
Pergunta de partida: e se ____________________?
Tamanho: [ ] drabble (100 palavras) [ ] one-shot (1 capítulo) [ ] capítulos
Trilha (opcional, songfic): música ____________
Primeira cena (uma frase): ____________________
O que o leitor já sabe do original e eu não preciso explicar: ____________________

Exemplo preenchido, com obra de domínio público. Em Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, o narrador Bento Santiago conta o velório de seu amigo Escobar, no capítulo CXXIII. Capitu, mulher de Bento, olha o morto "tão fixa, tão apaixonadamente fixa" que lhe saltam "lagrimas poucas e caladas", e enxuga-as depressa, olhando a furto para quem está na sala. Ela não fala na cena: tudo o que se sabe do que ela sentia vem de Bento. O livro deixa o buraco aberto, porque o narrador abre dizendo que quis "atar as duas pontas da vida" e admite que não conseguiu recompor o que foi. E fecha perguntando se a Capitu adulta, da praia da Glória, já estava dentro da menina de Matacavalos.

Original: Dom Casmurro (Machado de Assis, 1899): Capitu e Bento
O que muda: [x] quem conta a cena
Pergunta de partida: e se o velório de Escobar fosse contado por Capitu?
Tamanho: [x] drabble (100 palavras): a cena é curta e o texto original já é só gesto
Primeira cena: Capitu olha o caixão e decide, antes de chorar, quem vai ver as lágrimas.
O que o leitor já sabe: o triângulo e a suspeita de Bento; não é preciso explicá-los.

A ideia já virou livro: o escritor Domício Proença Filho publicou Capitu – memórias póstumas (1998), em que Capitu é quem escreve, e uma tese da Universidade Federal de Goiás (2013) estuda o livro como a voz de Capitu lendo o romance de Machado.

Como adaptar a ficha à sua obra?

Troque o campo "Original" pela sua obra e mantenha os outros. Se a obra não é de domínio público, a ficha continua valendo, mas a primeira cena precisa ser sua: nunca copie o trecho do original. Se nenhuma situação da lista resolver, volte à tabela de tipos e escolha o tipo antes da cena; quando "Pergunta de partida" e "Primeira cena" estiverem preenchidas, a ficha está pronta para virar um rascunho de uma página.

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Termos usados nesta página

Em breve

o que e trope e por que

Quem fala sobre isso 7pessoas

  • Moriah Richardeditora executiva (managing editor) da revista Writer's Digest, segundo a bio do artigo conferida em 07/10/2026; editora de ficção com mestrado (MFA) em escrita

    Obra sobre o tema: 'What Is Fan Fiction in Writing?', glossário de fanfic com os tipos de universo alternativo e os tropes mais usados, Writer's Digest, 2022.

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  • Sarah M. Edenromancista americana de romances históricos, autora de 79 livros, segundo a bio do artigo conferida em 07/10/2026

    Obra sobre o tema: 'Generating Endless Story Ideas', artigo de 2025 no Writer's Digest sobre como gerar ideias de história combinando, transplantando e trocando elementos de tropes.

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  • Henry Jenkinspesquisador americano de mídia e cultura de fãs; professor universitário (MIT e, depois, Universidade do Sul da Califórnia)

    Obra sobre o tema: Textual Poachers: Television Fans and Participatory Culture, de 1992, em que cataloga os dez modos com que os fãs reescrevem uma série de TV.

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  • Kristina Bussepesquisadora de comunidades de fanfic; professora do departamento de Filosofia da University of South Alabama e cofundadora da revista acadêmica Transformative Works and Cultures (2008)

    Obra sobre o tema: organizou com Karen Hellekson The Fan Fiction Studies Reader, coletânea de textos de base dos estudos de fanfic, University of Iowa Press, 2014.

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  • Karen Helleksonpesquisadora americana de ficção científica e de estudos de fãs; cofundou em 2008 a revista Transformative Works and Cultures, que coeditou até 2022

    Obra sobre o tema: organizou com Kristina Busse The Fan Fiction Studies Reader, University of Iowa Press, 2014.

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  • Cecilia Aragonprofessora do Departamento de Human Centered Design and Engineering da Universidade de Washington, em Seattle (EUA); cientista da computação

    Obra sobre o tema: coautora de 'More Than Peer Production: Fanfiction Communities as Sites of Distributed Mentoring', estudo de 2017 sobre o retorno que os leitores dão a quem escreve fanfic.

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  • Salete Oro Boffjurista; doutora em Direito pela Unisinos (2005), com pós-doutorado na UFSC (2008), segundo a nota de autoria do artigo de 2018

    Obra sobre o tema: coautora de 'Uma obra e vários autores: o direito autoral e as fan-fictionals na cultura da convergência', artigo de 2018 na revista Scientia Iuris (UEL).

    Página ↗

O que a rede diz 4 vozes

  • Capa do post de @smilejokebrTikTok

    Separou enredos famosos como ponto de partida para criar histórias, seja para um concurso de fanfic, seja para outro projeto, e incentiva a continuar escrevendo.

    @smilejokebrTikTok ↗
  • Capa do post de Testes poesias e histórias: Ideias para escrever a sua fanfic! #1YouTube

    Sugere dar ao protagonista uma família bem detalhada como diferencial da fanfic, no primeiro vídeo de uma série de ideias.

    Testes poesias e histórias (antigo Liz Lonelyk)YouTube ↗
  • Capa do post de April's Archives: Try This Before Starting Another FanficYouTube

    Para quem começa uma fanfic nova toda vez que surge uma ideia mais empolgante, propõe testar a ideia por uma semana antes de trocar de projeto (em inglês).

    April's ArchivesYouTube ↗
  • Capa do post de @ladyfaradayTikTok

    Mostra, com humor, o hábito de inventar fanfic na cabeça antes de dormir, aqui a partir da série The Great.

    @ladyfaradayTikTok ↗

O que está acontecendo

Como esta página foi feita

A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.

Autoria: Verse MediaRevisado em 8 out. 2026Passos conferidos em 8 out. 2026Publicado em 8 out. 20267 fontes · 6 no integral

Os tipos de AU e de trope vêm de uma página do Writer's Digest e as operações para mexer num trope, de outra, de Sarah M. Eden; os desafios, da ajuda oficial do AO3, do regulamento do Nyah! de 2023 e de uma dissertação da Unifesp (2024). As situações prontas, as perguntas e a ficha são nossas. O exemplo foi conferido no texto integral de *Dom Casmurro*; a obra derivada de Proença Filho foi lida só pelo resumo de uma tese.

Cite esta página
VERSE MEDIA. Ideias de fanfic: prompts, tropes e pontos de partida para começar a sua. Enciclopédia Verse, 7 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/formas-narrativas/ideias-de-fanfic. Acesso em: [data].

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