Conto, crônica ou novela: qual a diferença e qual forma escolher para a sua história
O conto é uma ficção breve fechada num só efeito; a crônica é um texto breve feito para o jornal, que parte de um fato, do cotidiano ou de um tema histórico; a novela fica entre o conto e o romance, com vários acontecimentos sob controle num espaço curto. O tamanho não decide a forma: cada régua é a regra de quem a criou. Na nossa leitura, o que decide é quantos efeitos a história pede e quem o leitor ouve, a personagem ou o autor.
Você tem uma história de vinte páginas que começou numa coisa que viu na rua. Já ouviu que conto é curto e crônica fala do cotidiano, e a sua é as duas coisas; agora não sabe como chamá-la, se deve cortar ou crescer, nem para onde mandá-la.
- Um teste de cinco perguntas, mais uma sobre onde publicar, para aplicar ao próprio texto e saber se ele é conto, crônica, novela ou romance, pelo critério de quem o propôs, aplicado a um conto, uma crônica e uma novela de Machado de Assis
- e o que muda depois da escolha: onde cada forma se publica e que prêmio brasileiro a aceita.
Ouviu que a diferença entre conto e crônica é o tamanho ou o cotidiano, tem um texto pronto (ou uma ideia) que não cabe em nenhuma das definições de escola e não sabe se escreve um conto, uma crônica, uma novela ou um romance, nem onde mandar o que escrever.
Nesta página
- Qual a diferença entre conto e crônica?
- Qual a diferença entre conto e novela?
- Qual a diferença entre novela e romance?
- O tamanho decide se é conto, novela ou romance?
- Qual a diferença entre conto, crônica, novela e romance, e como escolher a forma da sua história?
- Onde cada forma se publica e que prêmio aceita?
- Perguntas frequentes
- O que fazer com isso
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Qual a diferença entre conto e crônica?
O conto inventa um acontecimento e fecha nele; a crônica parte de um fato real ou de um dia e fecha num comentário de quem escreve (leitura nossa a partir das fontes abaixo). Uma definição objetiva das duas é a do Prêmio Jabuti, o prêmio da Câmara Brasileira do Livro: conto é "reunião de narrativas ficcionais breves"; crônica, a reunião de narrativas "cujos motes sejam fatos, eventos do cotidiano ou temas históricos". O conto é definido pela ficção; a crônica, pelo mote.
O romancista e contista Machado de Assis escreveu as duas formas no mesmo jornal, e lado a lado elas mostram a diferença. "A Cartomante", conto publicado na Gazeta de Notícias em 1884, abre com Hamlet e uma sexta-feira de novembro de 1869 e fecha em dois tiros, sem uma palavra do narrador depois deles; a anatomia desse conto está em como estruturar um livro. Oito anos depois, na mesma Gazeta, Machado escrevia "A Semana", série de crônicas que escreveu de 1892 a 1897. A de 16 de outubro de 1892 começa pelo fato da semana e pelo próprio cronista: "Não tendo assistido a inauguração dos bonds elétricos, deixei de falar neles."
A ficção entra nessa crônica sem transformá-la em conto. Já de noite, perto do fim da linha, com o condutor e o cocheiro cochilando, o cronista ouve os dois burros da parelha conversarem sobre o que lhes acontecerá quando a tração elétrica chegar a todas as linhas: serão vendidos às carroças e morrerão soltos na rua. A cena é inventada, mas o fio continua sendo o fato da cidade e a voz de quem conta, e o texto não fecha um destino: o freio corta a frase do burro, o cocheiro dá uma lambada e o cronista devolve ao leitor a pergunta do animal, "Onde está a justiça deste mundo?".
A crônica fica perto do leitor justamente por parecer pequena: o crítico Antonio Candido, em "A vida ao rés-do-chão", diz da crônica em geral que ela "parece mesmo" um gênero menor e, por isso, "fica perto de nós"; pega o miúdo e mostra nele uma grandeza que não se esperava. Feita para o jornal, diz ele, no dia seguinte serve para embrulhar um par de sapatos ou forrar o chão da cozinha.
A crônica literária nasceu desse lugar, o rodapé do jornal chamado folhetim, origem contada no termo crônica. Machado chamou o folhetinista de "fusão admirável do útil e do fútil". A história do rodapé que virou romance em capítulos é do guia sobre como escrever em folhetim.
A fronteira é porosa, e críticos, cronistas e o próprio Jabuti a trataram assim. O crítico Afrânio Coutinho põe, entre os tipos de crônica que propõe, a crônica narrativa, construída em torno de um episódio e próxima do conto, como as do cronista Fernando Sabino. O cronista e cartunista Luis Fernando Verissimo estreou em livro com O popular (José Olympio, 1973), subtitulado "crônicas, ou coisa parecida". A escritora Clarice Lispector, que manteve coluna semanal no Jornal do Brasil de 1967 a 1973, dizia que aqueles textos não eram exatamente crônicas.
O Jabuti premiou conto e crônica na mesma categoria, "Contos e Crônicas", até 2017, quando o livro de contos Sul, da escritora Veronica Stigger, ficou em primeiro e a Caixa Rubem Braga – Crônicas, em terceiro; em 2018 as duas formas viraram categorias separadas.
Um teste ajuda nos casos de fronteira (critério nosso): tire do texto a data e o nome de quem escreve. Se ele continua de pé como a história de alguém, é conto; se perde a razão de existir, era crônica. A crônica dos burros sem a semana dos bondes elétricos vira uma fábula solta; "A Cartomante" sem 1884 continua sendo a mesma tragédia.
Qual a diferença entre conto e novela?
O conto é recortado para um efeito só; a novela, mais longa, põe vários acontecimentos sob controle num espaço ainda curto (leitura nossa de Poe e do romancista Henry James). O critério do conto é antigo e tem dono. O escritor americano Edgar Allan Poe, numa resenha de 1842 sobre os contos de Nathaniel Hawthorne, definiu o campo como a narrativa em prosa que se lê de uma sentada, de meia hora a uma ou duas horas, e defendeu que a unidade de efeito (unity of effect, no original) só se preserva assim. O método que Poe tira daí, decidir o efeito antes dos incidentes, é do guia sobre como escrever um conto.
O conto recorta e o romance deixa a ordem aberta: o escritor argentino Julio Cortázar, em "Algunos aspectos del cuento" (conferência em Havana, 1962), comparou o conto à fotografia, que pressupõe um recorte prévio, e o romance ao cinema. Para ele, a intensidade do conto está em eliminar as situações intermediárias e as fases de transição que o romance permite e até exige. E a imagem do conto que ganha por nocaute enquanto o romance ganha por pontos, Cortázar atribui a um escritor argentino amigo do boxe, não a si mesmo.
Repare que o espanhol de Cortázar diz novela para o que chamamos de romance; para a forma do meio ele usa o francês nouvelle, e registra que na França o conto que passa de vinte páginas já leva esse nome.
A forma do meio ganhou uma definição de trabalho com Henry James. No prefácio de um volume da edição nova-iorquina das suas obras (1909), ele chamou a nouvelle de "the beautiful and blest nouvelle" (a bela e abençoada novela), seu ideal de forma no terreno do comprimento, e, ao apresentar o conto longo "The Coxon Fund" como exemplo do alcance dela, descreveu o esforço da série: fazer a coisa complicada com brevidade forte e lucidez, chegando, em nome da multiplicidade, a uma "science of control" (ciência do controle). O conto controla um efeito; a novela, vários.
O alienista, de Machado de Assis, publicado em Papéis avulsos (1882), mostra a novela por dentro. Na Advertência do livro, Machado avisa que há ali páginas "que parecem meros contos, e outras que o não são", e deixa a classificação em aberto. Pelo critério de James, O alienista fica do lado da novela (leitura nossa): o texto atravessa meses e anos, com a Casa Verde cheia "ao cabo de quatro meses", a revolta dos Canjicas, a inversão da teoria do médico Simão Bacamarte e a morte dele "dali a dezessete meses" depois de se internar, e todos esses movimentos ficam sob o controle de uma ideia só, a teoria da loucura.
O sinal prático vem de Cortázar, adaptado: se a sua história precisa de trechos de passagem de tempo que não podem sair sem que ela desmonte, ela pede mais que um conto. Se cada transição pode ser cortada e o efeito fica mais forte, era conto.
Qual a diferença entre novela e romance?
O romance acumula efeitos; a novela controla vários num espaço curto (leitura nossa). As réguas de tamanho cortam a fronteira num número sem dizer o que a novela é, e o resto é nome e mercado. Cortázar dá a metade da distinção: o romance acumula progressivamente os seus efeitos no leitor, e por isso ganha por pontos.
A disputa começa na palavra. Em espanhol, novela é a obra narrativa "de cierta extensión" (de certa extensão), definição que o dicionário da Real Academia Española dá ao que em português se chama romance. Em português, a palavra ficou com a forma do meio, e a origem dela está no termo novela. E, no Brasil, "novela" é também a de televisão, sentido de que esta página não trata.
Nem sempre o autor e o júri concordam. O romancista inglês Ian McEwan chamou de novela o seu On Chesil Beach (2007), e o júri do Booker daquele ano o tratou como romance curto. Num texto de 2012 para a New Yorker, McEwan defendeu a novela como "the perfect form of prose fiction" (a forma perfeita da ficção em prosa) e a descreveu como a filha bonita de um gigante desleixado, o romance; a economia, escreveu, obriga a polir as frases e a conseguir os efeitos com intensidade incomum.
James e McEwan elogiam a novela; o mercado nem sempre a quer. O romancista Stephen King reuniu quatro novelas em Different Seasons (1982) e registrou no próprio livro que elas não cabiam no tamanho que as revistas pedem nem no que as editoras pedem. No Brasil, A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, do romancista Jorge Amado, que a Companhia das Letras apresenta como "uma das mais extraordinárias novelas da língua portuguesa", saiu primeiro na revista Senhor, em 1959, e hoje circula sozinha em livro: na nossa leitura, fez o caminho de um conto no começo e o de um romance depois.
O piso de palavras do romance varia de dono para dono: o romancista E. M. Forster usou 50 mil para as suas palestras e o prêmio Nebula usa 40 mil, como conta o guia sobre como escrever um livro; as faixas por gênero estão em quantas páginas deve ter um livro.
O tamanho decide se é conto, novela ou romance?
Não decide; o número é a regra de quem julga, e só importa na hora de mandar o texto a um prêmio, uma revista ou um edital. Os prêmios de ficção científica Nebula, da associação de escritores do gênero nos Estados Unidos (SFWA), e Hugo, da World Science Fiction Society, põem a novela entre 17.500 e 40 mil palavras, régua que quantas páginas tem um conto compara com as outras. A França que Cortázar descreve corta em vinte páginas.
O Brasil mede em caracteres com espaços e não tem régua oficial. O Prêmio Sesc de Literatura pede livro de romance entre 160 mil e 600 mil caracteres; o número do livro de contos está no guia sobre quantas páginas deve ter um livro. Pela nossa contagem do texto integral, O alienista tem cerca de 100 mil caracteres: como livro, ficaria abaixo do piso do romance no Sesc.
Escritores e críticos brasileiros puseram o nome antes do número. O escritor modernista Mário de Andrade escreveu, em 1938, que conto é aquilo que o autor batizou com o nome de conto, segundo Luzia de Maria, autora de O que é conto, para quem é provavelmente a frase mais citada no Brasil quando o assunto aparece. O crítico Anatol Rosenfeld notou que aqui se chama de conto toda forma curta em prosa, por oposição à novela e ao romance.
Machado, em 1896, escreveu que o tamanho não é o que faz mal ao conto, e que, se contos e romances são medíocres, os contos levam a vantagem de serem curtos. O contista Dalton Trevisan estreou em livro em 1959 com Novelas nada exemplares, título que lembra as Novelas ejemplares (1613) de Cervantes e brinca com o nome da forma.
Qual a diferença entre conto, crônica, novela e romance, e como escolher a forma da sua história?
A forma se escolhe pelo que a história pede ao leitor: um efeito, um dia comentado, vários acontecimentos controlados num espaço curto ou efeitos acumulados num espaço largo (leitura nossa). O teste abaixo junta os critérios de quem os propôs. Cada linha é uma pergunta para fazer ao seu texto.
O teste das quatro formas
| pergunta ao texto | conto | crônica | novela | romance | de onde vem o critério |
|---|---|---|---|---|---|
| Quantos efeitos a história busca? | um só | não se mede por efeito: parte do fato e fecha num comentário | vários, sob controle | vários, acumulados | Poe (1842), conto; James (1909), novela; Cortázar (1962), romance; crônica, leitura nossa de Machado (1892) |
| O leitor termina numa sentada? | sim | sim | às vezes | não | Poe (1842), para conto e romance; o resto, leitura nossa |
| O texto depende de uma data ou de um fato real? | não | sim | não | não | Jabuti (motes da crônica); Candido; as outras colunas, leitura nossa |
| Quem o leitor ouve? | o narrador ou a personagem | o autor, em primeira pessoa | o narrador ou a personagem | o narrador ou a personagem | leitura nossa de Machado (1884 e 1892) |
| Há passagens de transição que não podem sair? | não | não | algumas | sim | Cortázar (1962), para conto e romance; crônica e novela, leitura nossa |
| Depois da escolha: onde o texto vai morar? | revista, antologia ou livro de contos | coluna de jornal ou revista | sem categoria própria nos prêmios | livro; os grandes prêmios | Jabuti, Sesc, São Paulo, Kindle |
Aplicado a três textos de Machado, o teste dá respostas diferentes em quase todas as linhas (aplicação nossa):
| texto | efeitos | uma sentada | depende do dia | quem fala | transições | forma |
|---|---|---|---|---|---|---|
| "A Cartomante" (Gazeta de Notícias, 1884) | um: o desfecho de dois tiros | sim | não | narrador em terceira pessoa | nenhuma que não possa sair | conto |
| "A Semana", 16/10/1892 (Gazeta de Notícias) | nenhum desfecho: a pergunta volta ao leitor | sim | sim, os bondes elétricos da semana | o cronista, em primeira pessoa | nenhuma | crônica |
| O alienista (Papéis avulsos, 1882) | vários: a Casa Verde, a revolta, a inversão da teoria | às vezes | não | um narrador que cita "as crônicas da vila" | sim: meses e anos passam | novela |
O narrador de O alienista abre o livro com "As crônicas da vila de Itaguaí dizem…", e usa a palavra no sentido mais velho, o de registro histórico, e não no da crônica de jornal.
Para medir uma ideia só entre conto e romance, há os cinco critérios da escritora Elizabeth Sims, em ideias para escrever um livro; este teste acrescenta a crônica e a novela.
A forma também muda na revisão, e a escolha de hoje não é sentença. Os capítulos de Vidas secas saíram em jornais como contos antes do romance, como conta o guia sobre como escrever um livro. A romancista inglesa Mary Shelley pensou primeiro num conto curto e escreveu Frankenstein, e a escritora Conceição Evaristo reconhece numa crônica dos anos 1960 a semente do romance Becos da memória, dois casos contados em ideias para escrever um livro.
Onde cada forma se publica e que prêmio aceita?
No Brasil, o Jabuti, o Prêmio São Paulo e o Prêmio Kindle premiam o romance; o conto concorre reunido em livro; a crônica nasceu para o jornal; e a novela não tem categoria com o próprio nome. O Jabuti de 2026 define o romance, literário ou de entretenimento, como "literatura ficcional em prosa longa", e o conto como "reunião de narrativas ficcionais breves", termo que, na nossa leitura, aponta para o livro de contos, não o conto avulso. O Prêmio São Paulo de Literatura de 2026 tem duas categorias, ambas de romance, com R$ 200 mil cada, e exige que a obra pertença ao gênero romance. O Prêmio Kindle de Literatura, na edição de 2024, aceitava só romance.
O conto avulso pode circular antes do livro sem prejuízo: o Prêmio Sesc aceita que até metade dos caracteres de um livro de contos já tenha saído em blogs, revistas ou antologias. O livro de contos, porém, vende pouco: segundo o crítico Chris Power, no Guardian, em 2018, a maioria das coletâneas não é reimpressa nem passa de 3 mil exemplares. A crônica, como lembra Candido, é feita para o jornal.
Quem escreve uma novela tem de decidir o enquadramento (leitura nossa a partir dos regulamentos): inscrevê-la como romance, se o júri a aceitar como prosa longa e se ela passar do piso do edital, ou juntá-la a contos num livro. Onde mandar conto avulso, como funcionam as revistas e como reconhecer a antologia que cobra do autor está em como publicar contos.
Perguntas frequentes
Crônica é ficção?
Pode ter ficção, mas não depende dela: Machado inventou dois burros falantes numa crônica sobre os bondes elétricos de 1892, e o texto continuou crônica, a nosso ver, porque o fio era a semana e a voz dele. O Jabuti define a crônica pelo mote, um fato, o cotidiano ou um tema histórico, e Candido a chama de amiga da verdade.
A crônica é um gênero só brasileiro?
Os críticos discordam. O crítico Paulo Rónai a chamou de gênero brasileiro e pôs entre as características dela a quase intraduzibilidade; o pesquisador Ricardo Meirelles vê nisso mais ufanismo do que estética e liga a crônica ao poema em prosa francês. No mundo hispânico, crónica é outra coisa com o mesmo nome, como mostra o termo crônica.
Qual a diferença entre crônica e poema em prosa?
A crônica pode chegar perto do poema em prosa, e a fronteira passa por dentro dela: as tipologias dos críticos têm uma crônica lírica, perto do poema, como mostra o termo crônica. O crítico Davi Arrigucci Jr. diz que a crônica brasileira chega até a poesia mais alta em muitas do cronista Rubem Braga. Os tipos de crônica, com exemplos, estão em exemplos de crônica.
Qual a diferença entre conto e fábula?
A fábula se define pela moral, e o conto não: a fábula é a narrativa breve feita para uma moral, e o fabulista francês La Fontaine, no prefácio das Fábulas (1668), chama a história de corpo e a moral de alma. O parente da fábula com objetos no lugar de bichos é o apólogo, explicado no termo fábula.
Microconto é conto?
É: o conto levado ao limite da brevidade. No Brasil, a antologia de Marcelino Freire de 2004 reuniu contos de até 50 letras, estudados em microconto: exemplos e como escrever. O termo está em microconto.
Como escrever uma novela?
Comece pelo que a forma tem de próprio, que Henry James descreveu como o esforço da nouvelle: fazer a coisa complicada com brevidade forte e lucidez, chegando a uma ciência do controle. Na prática, a nosso ver, isso pede decidir antes quais movimentos a história atravessa e cortar o que não serve a nenhum deles. O ofício vizinho, de efeito e de corte, está no guia sobre como escrever um conto.
O que fazer com isso
Antes de decidir quantas páginas escrever, faça ao seu texto as cinco primeiras perguntas do teste e veja em qual coluna ele cai; depois escolha onde mandá-lo pela última linha. Se ele mudar de coluna na revisão, mude a forma com ele. O caminho do conto escrito, da ideia ao ponto final, está em como escrever um conto, e o da história publicada em capítulos, em como escrever em folhetim. O que a escola chama de gênero literário é outra divisão, acima destas quatro formas.
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Quem fala sobre isso 5pessoas
- Edgar Allan Poe †contista, poeta e crítico norte-americano (1809–1849)
Obra sobre o conto: a resenha de Twice-Told Tales, de Hawthorne, em 1842, em que definiu o conto como a narrativa lida de uma sentada, com um efeito único.
Página ↗ - Julio Cortázar †contista, romancista e tradutor argentino (1914–1984)
Obra sobre o conto: a conferência "Algunos aspectos del cuento", Havana, 1962, que compara o conto à fotografia e o romance ao cinema.
Página ↗ - Henry James †romancista e crítico norte-americano naturalizado britânico (1843–1916)
Obra sobre a novela: o prefácio de 1909 ao volume de The Lesson of the Master, em que chamou a nouvelle de forma ideal e descreveu o trabalho dela como uma ciência do controle.
Página ↗ - Ian McEwanromancista britânico (n. 1948)
Obra sobre a novela: o ensaio "Some Notes on the Novella", na New Yorker, em 2012, que defende a novela como a forma perfeita da ficção em prosa.
Página ↗ - Antonio Candido †crítico literário e sociólogo brasileiro, professor da USP (1918–2017)
Obra sobre a crônica: o ensaio "A vida ao rés-do-chão", de 1992, sobre o gênero que parece menor e por isso fica perto do leitor.
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Lidas no texto integral
- Machado de Assis, "A Cartomante", Gazeta de Notícias, 1884; em Várias histórias, Laemmert, 1896 (Wikisource).
- Machado de Assis, "A Semana", Gazeta de Notícias, 16/10/1892 (Wikisource, "Crônica dos Burros").
- Machado de Assis, O alienista, em Papéis avulsos, Lombaerts, 1882, e Advertência de Papéis avulsos (Wikisource; Project Gutenberg #57001).
- Machado de Assis, Advertência de Várias histórias, Laemmert, 1896 (Wikisource, fac-símile).
- Edgar Allan Poe, resenha de Twice-Told Tales, Graham's Magazine, abr.–maio de 1842 (Wikisource).
- Julio Cortázar, "Algunos aspectos del cuento", conferência em Havana, 1962 (texto da cátedra da Universidad Nacional de La Plata).
- Henry James, prefácio de The Lesson of the Master, The Death of the Lion, The Next Time and Other Tales, The Novels and Tales of Henry James, New York Edition, v. 15, 1909 (archive.org).
- Jean de La Fontaine, Prefácio das Fables, 1668 (Wikisource, ed. 1874).
- Prêmio Jabuti, "Eixos e Categorias", edição 2026, premiojabuti.com.br.
- Sesc, Edital Prêmio Sesc de Literatura 2026 e página do prêmio, sesc.com.br.
- Real Academia Española, Diccionario de la lengua española, verbete "novela", acepções 1–2.
- World Science Fiction Society, WSFS Constitution as of 2025-10-07, seções 3.2 e 3.3.
- SFWA, "Nebula Rules", nebulas.sfwa.org.
- José Américo Miranda e Alex Sander Luiz Campos, "1894", Machadiana Eletrônica, v. 1, n. 2, 2018, p. 5.
- Luzia de Maria, O que é conto, Brasiliense, 4ª ed., 1992, p. 18.
- Ricardo Meirelles, "Charles Baudelaire e João do Rio: duas almas flanando pela cidade", Anais do XIII Congresso Internacional da ABRALIC, 2013.
- Fernando Borsato, "Ponto de interrogação: pseudônimo desconhecido e texto inédito de Machado de Assis", Machado de Assis em Linha, v. 12, n. 28, 2019.
- Marcelo Spalding, artigo no Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea (UFRJ), v. 6, 2014.
- Instituto Moreira Salles, site Clarice Lispector, página sobre A descoberta do mundo.
- Luiz Carlos Santos Simon, "Rubem Braga e a arte do cotidiano", Itinerários (Unesp).
- PublishNews, "Prêmio São Paulo de Literatura 2026 recebe inscrições", 02/09/2026.
- PublishNews, "Amazon Brasil abre inscrições para 9ª edição do Prêmio Kindle de Literatura", 02/05/2024.
Lidas em resumo ou pela referência
- Tribuna de Minas, "Silviano Santiago entre os vencedores do Jabuti", 31/10/2017.
- Nahima Maciel, "Mudanças no Prêmio Jabuti: menos categorias e participação de independentes", Correio Braziliense, 15/05/2018.
- Companhia das Letras, apresentação de A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, edição especial de 2022 (catálogo NetGalley).
- Ubiratan Brasil e André Carlos Zorzi, "Morre Luis Fernando Verissimo aos 88 anos", Estadão Conteúdo, 30/08/2025.
- Revista piauí, "O baú de Verissimo", 22/11/2017.
- Antonio Candido, "A vida ao rés-do-chão", in A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil, Unicamp/Casa de Rui Barbosa, 1992, p. 13–14 (pela citação numa dissertação da PUC-Rio).
- Ian McEwan, "Some Notes on the Novella", The New Yorker, out. 2012 (por excerto no 3 Quarks Daily).
- Stephen King, Different Seasons, Viking, 1982.
- Mário de Andrade, "Contos e contistas", 1938 (pela citação de Luzia de Maria).
- Anatol Rosenfeld, "A Manobra", O Estado de S. Paulo, 29/10/1960; em Letras germânicas, Perspectiva, 1993.
- Afrânio Coutinho, "Ensaio e crônica", in A literatura no Brasil, v. 6, José Olympio/Eduff, 1986.
- Davi Arrigucci Jr., "Fragmentos sobre a crônica", in Enigma e comentário, Companhia das Letras, 1987, p. 59 (pela citação de Simon).
- Paulo Rónai, "Um gênero brasileiro: a crônica", in Crônicas brasileiras: nova fase, University Press of Florida, 1994 (pela citação de Meirelles).
- The Telegraph, "Ian McEwan claims the novella is better than the novel", 15/10/2012.
- Chris Power, "Complete fiction: why the short story renaissance is a myth", The Guardian, 12/03/2018.
- Oxford Anthology of the Brazilian Short Story, Oxford UP, 2006, p. 258.
- Merriam-Webster, verbete "novella"; Harry Steinhauer, Twelve German Novellas, Univ. of California Press, 1977.
- E. M. Forster, Aspects of the Novel, 1927, cap. 1.
- Marcelino Freire (org.), Os cem menores contos brasileiros do século, Ateliê, 2004 (pela citação de Spalding).
VERSE MEDIA. Conto, crônica ou novela: qual a diferença e qual forma escolher para a sua história. Enciclopédia Verse, 7 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/formas-narrativas/conto-cronica-ou-novela. Acesso em: [data].
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