Ideias para escrever um livro: de onde tirar (e como saber se a sua rende um romance)
Tire a ideia de um destes oito lugares: uma pergunta "e se...?", a mistura de duas coisas, o lugar onde se vive, um texto curto que pede mais, um livro alheio refeito, uma imagem, um desafio de fora ou um gosto pessoal. Para saber se ela rende um romance, passe-a pela ficha de sete campos abaixo. Ideia de romance precisa de tamanho, que o romancista James Scott Bell mede pelo potencial para muitas emoções, incidentes e riscos altos.
Você abriu um documento em branco e a única ideia que apareceu foi a de que devia ter uma ideia. Já leu listas de prompts, anotou três ou quatro frases soltas e não sabe se alguma delas aguenta um livro inteiro.
A lista de fontes de ideia, cada uma com critério e ideia de partida, e a ficha para testar se a ideia rende um romance, em branco e preenchida numa obra real.
Quem busca ainda não tem a história e quer ideias prontas ou um jeito de gerar e testar a sua; o planeta começa depois que a ideia existe.
Nesta página
Depois que a ideia existe, o caminho segue no passo a passo para escrever um livro, que a transforma em premissa, decide quanto planejar e leva até o ponto final.
Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.
De onde tirar ideias para um livro?
De oito lugares, e cada um tem um critério que diz quando a ideia colhida ali vale a pena. A escritora inglesa Mary Shelley dá a razão de procurar fora da própria cabeça: segundo ela, inventar não é criar do vazio, mas do caos, e o material precisa vir antes. A coluna "ideia de partida" dá uma pergunta para começar em cada fonte, tirada dos casos citados.
| fonte | como usar | ideia de partida | o que mostra que a ideia presta | caso real |
|---|---|---|---|---|
| 1. A pergunta "e se...?" | Escreva a pergunta e responda de duas maneiras diferentes. O escritor Neil Gaiman lista cinco formas: E se...?, Se ao menos...?, Será que...?, Se isso continuar...? e Não seria interessante se...? | E se um cadáver pudesse ser reanimado? | A resposta pede uma personagem e uma consequência, não só um cenário | Byron e Percy Shelley discutiram se um cadáver poderia ser reanimado, e a conversa precedeu a imagem que virou Frankenstein |
| 2. A mistura de duas coisas | Junte dois elementos que não combinam e veja o que acontece | E se um peixinho dourado fosse mordido por um lobisomem? | O encontro cria uma regra com consequências, e não só uma piada | Gaiman usa esse exato par como exemplo de ideia por combinação |
| 3. O lugar onde se vive | Observe o entorno e as vidas próximas, e escolha uma delas para olhar fundo | A vida de alguém da sua rua, vista de perto | Quem escreve sabe mais sobre o lugar do que a pesquisa diria | A escritora Conceição Evaristo diz ter aprendido a olhar o mundo "pela profundidade e não pela extensão" e conta que a escrita dela surge da investigação de vidas muito próximas à dela |
| 4. Um texto curto que pede mais | Releia contos, crônicas e cenas antigos atrás de uma personagem que não se despede | A crônica antiga que pode virar romance | A personagem salta da página, e o que eram alguns milhares de palavras pede cinquenta mil ou mais | Evaristo reconhece hoje a crônica "Samba Favela", dos anos 1960, como semente do romance Becos da memória |
| 5. Um livro alheio refeito | Pegue a forma ou a situação de uma obra admirada e refaça-a com o seu cenário | Um romance em cartas, escritas no seu cenário | A ideia que sobra, quando se tira o enredo original, é sua | A escritora Luisa Geisler diz que Luzes de emergência se acenderão automaticamente partiu do romance epistolar, refeito com o cenário dela; o blog da plataforma editorial Reedsy cita O diário de Bridget Jones, inspirado em Orgulho e preconceito |
| 6. Uma imagem | Pare diante de um quadro e pergunte quem é a pessoa e o que ela faz ali | Um estudante que monta um corpo e foge quando ele se mexe | A imagem já traz uma personagem e uma ação, mesmo sem a história | Mary Shelley viu, de olhos fechados, o estudante de artes profanas ajoelhado ao lado da coisa que montara |
| 7. Um desafio de fora | Aceite uma regra de fora (um tema, um gênero, uma data) que obrigue a começar | Uma história de fantasmas, uma por pessoa do grupo | A regra deixa de ser o assunto quando se descobre o que se quer dizer dentro dela | O poeta Lord Byron propôs que cada um dos quatro do grupo escrevesse uma história de fantasmas, e Shelley passou dias sem nenhuma |
| 8. Um gosto pessoal | Anote o que você queria ler e não encontra | Um livro com capivara | O gosto aguenta uma segunda pergunta: o que acontece com quem tem esse desejo? | Geisler cita a vontade de ler mais livros com capivaras e aconselha ouvir essas "frescuras", sabendo quando usar |
Gere várias antes de escolher: Bell, autor do manual Revision and Self-Editing for Publication, manda juntar muitas ideias sem se censurar e só depois descartar as que não servem. O descarte é a etapa que a ficha a seguir faz.
Como saber se a ideia rende um romance?
Pela medida da história e pelo compromisso de quem escreve. A escritora Elizabeth Sims, na Writer's Digest, compara romance e conto em cinco critérios: a duração da história, o número de personagens, os enredos e subtramas, os temas e o compromisso do autor. Um conto cobre poucas horas ou uma semana; a história que atravessa anos ou gerações arrisca deixar o leitor insatisfeito num conto. Em duas mil ou mesmo sete mil palavras, diz ela, não há espaço para desenhar mais que algumas personagens. A maioria dos contos tem um enredo só e persegue um ou dois aspectos do ser humano; ideia que pede subtramas e vários temas é de romance.
O último critério de Sims é o compromisso, em forma de pergunta: a pessoa perde o sono pensando na história, e as personagens aparecem em horas estranhas e ficam esperando?. Bell acrescenta um teste de escrita: redigir a própria quarta capa, o texto de contracapa, concentrado no quadro geral, antes de escrever o livro. Evaristo mostra onde uma ideia emperra: no livro de contos que vem escrevendo, com uma narradora que entrevista homens, a narradora "ainda não conseguiu ficcionalizar um final feliz" para eles. Sem desfecho à vista, a ideia ainda não anda (leitura nossa).
Uma ideia que pareça pequena não é descartada: Mary Shelley pensou em poucas páginas, um conto curto, para o que virou Frankenstein, até que o marido, o poeta Percy Shelley, a incentivou a desenvolver a ideia mais longamente. A ficha mede, então, o tamanho atual da ideia e diz onde ela precisa crescer. A premissa de uma frase (personagem, conflito, desfecho) está explicada no guia sobre como transformar a ideia em premissa.
Ficha para testar a ideia do livro: em branco e preenchida
Copie, cole e preencha uma ficha por ideia; responda com frases, não com sim e não.
FICHA: A IDEIA RENDE UM ROMANCE?
Ideia (uma frase): ______________________
Fonte (das oito acima): ______________________
1. Quarta capa. Escreva o texto de contracapa, no quadro geral:
______________________
2. Premissa. Personagem + conflito + desfecho em uma frase:
______________________
3. Duração e elenco. Quanto tempo a história cobre (horas, semanas,
anos, gerações)? Quantas personagens ela exige? ______________________
4. Enredos e temas. Quantos enredos? Que subtramas? Quantos temas?
______________________
5. Tamanho. Que emoções, incidentes e riscos altos a ideia comporta?
______________________
6. Compromisso. Você perde o sono pensando nela? As personagens
aparecem sem ser chamadas? ______________________
7. Desfecho. Você sabe, ao menos em linhas gerais, como termina?
______________________
LEITURA
- Poucas horas ou uma semana, poucas personagens, um enredo, um tema: conto.
- Anos ou gerações, elenco grande, subtramas, vários temas: romance.
- Desfecho em branco: é o primeiro ponto a crescer; volte a ele depois
dos campos 1 e 2 (Shelley começou Frankenstein sem ele).
- Campo 6 em branco: a ideia pode ser boa, mas não é sua agora.
A leitura segue os critérios de Sims; o alerta do desfecho é leitura nossa a partir do caso de Evaristo.
Exemplo preenchido: Frankenstein
A ficha abaixo usa a introdução que Mary Shelley datou de 15 de outubro de 1831 para a edição revista do livro, em domínio público, onde ela conta de onde veio a ideia.
- Ideia: um estudante de artes profanas cria uma criatura viva e foge dela, aterrorizado com o próprio sucesso.
- Fonte: o desafio de fora (a história de fantasmas proposta por Byron) e a imagem que ela viu de olhos fechados.
- 1. Quarta capa: um estudante monta um corpo e o faz estremecer com vida; assustado, foge e espera que a coisa morra; ela se levanta à beira da cama dele e o olha.
- 2. Premissa: a personagem é o estudante; o conflito, o esforço humano de arremedar o mecanismo do Criador do mundo, que ela chama de supremamente assustador, a ponto de o sucesso aterrorizar o próprio artista; o desfecho a imagem não traz: o sonho termina na cena do quarto.
- 3. Duração e elenco: uma noite, duas figuras (o criador e a criatura): medida de conto. Shelley pensou, de fato, em poucas páginas.
- 4. Enredos e temas: um enredo, um tema (o horror de quem cria e abandona): também medida de conto.
- 5. Tamanho: o que a imagem promete é risco alto, o de um homem que se arrisca a imitar a obra do Criador; os incidentes e as emoções vêm depois, quando a ideia é desenvolvida.
- 6. Compromisso: a imagem a possuiu; ela não conseguiu se livrar do fantasma, que continuou a assombrá-la, e na manhã seguinte começou a escrever.
- 7. Desfecho: em branco na imagem. A ideia, concebida como conto de poucas páginas, só tomou a forma em que chegou ao público depois que Percy Shelley a incitou a desenvolvê-la.
A leitura da ficha é mista: os campos 3 e 4 apontam para conto, o 5 e o 6 para algo maior, e o 7 está em branco. O que a ficha indica é onde crescer (o desfecho e o elenco). Shelley conta que não deve ao marido a sugestão de um só incidente, mas que sem o incentivo dele a ideia não teria tomado a forma em que chegou ao público.
Como adaptar a ficha à sua ideia?
Escolha de três a cinco ideias das oito fontes, preencha uma ficha para cada e fique com a que deixa menos campos em branco sem forçar a resposta. Se todos os campos apontarem para conto, escreva o conto: ele pode virar romance, como mostra o caso de Shelley e a observação do Reedsy sobre personagens que saltam da página. Se o desfecho ou o compromisso estiverem em branco, volte à fonte. Ao fim, ficam uma folha preenchida, uma ideia escolhida e a quarta capa dela escrita: esse é o ponto de partida do guia sobre premissa.
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O guia-mãeComo escrever um livro: o passo a passo, da ideia ao ponto final — Para escrever um livro, siga sete etapas nesta ordem: ter a ideia, testá-la como premissa, decidir quanto planejar, fixar uma meta de trabalho, terminar o primeiro rascunho, revisar e entregar o texto a primeiros leitores; publicar vem depois.Guias do mesmo assunto
Termos usados nesta página
Quem fala sobre isso 3pessoas
- Neil Gaimanescritor inglês de romances, contos e quadrinhos (nascido em 1960)
Obra sobre o tema: ensaio "Where do you get your ideas?", no site dele, sobre de onde vêm as ideias para escrever.
Página ↗ - Elizabeth Simsromancista norte-americana e editora colaboradora da revista Writer's Digest (nascida em 1957)
Obra sobre o tema: "Should You Write a Novel or Short Story?", Writer's Digest, 2011, cinco critérios para saber se uma ideia rende romance ou conto.
Página ↗ - Luisa Geislerescritora e tradutora brasileira, nascida em Canoas (RS) em 1991
Obra sobre o tema: coluna "Os dois lugares de onde vêm as ideias", blog da Companhia das Letras, 2018.
Página ↗
O que a rede diz 4 vozes
YouTubeEnsina cinco formas de ter mais ideias para escrever o livro.
Marina BlancYouTube ↗
TikTokUma autora que está escrevendo o próprio livro reúne ideias de história para quem está com bloqueio criativo.
@atlantus.chassieTikTok ↗
TikTokDiz que não vai conseguir escrever todas as histórias que quer e, por isso, passa adiante ideias de enredo para outros escritores (em inglês).
@orion.odeTikTok ↗
YouTubeLembra que escrever um conto é diferente de escrever um romance, ainda mais num conto de até 2 mil palavras, e dá quatro dicas para caber nesse tamanho.
FicçomosYouTube ↗
O que está acontecendo
- Vendas de livro de autor canadense acusado de escrever com uso de IA disparam na França ↗
Obra de Thélyson Orélien, retirada da seleção do Prêmio Goncourt, teve mais de 18 mil exemplares vendidos em uma semana na França
- Jeferson Tenório, do best-seller 'O Avesso da Pele', estreia curso de escrita na CasaFolha ↗
Aulas com vencedor do Prêmio Jabuti já estão disponíveis para assinantes da plataforma
- When bots write books ↗
Artificial intelligence is transforming the publishing industry. What does that mean for human authors?
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What does this tell us about the future of writing?
A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
Esta página reúne fontes de ideia de escritores que contam a origem de obras específicas, os critérios de duas páginas da *Writer's Digest* e a lista do blog da Reedsy. A coluna "ideia de partida" e a ficha são nossas, montadas a partir desses casos e critérios; o exemplo preenchido usa só o que Mary Shelley conta na introdução de 1831. Os textos de Shelley, Evaristo, Sims, Bell, Gaiman e Reedsy foram lidos; o de Geisler foi lido em resumo.
Lidas no texto integral
- Mary Shelley, "Author's Introduction", em Frankenstein (edição revista), 15/10/1831 · Project Gutenberg #42324 · https://www.gutenberg.org/cache/epub/42324/pg42324.txt
- Conceição Evaristo, "A Escrevivência e seus subtextos", 2020 · tools/enciclopedia/fontes/textos/evaristo-2020-escrevivencia-subtextos.txt
- Elizabeth Sims, "Should You Write a Novel or Short Story?", Writer's Digest, 17/05/2011 · https://writersdigest.com/improve-my-writing/novel-or-short-story
- James Scott Bell, "How to Choose a Story to Write", Writer's Digest, 05/12/2012 · https://writersdigest.com/improve-my-writing/how-to-choose-a-story-to-write
- Neil Gaiman, "Where do you get your ideas?", neilgaiman.com · https://www.neilgaiman.com/Cool_Stuff/Essays/Essays_By_Neil/Where_do_you_get_your_ideas%3F
- Blog da Reedsy, "50+ Book Ideas (and 11 Ways to Find Even More!)", atualizado em 14/10/2025 · https://reedsy.com/blog/book-ideas
Lidas em resumo ou pela referência
VERSE MEDIA. Ideias para escrever um livro: de onde tirar (e como saber se a sua rende um romance). Enciclopédia Verse, 4 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/estrutura/ideias-para-escrever-um-livro. Acesso em: [data].
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